F1 expõe contradição com rodadas triplas: equipes se cansam, mas precisam de mais GPs

O calendário cada vez mais extenso da F1 é bom para as equipes pelo aspecto financeiro, mas expõe funcionários ao cansaço e exaustão, sobretudo com as rodadas triplas

FÓRMULA 1 EM SP: VERSTAPPEN SEM CONSELHOS DE PIQUET | Paddock GP #267

O inesperado problema logístico que tornou a vida de boa parte das equipes bastante complicada neste começo de fim de semana do GP de São Paulo de Fórmula 1 expôs uma grande contradição do meio da categoria neste período ainda pandêmico. Rodadas triplas por si só já são cansativas porque são três semanas seguidas em que mecânicos, engenheiros e funcionários em geral ficam à disposição em longos dias de trabalho e longe das famílias. Em uma longa sequência México-Brasil-Catar, por exemplo, tal problema se agrava, e a exaustão é nítida. Só que, ao mesmo tempo, as equipes do grid precisam ter mais corridas no calendário para, em casos mais extremos, garantir até a própria sobrevivência para amenizar as perdas registradas desde o ano passado em razão da pandemia.

A McLaren, por exemplo, teve de recorrer a negociações milionárias para manter sua equipe, que vem se recuperando bem financeiramente depois do sucesso nesta temporada. A Haas é outro exemplo de time que praticamente teve de se vender ao dinheiro da família Mazepin para permanecer na Fórmula 1, enquanto a Williams, mesmo com a compra efetuada pelo fundo de investimentos Dorilton Capital e agora com mais robustez no aspecto financeiro, precisa recorrer ao patrocínio das empresas do pai de Nicholas Latifi para equilibrar as contas e fechar seu orçamento.

A alocação de três corridas em três finais de semana seguidos no calendário da Fórmula 1 foi uma solução adotada a partir da temporada 2020 para tentar realizar o máximo possível de corridas no segundo semestre para amenizar os efeitos da pandemia — cenário que obrigou a categoria a iniciar o campeonato só em julho para finalizar na segunda semana de dezembro. Em 2021, o calendário é um pouco mais próximo do habitual, ainda sem algumas praças, como China, Japão e Singapura, mas que marcou o regresso de Estados Unidos, México e Brasil.

O Brasil recebe a etapa deste fim de semana em meio a este temor, mas com a disputa entre Max Verstappen e Lewis Hamilton, que aparecem como favoritos à vitória segundo os melhores sites de apostas da atualidade do ranking SOSapostas. Essa rivalidade é possível confirmar por exemplo no site de apostas Betano, que a própria SOSapostas aponta como um dos mais credíveis da atualidade.

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ALFA ROMEO; GP DE SÃO PAULO; INTERLAGOS
Cargas de equipes como a Alfa Romeo chegaram com atraso ao Brasil (Foto: Alfa Romeo)

Diante desse contexto todo, a F1, que quis realizar 23 GPs neste ano e teve de cortar um evento do seu cronograma prévio, precisou novamente recorrer às rodadas triplas para fechar o calendário. Mas se antes as corridas em sequência eram realizadas em países vizinhos na Europa, desta vez o calendário compreende duas viagens longas no trajeto entre México, Brasil e Catar, palco da próxima corrida do campeonato, já no fim de semana que vem.

Mas nem mesmo a excelência logística da Fórmula 1, quase sempre perfeita e habituada a trabalhar no limite, conseguiu escapar de problemas que são naturais em viagens longas e que compreendem um volume gigantesco de carga. Impossível não lembrar, por exemplo, do faraônico navio cargueiro Ever Given, que ficou encalhado no Canal de Suez, no Egito, em incidente que proporcionou prejuízos bilionários.

Michael Schmidt, jornalista da revista alemã Auto Motor und Sport, falou ao GRANDE PRÊMIO sobre o problema logístico que resultou no atraso do frete de boa parte dos equipamentos das equipes. A carga só chegou mesmo ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, por volta de 5h da última quinta-feira e, por terra, viajou até Interlagos. Quatro escuderias foram as mais afetadas: Ferrari, Alfa Romeo, Haas e McLaren.

Na visão do jornalista alemão, o que aconteceu nesta semana era completamente possível quando se considera que México e Brasil, em que pese estarem na América Latina, são países distantes geograficamente um do outro.

“O problema que sofremos com o transporte poderia acontecer se fosse uma rodada dupla. O problema foi entre México e Brasil. Eles tinham seis aviões para trazer as coisas do México ao Brasil. Três aviões deixaram a Cidade do México com atraso de sete horas, o que não é problema, mas outros três aviões, primeiramente, tiveram de voar de algum outro lugar para chegar na Cidade do México”, explicou.

ALFA ROMEO; GP DE SÃO PAULO; INTERLAGOS
São Paulo é a segunda de três etapas na mais longa rodada tripla da história da F1 (Foto: Alfa Romeo)

“Infelizmente, na manhã de terça-feira, tinha uma grande neblina no aeroporto, e precisam fechar por três horas. Então, estes três aviões que estavam tentando chegar, tiveram de ir para outro lugar. Um para Guadalajara e outros dois para Houston. Depois, tiveram de esperar lá, porque o aeroporto da Cidade do México disse que precisava lidar com todos os voos de passageiros por conta da neblina, e depois poderiam vir, então foi quase um dia perdido”, reportou.

“Depois, eles tiveram de voar para Miami de lá, e os pilotos estouraram o número de horas, porque eles só podem voar por 12 horas, e depois vão descansar. Hoje em dia, com o problema de cargas, é quase impossível arranjar novos pilotos, por isso a carga ficou presa por tanto tempo em Miami”, justificou.

Schmidt acredita que, para 2022, com 23 GPs no calendário e algumas viagens longas, como na rodada dupla entre Azerbaijão e Canadá no espaço de alguns dias, traz a possibilidade de novos problemas logísticos como os vistos neste fim de semana entre México e Brasil. Por outro lado, o jornalista entende que, diante do caminho que a Fórmula 1 tomou, a contradição fica ainda mais exposta.

“Assim que você tem 23 corridas em 250 dias, você vai ter rodadas triplas e rodadas duplas, e existem algumas que não serão próximas, e quando a distância de dois GPs é muito grande, riscos como esse podem acontecer. Este será o risco para o futuro”, alertou.

“É claro que podem cortar [finais de semana de] GPs de três dias para dois, ou até cancelar, porque o problema hoje no mundo é que não existem aviões suficientes para carregar carga. Cedo ou mais tarde, pode acontecer, mas eles querem ter 23 corridas porque é dinheiro, e isso vai para as equipes. As equipes muitas vezes reclamam da quantidade de trabalho em período curto, mas por outro lado, tiram mais dinheiro disso”, finalizou.

O GRANDE PRÊMIO acompanha o GP de São Paulo ‘in loco’ em Interlagos com os jornalistas Fernando Silva e Gabriel Curty, além de toda equipe de maneira remota. O GP também segue todas as atividades de pista do fim de semana AO VIVO e EM TEMPO REAL.

Os bastidores dos testes de Covid em Interlagos (Vídeo: Fernando Silva/GRANDE PRÊMIO)
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