F1
21/03/2018 06:00

Guia F1 2018: Pirelli aumenta gama de pneus e cria programa para ajudar em estratégias e reviver emoção nas pistas

Se a F1 falhou em termos de emoção nas pistas em 2018, mesmo com a ótima briga pelo título entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, até a fornecedora de pneus da categoria busca soluções para 'reinventar o drama' na categoria. Será que o aumento no número de possibilidades de compostos ajudará?
Warm Up / FELIPE NORONHA, de São Paulo
 Os novos da Pirelli para temporada 2018 (Foto: Reprodução/Twitter)

A briga entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel pelo título da F1 em 2017 durou boa parte da temporada e garantiu emoção aos fãs após anos de duelos internos na Mercedes. Mas, na pista em si, o show que a F1 costuma apresentar sofreu uma queda vertiginosa. A maior prova foi o número de ultrapassagens, que despencou de 2016 para o ano seguinte em 49%.

Na busca pelo volta do drama no asfalto, até mesmo a Pirelli, fornecedora oficial de pneus da categoria, foi atrás de soluções. A primeira foi aumentar a gama de pneus que podem ser usados nas corridas; e outro ponto foi a criação de um programa para ajudar estratégias das equipes. Será que vai funcionar?
Pneus disponibilizados pela Pirelli para 2018 (Foto: Pirelli)
A primeira mudança para a temporada 2018 veio ainda em novembro de 2017, quando a Pirelli anunciou a criação dos compostos superduros e hipermacios para este ano.

Com essas inclusões, as equipes poderão escolher entre sete tipos diferentes de pneus para cada corrida. Na Austrália, por exemplo, abertura da temporada, a Pirelli já anunciou que disponibilizará pneus macios, supermacios e ultramacios (este último, o mais escolhido entre os pilotos). Cada piloto poderá usar 13 jogos durante o final de semana.

Segundo a Pirelli, esse aumento ajuda nas estratégias de corrida, com uma variação maior de possibilidades de formulação de táticas envolvendo os pneus. O novo hipermacio, por exemplo, é o mais macio já produzido pela fábrica italiana na F1. Todos os compostos, inclusive, estão relativamente mais macios do que suas versões anteriores - em 2017, com a maior pressão aerodinâmica dos então novos carros, a opção foi por mais "rigidez".

O hipermacio será rosa, enquanto o superduro será laranja. O restante mantêm as cores antigas: azul para duro, branco para médio, amarelo para macio, vermelho para supermacio e roxo para ultramacio.
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Pneus cobertos por neve nos testes em Barcelona (Foto: Pirelli)
Mario Isola, diretor de corridas da fábrica, viu a novidade como uma fuga do conservadorismo que os antigos pneus causavam na F1. Uma linha vista com bom grado pelos fãs, que desejam emoção que, na atualidade, é muito mais vista na MotoGP, por exemplo, do que na mais famosa categoria do esporte a motor.

Isola também citou que a Pirelli está sendo "mais agressiva" neste ano. Uma palavra que, o fanático pela F1 espera, se torne real também na pista - na busca por ultrapassagens, manobras arrojadas. A tendência é que tal agressividade cresça gradativamente durante a temporada.

O dirigente deu exemplo de estratégia que venha a partir das alterações: "O piloto pode iniciar a corrida com supermacio, porque precisa usá-lo na classificação, e aí mudar para dois jogos de médio ao longo da prova. Ou ainda: se o carro não for tão severo com o pneu, o cara pode também tentar uma tática de supermacio/macio/médio/macio ou super/macio/macio/macio. Ou seja, dentro do que falamos há muitas combinações diferentes para esses três compostos", explicou o dirigente, ouvido pelo GRANDE PRÊMIO, em Barcelona.

Diferenças foram captadas durante os testes em Barcelona

Segundo Isola, as primeira variações nos tempos alcançados pelos pilotos graças aos pneus foram vistas no Circuito da Cataliunha, durante a pré-temporada.

Durante a segunda semana de testes, já sem chuva e neve, foi constatado que a diferença entre o pneu macio e o médio é de 0s8. Já entre o macio e o supermacio: 0s4. Entre o super e o ultra: aproximadamente 0s6. Já entre o hiper e o ultra: entre 0s7 e 0s8. É importante ressaltaer, porém, que o asfalto de Barcelona foi completamente reformulado - o que, fatalmente, alterou os tempos de forma considerável.
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Pneu hipermacio (Foto: Pirelli)
Se os novos pneus devem mudar as estratégias de corrida e aumentar o número de paradas nos boxes pela degradação dos compostos, outro fator que a Pirelli traz para 2018 é um programa de análise da escolha de pneus que "encoraja" as equipes a aumentar o número de ida aos boxes.

Neste software, a Pirelli faz simulações do uso de pneus em cada pista para descobrir os três modelos mais indicados para cada corrida. "Criamos durante as férias. Ele consegue apontar as melhores combinações entre três pneus",explicou Isola.

Essas cominações indicariam sempre os três pneus que faria com que as equipes, em cada corrida, conseguissem o maior número de estratégias possíveis. Isso significa, também, que certos pneus podem ser 'pulados' na escala de rigidez. Não necessariamente as combinações indicam sempre pneus seguidos, como superduros, duros e médios.

Segundo a Pirelli, todas essas inovações farão com que a ação nas 21 pistas que receberão a F1 em 2018 seja mais constante. É o desejo de quem liga a televisão, o computador ou vai até os autódromos para acompanhar os melhores pilotos do mundo. Se a fábrica fizer sua parte, boa parte do caminho que o Liberty Media busca avançar terá sido percorrido.