Russell defende “alto nível” de corridas na F1 e diz que fãs “não precisam entender” regras
George Russell ainda relembrou a Fórmula 1 no começo dos anos 2000, afirmando que, na época, o ronco dos motores era incrível, mas as corridas eram monótonas
George Russell afirmou que as mudanças que serão implementadas no regulamento técnico da Fórmula 1 2026 a partir do GP de Miami vão tornar a vida dos pilotos mais fácil, mas, na prática, os fãs “não precisam entender” o que chamou de “detalhes muito complexos”. O vice-líder do Mundial também salientou que sempre gostou do atual carro, concordando com a opinião do chefe, Toto Wolff, ao dizer que o que se vê agora são corridas “puras e de alto nível”.
A ampliação da parte elétrica da unidade de potência gerou muita controvérsia nas primeiras corridas por conta da necessidade de administrar o gasto e a recuperação de energia ao longo a volta. Isso criou momentos de ultrapassagens constantes justamente pela diferença de potência, porém foi alvo de críticas intensas por nomes como Lando Norris, que classificou as disputas como “corrida-ioiô”, e Max Verstappen, que chegou a considerar a F1 2026 “uma Fórmula E com esteroides”.
“Definitivamente, não compartilho dessa opinião”, disse Russell em entrevista ao portal da emissora britânica BBC. “Pessoalmente, estou gostando muito do carro. A unidade de potência e o motor são definitivamente diferentes. E só precisam de alguns ajustes para realmente serem otimizados. Mas isso nos deu a oportunidade de competir com mais afinco, em corridas com muitas reviravoltas”, avaliou.
“Lewis [Hamilton] fez uma ótima observação: em uma corrida de kart, você ultrapassa em uma curva e é ultrapassado de volta. E então ultrapassa de novo. E ninguém nunca chamou isso de Mario Kart ou corrida-ioiô ou qualquer outro termo. Nós chamamos isso de corrida pura e de alto nível”, frisou o britânico.
Diretor da Associação de Pilotos de Grand Prix (GPDA), Russell defendeu a necessidade de ajustes para que os pilotos pudessem ir mais ao limite nas classificações, mas negou que os pilotos estivessem tirando o pé de propósito para serem mais velozes em trechos de alta.
“Quem pensa que os pilotos estão diminuindo a velocidade nas curvas para serem mais rápidos nas retas está enganado. Existem algumas pequenas peculiaridades, que a FIA se esforçou ao máximo para eliminar. São detalhes muito complexos e, sinceramente, os fãs não precisam entender”, argumentou.

“A partir desta corrida [Miami], com essas pequenas mudanças que serão implementadas, nossa vida ficará mais fácil. Vamos acelerar ao máximo nas retas em uma volta de classificação e não precisaremos tirar o pé do acelerador para gerenciar a energia”, completou.
Esta semana, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) definiu uma série de ajustes no regulamento técnico não apenas para atender às reclamações sobre as ultrapassagens artificiais, como também para trazer mais segurança aos pilotos nas disputas — reação ao forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão.
Sobre as ultrapassagens, Russell foi na linha de Pierre Gasly ao dizer que há muita negatividade em torno da F1 2026. “Lembro-me de assistir à F1 há 20 anos e ouvir o rugido dos motores, era incrível, mas não via uma única ultrapassagem. Aquela foi, sem dúvida, a Fórmula 1 mais pura que já vimos. Mas as corridas eram monótonas. “
“Então, acho que só nos lembramos dos aspectos positivos de certas coisas. E, no presente, gostamos de focar no negativo. E há muitos pontos positivos sobre este novo regulamento e os novos carros”, seguiu.
“Conversei com um piloto de Fórmula 1 dos anos 80 e 90, vencedor de várias corridas, e ele disse que eles tinham um botão de impulso que lhes dava 300 cv a mais, mas aí, no final da reta, ao tirar o pé do acelerador, eles ficavam sem combustível. Então, isso sempre esteve presente, de certa forma. Obviamente, é diferente agora, mas sempre gostamos de destacar os pontos negativos e lembrar das coisas boas do passado”, encerrou Russell.
A Fórmula 1 retorna no próximo fim de semana, de 1º a 3 de maio, com o GP de Miami.
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