GUIA 2026: Hamilton vê em novo regulamento esperança de fazer união com Ferrari dar certo

O efeito solo que tanto maltratou Lewis Hamilton é coisa do passado. Na pré-temporada 2026, no Bahrein, o heptacampeão demonstrou mais conforto ao volante do carro da Ferrari, mas há outras arestas que precisam ser aparadas para que o badalado casamento finalmente dê certo

Nem o mais pessimista torcedor da Ferrari imaginou que o primeiro ano de Lewis Hamilton como piloto da escuderia mais tradicional do grid da Fórmula 1 seria um completo desastre. Depois da lua de mel que rendeu um ensaio pré-wedding dos mais icônicos em frente à residência que pertenceu a Enzo Ferrari, absolutamente nada deu certo na prática, do carro muito difícil de guiar à comunicação caótica que culminou na troca do engenheiro de corrida para 2026. Mas há, sim, razão para crer que o pesadelo de Lewis pode ter chegado ao fim com a mudança do regulamento.

A maior delas, claro, é justamente a revolução técnica pela qual a F1 passou. Não é segredo que a volta do efeito solo colecionou inimigos pelo grid, e Hamilton foi certamente o maior ‘hater’ do fenômeno aerodinâmico que tem no assoalho peça central. Nas três temporadas pilotando o carro da Mercedes sob o regulamento anterior, não é exagero dizer que o heptacampeão apanhou um bocado, no sentido literal. Pois como esquecer a imagem após o GP do Azerbaijão, quando mal conseguiu deixar o carro de tantas dores nas costas por causa dos constantes quiques do carro (o porpoising) no retão de Baku?

Sai, portanto, o efeito solo para dar lugar a uma F1 que força o piloto a pensar um pouco mais — algo que também não vem agradando muito, mas como disse Gabriel Bortoleto, é mais questão de costume em aprender a gerenciar a energia proveniente do aumento da parte elétrica da unidade de potência do que um grande problema capaz de afetar a parte física dos pilotos. E nesse ponto, nada como a experiência de quem já acumula 380 largadas para usar as novidades ao seu favor.

Só que tem outro detalhe que não pode ser ignorado. Mesmo abatido diante das câmeras da imprensa pela falta de rendimento, Hamilton trabalhou incansavelmente nos bastidores para mudar partes essenciais do carro que considerava problemáticas — os dossiês desdenhados pelo antigo chefe, Maurizio Arrivabene, com o adendo, todavia, de que teve o apoio do atual líder da Ferrari, Frédéric Vasseur, durante todo o tempo, além do fato de ter bagagem mais que suficiente para ter a palavra levada a sério. E o resultado desse esforço se traduziu na primeira coletiva oficial realizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) no Bahrein, quando confessou, com um semblante bem mais leve, que a SF-26 carregava “o seu DNA”.

Lewis Hamilton foi bem na pré-temporada, mas ainda é olhado com desconfiança (Foto: AFP)

“O desempenho do carro até agora está me empolgando muito. Trabalhar com carros de nova geração é uma experiência muito diferente, estamos tentando resolver tudo do zero e em tempo real. No ano passado, tive que correr com um carro cuja base herdei de outra pessoa. Mas o carro deste ano é um modelo que desenvolvi pessoalmente no simulador nos últimos 8 a 10 meses. Ele tem o meu DNA, então me sinto muito mais ligado a ele”, disse Hamilton aos jornalistas em Sakhir.

Sem dúvida, a pré-temporada trouxe um Hamilton bem diferente do visto principalmente na segunda metade do campeonato passado, quando chegou a se considerar o grande culpado pela falta de desempenho da Ferrari. Foi após ficar somente em 12º lugar na classificação do GP da Hungria e dizer que se sentia “completamente inútil” e o melhor para a escuderia de Maranello seria “trocar de piloto” — definitivamente, declaração que não se espera de quem tem sete títulos mundiais na maior categoria do automobilismo.

Essa versão de Hamilton, aliás, é difícil de defender, ainda que nem tanto de compreender. Ser um piloto Ferrari representa patamar muito distinto na Fórmula 1 por conta da forma religiosa que a escuderia é tratada pelos italianos (os pilotos retratados como santos não são por acaso!), e isso já traz outro nível de cobrança por resultados — afinal, os tifosi não sabem o que é celebrar um título desde 2007, quando Kimi Räikkönen se valeu da implosão da McLaren com Fernando Alonso e, quem diria, o próprio Hamilton. Já são, portanto, 19 anos de migalhas aqui e ali e batidas na trave com Felipe Massa (2008), Alonso (2010, 2012 e 2013) e Sebastian Vettel (2017 e 2018) e apenas a memória de tempos em que representava o verdadeiro dream team da F1 com Michael Schumacher, Jean Todt, Ross Brawn e companhia.

Sim, a Ferrari não é nada fácil, é uma cultura muito diferente da vivida por 12 temporadas com a alemã Mercedes. Vasseur reconheceu que subestimou o período de adaptação por Hamilton dispensar apresentações. Fosse esse item levado mais a sério, talvez 2025 traria uma história diferente do que terminar o campeonato sem nenhum pódio sequer, algo inédito desde a estreia na Fórmula 1, em 2007.

Charles Leclerc (à esq.) é ótimo piloto e conhece bem a engrenagem da Ferrari (Foto: Ferrari)

Mas 2025 ficou para trás (tem de ficar!), e os testes coletivos mostraram um Lewis mais confortável ao volante, que pôde cumprir o programa planejado pelos italianos, ainda que um problema no eixo traseiro na manhã do quinto dia tenha comprometido um pouco o cronograma. Coisas normais de pré-temporada, ainda mais quando se tem uma mudança de regulamento tão grande.

Fato é que a Ferrari deixou a pista de Sakhir com ótimas impressões do carro que conseguiu desenvolver, do motor híbrido com 50% da potência proveniente da parte elétrica ao chassi, cheio de novidades aerodinâmicas das mais engenhosas. Isso sem contar o sistema de largada, que aparenta ser o grande trunfo da SF-26 para este começo de ano. Elementos que, na prática, ao menos pareceram funcionar muito bem, ainda que seja cedo para ordenar as forças para o GP da Austrália. O mais importante, na verdade, é começar 2026 com uma mentalidade totalmente afastada da que se viu no primeiro ano do promissor casamento.

Agora, é importante frisar que Hamilton terá mais uma vez a companhia de Charles Leclerc, que representa exatamente o oposto quando se fala em costume com a cultura da Ferrari. O monegasco é cria da academia de Maranello e foi preparado para o posto que hoje ocupa, sem contar que possui muita qualidade técnica como piloto. Não seria surpreendente, portanto, se ele também começasse a temporada 2026 em melhor forma, como foi na pré-temporada, ainda que a distância em mais de 1s entre o melhor tempo de Leclerc e o de Hamilton não traduza a realidade. Charles, por exemplo, chegou à volta mais rápida dos testes na última parte do último dia, em simulação de classificação.

Mas ter Leclerc ali também será um interessante teste para os que olham para Hamilton e apostam as fichas nele para brigar pelo título (Alexander Albon é um deles, por exemplo). É, na verdade, o que todos desejam, pois é difícil aceitar que o maior campeão da história da Fórmula 1 seja somente um coadjuvante de luxo naquela que pode ser a sua última jornada pela categoria.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 8 de março, com o GP da Austrália, abertura da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP da Austrália de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 122:300:3002:3003:30
Treino livre 202:0004:0006:0007:00
Treino livre 322:300:3002:3003:30
Classificação02:0004:0006:0007:00
Corrida01:0003:0005:0006:00

*Horário de Brasília

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPT

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!