GP Recomenda: cinco bons motivos para não se perder o GP do Japão de F1

Depois da etapa noturna de Cingapura e da surpreendente vitória da Ferrari, a F1 vai desembarcar em uma das pistas mais icônicas do calendário. Suzuka será palco, neste fim de semana, da 14ª etapa da temporada 2015. Por isso, o GRANDE PRÊMIO lista agora cinco motivos para não se perder o GP do Japão

1) A REAÇÃO DA MERCEDES
 
A Mercedes foi a grande decepção do GP de Cingapura. Inexplicavelmente, a poderosa equipe alemã teve um desempenho muito aquém do domínio que vem impondo desde 2014 e nem de longe lembrou o time que lidera o Mundial. Claramente, enfrentou problemas com os pneus mais macios da Pirelli, mas misteriosamente nunca esteve em posição de brigar com Ferrari e Red Bull. Foi a pior apresentação da Mercedes desde a introdução da era dos motores V6 híbridos. 
 
Lewis Hamilton, que estava perto de igualar o número de vitórias de Ayrton Senna na F1, também sequer teve condições de entrar na briga pelo pódio e ainda acabou abandonando pela primeira vez na temporada, devido a uma falha no motor. Nico Rosberg ainda conseguiu salvar um quarto lugar, usando da estratégia para isso. Mas a pobre performance deixou alguns pontos de interrogação no ar. 
 
“Não me lembro de nenhuma outra vez em minha carreira na F1 quando isso aconteceu. Não mudamos nada no carro e, de repente, ficamos 1s5 atrás”, disse Hamilton após a etapa asiática.  “Em 15 dias, perdemos 1s5 para a Ferrari e 2s5 para a Red Bull. E ninguém na equipe sabe explicar o motivo”, completou. 
 
Chefe da esquadra prateada, Toto Wolff reagiu rápido ao vexame noturno e afirmou que o time não ficou aterrorizado com os maus resultados nem deprimido e que vai retomar o desempenho dominante no Japão, em uma pista rápida e que se ajusta bem aos fortes motores alemães. 
 
"Agora precisamos manter a calma", disse Wolff aos jornalistas em Cingapura. "Nós conversamos com os pilotos e o desgaste dos pneus foi simplesmente muito grande, o que foi inexplicável para nós. Mas não estamos aterrorizados por isso, não vamos entrar em pânico", emendou o austríaco. 
 
"Acreditamos que seja um problema daquele circuito específico, em que não conseguimos gerir melhor a aderência dos pneus. E isto pode explicar a diferença para as rivais, e nós vamos provar em Suzuka", decretou.
Toto Wolff garantiu que a Mercedes vai retormar o domínio em Suzuka (Foto: Mercedes)
2) A CONFIRMAÇÃO DA FERRARI
 
Ao contrário da Mercedes, a Ferrari viveu em Cingapura seu melhor fim de semana da temporada 2015. A equipe italiana se mostrou muito forte desde os treinos livres, Sebastian Vettel cravou a pole com uma assombrosa no sábado e, no domingo, dominou quase que de ponta a ponta a etapa em Marina Bay. 
 
O desempenho chamou atenção não só pela velocidade e constância de Vettel, mas pelo fato de que o time vermelho colocou seus dois carros no pódio sem muito drama. Em Cingapura, a Ferrari não se aproveitou de erros ou problemas dos rivais, a verdade é que a esquadra de Maranello foi lá e andou sempre na frente e com sobra. 
 
A expectativa agora é para ver se a Ferrari mantém o mesmo nível de competitividade em Suzuka. O veloz e seletivo traçado japonês também se ajusta bem ao carro ferrarista. Como em Monza, o time italiano também parece ter uma chance real de encarar a Mercedes e se tornar uma ameaça verdadeira ao poderio alemão.
Sebastian Vettel venceu o GP de Cingapura (Foto: AP)
3) O POSSÍVEL VEXAME EM CASA
 
A Honda vai correr literalmente em casa neste fim de semana. Dona da pista de Suzuka, a fabricante nipônica, entretanto, não tem muita razão para se animar, já que a previsão é que enfrente outra etapa complicada nesta dura temporada de retorno à F1. Parceira da McLaren, a empresa vem enfrentando extrema dificuldade para acertar o motor V6 — na busca por aperfeiçoar a unidade de energia, a fornecedora já lançou mão de cinco de suas nove fichas de desenvolvimento até o momento.
 
Falta potência e sobram problemas. E, sem força — como já ficou evidente em circuitos velozes como Spa-Francorchamps e Monza —, será difícil tirar algum desempenho do MP4-30 no técnico e veloz traçado japonês. Uma vez mais, a fornecedora terá de administrar os prejuízos para tentar, ao menos, completar a prova caseira. 
 
Portanto, a Honda encara o fim de semana de forma "realista", segundo afirmou Yasuhisa Arai, diretor de competições da marca nipônica. "É maravilhoso correr novamente em casa e diante dos nossos fãs. Os japoneses são incrivelmente apaixonados e leais à F1, à Honda e à McLaren, por isso temos de fazer o nosso melhor."
 
"Dito isso, Suzuka também é um circuito notoriamente técnico e difícil para todos os carros e pilotos. Portanto, temos de ser realista de que essa corrida será um grande desafio para nós", completou.
 
Na etapa passada, em Cingapura, uma pista em que a exigência de motor era menor, a McLaren, embora tenha largado em sua melhor posição no ano, com o 12º de Fernando Alonso, não conseguiu fazer os dois carros chegarem ao fim da corrida.
Honda prega o discurso do pé no chão para Suzuka (Foto: AP)
4) SUZUKA, PALCO DE GRANDES ANÚNCIOS
 
Sempre realizado na parte final da temporada, o GP do Japão já acompanhou ao longo de sua história algumas decisões de título mais importantes da F1, mas a etapa japonesa também costuma ser palco de anúncios surpreendentes.
 
Foi no Japão em 2012 que Michael Schumacher anunciou a segunda e definitiva aposentadoria da F1, apenas seis dias depois da confirmação da contratação de Lewis Hamilton pela Mercedes para a temporada seguinte.
 
"Tomei a decisão de deixar a F1 com a consciência de que ainda posso correr contra os melhores do mundo. E isso é algo que me orgulha muito e também é por isso que nunca me arrependi de ter voltado. Estou satisfeito com o meu desempenho nesses últimos três anos, mas chegou a hora de dizer adeus", afirmou o heptacampeão com então 43 anos na época.
 
Também foi em solo japonês que Sebastian Vettel contou à cúpula da Red Bull, no ano passado, que havia assinado com a Ferrari para o campeonato deste ano. Ainda em Suzuka, horas antes do treino classificatório do sábado, a equipe austríaca anunciou que o tetracampeão havia decidido deixar o time. 
 
A confirmação do acordo com a Ferrari, entretanto, aconteceu somente no mês seguinte, durante o fim de semana do GP de Abu Dhabi. Como se sabe, Sebastian substituiu Fernando Alonso, que decidira trocar esquadra italiana pela McLaren.  
Jenson Button pode dizer adeus à F1 neste fim de semana (Foto: AP)
Agora, a expectativa gira em torno de Jenson Button. De acordo com a mídia inglesa, o campeão de 2009 planeja anunciar a aposentadoria da F1 neste fim de semana de GP do Japão. 
 
5) A ÚLTIMA CORRIDA DE BIANCHI
 
O GP do Japão também será cercado por lembranças de Jules Bianchi. Foi lá que, há quase um ano, todo o drama que terminou com a perda precoce do jovem francês teve início. 
 
Na volta 43 da corrida em Suzuka, realizada em 5 de outubro, Bianchi perdeu o controle na curva 7 e acertou em cheio o guindaste que tinha entrado na área de escape para remover o carro de Adrian Sutil, que tinha batido no giro anterior. Socorrido ainda na pista, Jules foi levado ao hospital e submetido a uma cirurgia de cerca de 4 horas. Um boletim médico divulgado pela Marussia dois dias depois da batida, informou que o piloto de 25 anos sofreu uma lesão axonal difusa, que é uma lesão ampla e devastadora e que, em mais de 90% dos casos, deixa suas vítimas em coma definitivo.
 
Bianchi ainda permaneceu, em estado crítico, no hospital em Mie, no Japão, até novembro, quando pode ser transferido para uma unidade médica em Nice, na França, sua cidade natal. De lá até o último dia 17 de julho, foram meses de tratamento e agonia para a família do piloto. Bianchi acabou não resistindo às lesões e morreu aos 25 anos. 
 
A perda da jovem promessa causou comoção no mundo da F1. O funeral contou com a presença de quase todos os pilotos do grid, dirigentes e nomes importante do automobilismo. 
 
Agora, às vésperas da etapa nipônica, o clima também deve ser de tristeza pelo que aconteceu em Suzuka em 2014. Graeme Lowdon, diretor-esportivo da Manor Marussia, a equipe que Jules defendia, resumiu o sentimento. "Jules nunca está distante dos nossos pensamentos. Agora vamos ao Japão e temos de ir como um time, conduzir nossos negócios de forma profissional e sermos fortes", disse. 
 
"Muitos caras da nossa equipe estavam conosco no ano passado, então sabemos que será difícil, mas da mesma forma sabemos que Jules era um piloto e gostaria que focássemos no trabalho de correr. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não serão momentos difíceis, porque definitivamente serão, não há discussão”, completou o dirigente inglês.
Carro de Stoffel Vandoorne (Foto:Reprodução/Twitter)

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