‘Hoje, não… hoje, sim’, fim de jejum de Massa e cabeçada de Mansell marcam história do GP da Áustria

O GP da Áustria realiza sua 28ª edição no próximo domingo no Red Bull Ring, em Spielberg. Vários fatos curiosos remetem ao evento, como a cabeçada de Nigel Mansell numa passarela em 1987. Mas nenhum marcou tanto quanto em 2002, quando a Ferrari cobriu de vergonha a F1

Berço dos campeões Jochen Rindt e Niki Lauda, a Áustria realiza neste fim de semana seu 28º GP de F1. Nem de longe é um evento tão longevo quanto ao das vizinhas Alemanha e Itália, já em mais de 60 edições de corrida, uma vez que o GP austríaco foi marcado por interrupções desde sua primeira prova, em 1964. De lá para cá, muitos acontecimentos marcaram sua história, sendo o mais emblemático de todos o ‘Dia da Vergonha’ em 2002.

O enredo é conhecido e está na retina do fã da F1. Em pleno Dia das Mães, depois de largar na pole e liderar todas as voltas daquele GP da Áustria em 12 de maio, Rubens Barrichello tinha tudo para chegar à sua segunda vitória na categoria. Mas uma ordem estúpida e desnecessária vinda da Ferrari levou o brasileiro a abrir mão, quase na linha de chegada, da sua conquista em Spielberg, deixando lentamente Michael Schumacher passar para vencer. Jamais a F1 presenciou vaia tão ensurdecedora quanto àquela.

Mas a história do GP da Áustria também tem alguns fatos positivamente bem marcantes. Além das três conquistas de Alain Prost e as seis da McLaren — a melhor equipe em terras austríacas —, um triunfo brasileiro e a única vitória de uma equipe que hoje brilha nos ovais norte-americanos da Indy e Nascar também fazem parte da história do evento.

A imagem da derrota: Barrichello entrega vitória a Schumacher em Spielberg (Foto: AFP)

O GRANDE PRÊMIO aproveita e relembra alguns dos marcos que fizeram a história do GP da Áustria de F1:

1) FITTIPALDI A UM PASSO DO TÍTULO

O GP da Áustria de 1972 era a nona etapa daquela temporada. Emerson Fittipaldi era o líder do Mundial de Pilotos e tinha três vitórias no campeonato, até que abandonou o GP da Alemanha, em Nürburgring. Sua reação tinha de ser na próxima etapa da disputa, duas semanas depois, em Österreichring, em 13 de agosto.

E o ‘Rato’ cumpriu bem seu papel. Com o mítico Lotus 72D equipado com motor Ford Cosworth e pneus Firestone, o brasileiro teve um grande domingo. Largou na pole-position e, embora tivesse sido superado por Jackie Stewart e Clay Regazzoni, retomou a ponta na volta 24 para não mais perde-la. Ao fim de 54 voltas, Fittipaldi pode comemorar mais uma vitória em 1972, ficando perto da conquista do seu primeiro título, o que seria consumado no GP da Itália, em Monza.

Emerson Fittipaldi comemora vitória no GP da Áustria (Foto: Lotus Cars)

2) DEPOIS DO LUTO, A GLÓRIA

Em 1975, o GP da Áustria foi marcado pela única vitória de Vittorio Brambilla na F1. Mas a corrida teve um capítulo terrível na sua história com a morte do piloto Mark Donohue, que representava a Penske e havia vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 1972. Um ano depois da tragédia, a icônica equipe americana chegava à redenção.

John Watson era o único representante da Penske em Österreichring em 1976. O britânico dividiu a primeira fila da corrida com James Hunt, que largou na pole. Mas não demorou muito para que Watson assumisse a primeira posição e dominasse a prova. Com vantagem de mais de 10s para o segundo lugar, Jacques Laffite, da Ligier, o piloto cruzou a linha de chegada e deu à Penske sua primeira e única vitória na F1. Foi também o único triunfo de uma escuderia norte-americana na categoria. Um dia para a história.

3) BATENDO CABEÇA

O GP da Áustria foi uma das etapas mais conturbadas de 1987. Ainda nos treinos livres, o sueco Stefan Johansson, da McLaren, acabou atropelando um cervo, que morreu na hora. O piloto, no entanto, escapou milagrosamente sem maiores lesões, tendo apenas uma fissura na costela, e foi liberado para a corrida.

A prova precisou de três largadas para seguir em frente. Na primeira largada, vários pilotos se envolveram em um acidente na reta dos boxes. Na segunda, houve um autêntico ‘big one’, restando apenas os destroços de muitos carros. Depois do início de fato da corrida, Nigel Mansell deu as cartas depois de uma largada ruim, conseguiu bater Nelson Piquet e aproveitou a potência do motor Honda da sua Williams para vencer a prova.

No caminho para o pódio, Mansell estava na caçamba da picape junto a Piquet e Teo Fabi, terceiro colocado da corrida com a Benetton. Mas o ‘Leão’ não prestou atenção à aproximação da passarela e levou uma baita pancada na cabeça. Depois de ir ao alto do pódio, Mansell foi entrevistado pelo jornalista Reginaldo Leme enquanto, com uma bolsa de gelo, tentava domar o ‘galo’ proveniente da batida.

Depois desta corrida, o GP da Áustria ficou dez anos longe do calendário, retornando em 1997, no já remodelado circuito de Zeltweg, desenhado por Herman Tilke e rebatizado de A1-Ring.

4) SEM ESSA DE JOGO DE EQUIPE

Bem diferente dos dias de hoje, a McLaren tinha o melhor carro da F1 no fim da década de 90. Mika Häkkinen havia vencido o título em 1998 e partia para o bi no ano seguinte. Seu maior adversário era Michael Schumacher, mas o alemão não correria o GP da Áustria em 1999 em virtude das lesões sofridas no grave acidente em Silverstone. Mika Salo foi seu substituto em A1-Ring.

Assim, o maior oponente de Häkkinen era seu próprio companheiro de equipe, David Coulthard. O escocês largou em segundo, dividindo a primeira fila com Mika, mas decidiu engrossar as coisas para o nórdico ao não aliviar e tentar ultrapassá-lo na Curva 3. Häkkinen também não cedeu. Resultado: ambos se tocaram, com o finlandês levando a pior e caindo para último.

Coulthard assumia a liderança, enquanto Barrichello fazia bela corrida e vencia o duelo com Eddie Irvine, da Ferrari, num ótimo desempenho em Spielberg. Häkkinen buscava reagir ao sair do fundo do pelotão e dava show. O escocês perdeu a ponta devido a um erro da McLaren no reabastecimento, e Irvine, que havia feito a ultrapassagem sobre o brasileiro, conseguiu ganhar a liderança para vencer pela segunda vez naquele ano. Coulthard terminou em segundo e Häkkinen, após grande reação, fechou o pódio.

5) HOJE, NÃO… HOJE, SIM… HOJE, SIM?

As imagens e a narração histórica de Cleber Machado falam por si só. Há pouco mais de 13 anos, a Ferrari protagonizou um dos momentos mais constrangedores da história do esporte e manchou sua trajetória na F1. Com uma ordem de equipe absurda e fora de propósito, Jean Todt, então chefe do time de Maranello, mandou Barrichello abrir passagem para Schumacher vencer o GP da Áustria de 2002.

Contrariado, o brasileiro, que havia mandado no fim de semana em Spielberg, só entregou a vitória para o seu companheiro de equipe restando poucos metros para cruzar a linha de chegada. A reação foi de perplexidade para todos. A essência do esporte, onde o melhor tem de vencer, foi quebrada naquele 12 de maio. O público, enfurecido, vaiou Barrichello e Schumacher desde o fim da corrida até a patética cerimônia do pódio.

Ao som do hino alemão, Schumacher colocou o brasileiro no alto do pódio e lhe entregou o troféu de vencedor da corrida. Depois da sonora vaia, a dupla da Ferrari teve de encarar a entrevista coletiva com os três melhores da prova. Visivelmente constrangido, Barrichello tentava se justificar: “Foi uma ordem da equipe”. Detalhe: Schumacher, que já tinha larga vantagem na liderança do campeonato, viria a ser pentacampeão com seis provas de antecipação, no GP da França.

6) FIM DA SECA

O épico GP do Brasil de 2008, aquele que Felipe Massa venceu e foi campeão mundial por pouco mais de 30s, também teve o então piloto da Ferrari na pole-position. Desde então, foram longos anos sem que o brasileiro tivesse a chance de largar na posição de honra do grid. Tudo mudou no GP da Áustria de 2014, ano que marcou o retorno do circuito de Spielberg, rebatizado de Red Bull Ring, ao calendário do Mundial.

Massa comemora pole-position conquistada no GP da Áustria de 2014 (Foto: Getty Images)

Foi um ano especial para a Williams, que tornou-se a segunda força da F1 graças à potência e confiabilidade do motor Mercedes. E foi graças ao propulsor da montadora alemã que Massa alcançou uma dupla proeza. Além de quebrar a seca de 102 GPs, quase seis anos, Felipe encerrou uma hegemonia da Mercedes na ponta do grid. Até hoje, apenas o brasileiro conseguiu finalizar a supremacia da equipe alemã, que largou na frente em todas as corridas desta nova era turbo. Com exceção do GP da Áustria daquele ano. Mas no fim das contas, o time prateado levou a melhor com Nico Rosberg vencendo a prova. Massa terminou apenas em quarto lugar.

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