GUIA 2023: Leclerc volta à vida com chegada de Vasseur e vai em busca da redenção

Em 2022, Charles Leclerc sucumbiu ao mau comando da Ferrari e viu sua confiança ser minada. Agora com a chegada do velho conhecido Frédéric Vasseur, o monegasco ganha a sobrevida necessária para voltar ao páreo e provar que, sim, é o cara para interromper o eventual reinado de Max Verstappen na Fórmula 1

Chega a parecer injusto dizer que Charles Leclerc ainda precisa provar que é o desafiante ideal para quebrar um eventual domínio de Max Verstappen na Fórmula 1 pelos próximos anos. Estreante na categoria máxima do automobilismo mundial em 2018, precisou de quatro temporadas até que, de fato, a Ferrari tivesse condições de lhe entregar um carro capaz de brigar por vitórias e, consequentemente, pelo título. Mesmo assim, ofereceu alguma resistência contra o holandês da Red Bull apenas nas primeiras corridas — as três iniciais, para sermos exatos —, e muito graças à fragilidade que o RB18 apresentou no começo de 2022.

É claro que a Ferrari também teve uma parcela considerável nisso. Foram, pelo menos, três erros cruciais que impediram o piloto de chegar sequer ao pódio: em Mônaco, o pit-stop duplo desastroso que jogou Charles de segundo para quarto; na Bélgica, os pneus macios nos giros finais para ganhar o ponto da volta mais rápida custaram uma punição por excesso de velocidade; e os fatídicos compostos duros na Hungria que transformaram o #16 em presa fácil na pista frente aos rivais.

Relacionadas

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Leclerc está determinado a deixar o fantasma dos erros de 2022 no passado (Foto: Ferrari)

Isso sem falar de mais erros de estratégia como o grotesco na Inglaterra, na classificação em Interlagos… erros, erros e mais erros, só que Leclerc também não escapou das suas próprias falhas, sendo a mais significativa de todas a batida em Paul Ricard, na França, quando liderava seguro. A partir dali, aliás, foi quando Verstappen, àquela altura com um carro já livre dos problemas de confiabilidade, teve a certeza de que seria bicampeão.

Problemas à parte, as três primeiras corridas do último Mundial, especificamente, mostraram que, sim, Leclerc tem totais condições de escrever o seu nome na galeria de campeões da Fórmula 1. O GP da Arábia Saudita, ainda que vencido por Verstappen, mostrou algumas camadas desse Charles que ainda é apontado por alguns como uma incógnita. Foi aguerrido, arrojado na defesa da posição, duelou roda a roda contra o taurino e ainda protagonizou uma das melhores cenas ao disputar a freada para ver quem teria a preferência pela zona de DRS — o que prova que também sabe ser frio e calculista quando necessário.

Esse Leclerc, no entanto, sucumbiu ao mau comando da Ferrari. Em Silverstone, especificamente, a imagem que rodou o mundo foi a de Mattia Binotto, o ex-chefe de Maranello, com o dedo em riste apontado para o rapaz. Para quem não se lembra, Leclerc perdeu a vitória no GP da Inglaterra por ficar na pista durante o safety-car causado pela quebra de Esteban Ocon, enquanto os rivais que vinham logo atrás pararam para colocar compostos macios. Resultado: Charles foi da liderança ao quarto lugar.

Foi a gota d’água, segundo a imprensa estrangeira. A partir dali, o relacionamento com Binotto jamais seria o mesmo, ainda que a Ferrari jurasse não haver controvérsias. Com a confiança abalada, o monegasco já não brilhava mais nem mesmo nas classificações, o seu ponto forte. Cada vez mais imbatível, Verstappen encontrou o terreno propício para levar mais um título para casa com quatro corridas de antecedência e direito a recorde.

Vasseur é quem vai devolver Leclerc de volta à disputa na F1 (Foto: Scuderia Ferrari Press Office)

Mesmo assim, 2022 não pode ser considerado um retrato fiel de Charles Leclerc. Mas para o novo ano, no entanto, faltava um ponto de virada, e ele veio na figura do novo chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur, que o acompanhou desde os tempos da base, quando defendeu a ART — equipe do dirigente francês — na então GP3 (hoje F3). A F1 na carreira de Charles, aliás, veio primeiro pela Sauber, quando Vasseur já comandava a equipe suíça no lugar de Monisha Kaltenborn.

Há, pois, uma cumplicidade. Mais, até: para Leclerc, é Frédéric quem o traz de volta à vida — ou melhor, de volta à disputa, já que desde as primeiras entrevistas, a postura do monegasco é totalmente diferente da vista durante a temporada passada. Some-se isso ao fato de ter em mãos um carro muito bem nascido e Charles recebe o que faltava para mostrar a Verstappen que, no que depender dele, cada ponto será vendido caro.

Pelo que se viu na pré-temporada, a Ferrari vai começar 2023 muito bem, obrigada. E Leclerc pode, finalmente, conquistar seu tão sonhado apogeu na Fórmula 1.

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!