GP do Japão tem confusão de equipes sobre tempo máximo de evento: “Não sabíamos”

A incerteza sobre o reinício do GP do Japão fez com que a corrida terminasse dentro das três horas máximas de evento, o que deu a algumas equipes a ideia de que haveria mais uma volta. Confira a explicação do regulamento

O GP do Japão de Fórmula 1, realizado no último domingo (9) e que teve vitória e bicampeonato mundial de Max Verstappen, contou com um início bastante conturbado — e curto. Carlos Sainz perdeu o controle de sua Ferrari e foi no muro ainda na primeira volta, o que causou a ativação de uma bandeira vermelha e a paralisação da corrida — que havia sido iniciada em pista molhada e sob péssimas condições de visibilidade. Entretanto, além de toda a confusão logo na largada, uma interpretação errada por parte da regra também causou alvoroço entre as equipes no fim.

Após a paralisação da primeira volta, pilotos e equipes voltaram aos boxes e aguardaram a direção de prova definir os próximos passos. Quando os comissários entenderam que a corrida poderia recomeçar, o relógio já marcava 40 minutos para o fim do tempo máximo do evento, estipulado em três horas — o que significaria que a corrida não poderia ter seu número total de voltas. E foi justamente essa regra que confundiu os times.

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Ainda que as equipes soubessem que a corrida teria aproximadamente os 40 minutos disponíveis no relógio, se tornou uma incógnita em qual volta ela terminaria. Assim, foi possível ver pilotos como Max Verstappen, Daniel Ricciardo e Fernando Alonso forçando o ritmo mesmo após cruzarem a linha de chegada, já que não havia um entendimento sobre o fim da corrida.

A Alpine, por exemplo, baseou sua estratégia no fato de que ainda haveria uma volta após o encerramento do cronômetro, o que daria à equipe a oportunidade de buscar a sexta colocação de Sebastian Vettel. No entanto, a bandeirada foi dada na mesma volta em que o cronômetro chegou ao zero, confundindo as equipes.

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O acúmulo de água na pista de Suzuka tornava a aquaplanagem um perigo iminente aos pilotos (Foto: F1/Reprodução)

“Acredito que a corrida tenha sido interrompida uma volta antes, a bandeira quadriculada foi dada uma volta mais cedo do que deveria ter sido”, apontou Alan Permane, diretor-esportivo da Alpine. “Acho que quando Max [Verstappen] cruzou a linha de chegada, o relógio ainda tinha 5s correndo e a bandeirada foi dada. Então, acho que se a corrida tivesse acontecido da forma que pensamos, teríamos passado por Sebastian [Vettel] também”, lamentou.

A explicação para a confusão, no entanto, é bem simples: enquanto o limite de duas horas de corrida menciona uma volta a mais quando o tempo chegar ao fim, o limite de três horas de evento representa uma parada forçada. Ou seja, a corrida deve terminar assim que o cronômetro for zerado, sem que uma nova volta seja realizada para determinar o vencedor.

“Se o evento for suspenso (ver Artigo 57), a duração da suspensão será adicionada a esse período até um total máximo de três horas de corrida”, diz o Artigo 5.b, que não faz absolutamente nenhuma referência a uma volta extra após o cronômetro zerar.

Por outro lado, o Artigo 5.4 diz: “Se duas horas passarem antes que a distância planejada da corrida seja cumprida, o sinal de fim da sessão será mostrado ao líder quando ele cruzar a linha ao fim da volta seguinte ao encerramento do período de duas horas — desde que isso não exceda o número de voltas originalmente previsto.”

Assim, a confusão se formou porque enquanto o período máximo de duas horas de corrida prevê uma volta a mais no fim, o limite de três horas de evento determina o encerramento da prova no momento em que zerar o cronômetro.

Se as condições eram ruins, Carlos Sainz que o diga: sua corrida não durou uma volta completa no Japão (Foto: Reprodução/F1)

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A confusão devido ao número de voltas no Japão não foi destacada na transmissão, mas tomou conta no fim da corrida. Verstappen seguiu acelerando após a bandeirada e só foi avisado sobre o fim da corrida por seu engenheiro, Gianpiero Lambiase, quando chegava às curvas Degner — no início do segundo setor. A McLaren também não sabia o que fazer, o que causou uma reação curiosa no chefe Andreas Seidl.

“A bandeira quadriculada foi mostrada no momento certo, mas vimos que Max Verstappen ainda estava acelerando fundo após cruzá-la, então não sabíamos exatamente o que estava acontecendo”, explicou Seidl. “Todos concordamos no pit-wall de que essa era a bandeira quadriculada. Mas já que Max estava forçando, inicialmente nós dissemos aos nossos pilotos para manterem a segurança e acelerarem, porque talvez tivéssemos perdido algo”, admitiu.

O próprio Charles Leclerc, envolvido em punição com Sergio Pérez no fim, não sabia que a corrida havia terminado. O monegasco, inclusive, impediu a ultrapassagem do mexicano alguns metros antes da linha de chegada — quando já havia cortado por fora da pista — porque acreditava que a corrida no Japão ainda teria mais um giro.

A Fórmula 1 retorna daqui a duas semanas, com a disputa do GP dos Estados Unidos, em Austin, marcada para acontecer entre os dias 21 e 23 de outubro.

Na primeira volta, Carlos Sainz escapou de acidente grave no GP do Japão (Vídeo: Reprodução/Twitter)
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