“História se repete”: Por que Mercedes trocou prata pelo preto no W14 para F1 2023

A Mercedes retomou a cor preta no carro de 2023. A equipe alemã já havia usado a pintura nas temporadas de 2020 e 2021. Agora, no entanto, a decisão também tem uma explicação técnica importante na tentativa de voltar a disputar vitórias e títulos na Fórmula 1

Prestes a iniciar a 14ª temporada consecutiva na F1, a Mercedes apresentou nesta quarta-feira (15) o modelo com o qual vai disputar o campeonato 2023. E uma das grandes novidades do W14 é a volta da cor preta. A equipe alemã já usou o esquema de pintura antes e, agora, retoma o design icônico que levou Lewis Hamilton ao heptacampeonato em 2020.

Naquele ano, a Mercedes optou por trocar o tradicional prata em apoio às manifestações contra racismo, encabeçadas por Hamilton na Fórmula 1. Desta vez, porém, a decisão de mudar o layout também possui uma explicação técnica e um desejo: desempenho.

Por isso, o W14 não recebeu a pintura em preto em todo o seu chassi. Na verdade, apenas em sua área central, ou seja, do bico próximo ao aerofólio dianteiro, passando pelo cockpit e terminando na parte traseira, mais precisamente na divisa entre a carenagem que cobre a unidade de potência do carro e o aerofólio traseiro.

A Mercedes apresentou o W14 em preto: a meta é reduzir o peso e ganhar velocidade (Foto: Mercedes)

As demais áreas, como asas e os quase inexistentes sidepods, nas laterais do modelo, possuem um acabamento cru, apenas fibra de carbono. Tudo isso é uma tentativa de reduzir o peso do carro – algo que a equipe lutou contra na temporada passada, dentro das novas regras.

“Realmente tentamos diminuir, porque estávamos acima do peso no ano passado”, confirmou o chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff, durante a apresentação do carro. “Portanto, do lado da pintura, nos comprometemos a ganhar as gramas ao deixar o fosco carbono”, admitiu o dirigente.

A preocupação com a balança é uma marca do regulamento que trouxe de volta o conceito do efeito solo à F1. Com a mudança, o peso mínimo dos carros saltou de 752 kg para 798 kg, um ganho aproximado de 6,12%. Algo que já representa 348 kg a mais que um carro da categoria do início da década de 1960, por exemplo.

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Curiosamente, durante a apresentação, Wolff lembrou da razão pela qual a Mercedes ficou conhecida por Flecha de prata. Conta a história que, nos primórdios da marca alemã, mais precisamente em 1934, quando a cor oficial ainda era o branco. Durante uma prova em Eifelrennen, o carro teve sua pintura raspada por ficar 1 kg acima do peso mínimo permitido na prova.

“A história se repete. Agora, o carro tem algumas peças de fibra de carbono crua, com outras pintadas de preto fosco. Quando mudamos a pintura em 2020, a principal razão foi apoiar a causa da diversidade e igualdade, que está sempre em nossos corações. A cor preta se tornou parte do nosso DNA, então estamos felizes que tenha voltado”, acrescentou Wolff.

Vale destacar que um carro de Fórmula 1 demanda, em média, de 1,5 kg a 3 kg de pintura. Já em um carro de passeio, para efeito de comparação, esse peso varia entre 25 kg e 30 kg.

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