In loco: Hamilton surge ‘tranquilão’ e em compasso de espera. Vettel acusa ‘trauma da primeira volta’

A F1 chegou ao México para antepenúltima etapa da temporada 2018 ainda com o título em aberto. Mas a vantagem de Lewis Hamilton é tão larga que um simples sétimo lugar já vai lhe garantir a quinta taça do mundo, por isso o inglês surgiu calmo e sereno no Hermano Rodríguez, enquanto o rival Sebastian Vettel ainda se vê às voltas com os erros recentes na temporada

A F1 desembarcou na Cidade do México em meio a alebrijes, um paddock vibrante e com a expectativa de mais um título sair por aqui. Não à toa a etapa no Hermanos Rodríguez vira e mexe vence a eleição de melhor GP do ano. A verdade é que os mexicanos respiram a máxima categoria do esporte a motor e transformam o autódromo em uma grande festa. Desde as primeiras horas desta quinta-feira (25), dia dedicado à imprensa, muitos fãs se espalhavam pelo parque abriga a pista e tentavam uma foto ou um autógrafo com os pilotos. E foi diante desse cenário que surgiu um Lewis Hamilton com a serenidade de quem sabe que está muito perto de uma nova consagração do esporte que escolheu para si.
 
Hamilton se colocou diante de uma sala lotada para falar sobre as expectativas do quinto título mundial e do que pensa sobre o esporte e a vida. O tetracampeão deixou transparecer a vontade de, desta vez, levar o título com uma vitória – no ano passado, a taça veio depois de um nono lugar em uma corrida confusa e marcada por um toque logo na largada. “Cada título foi diferente a sua maneira. Claro que, no primeiro, não me senti tão bem por não ganhar a corrida, mas me senti maravilhoso por vencer o título. Depois conquistei vencendo a corrida, e isso é um bônus para coroar o ano. Esse é meu objetivo. Cada título é especial de sua maneira”, afirmou o inglês, lembrando a intensa batalha que viveu com Felipe Massa na longínqua temporada 2008. 
 
Mas tem algo que incomoda Lewis. Apesar das belas exibições que apresentou neste ano, como em Monza e Singapura, ou as classificações com chuva, o britânico sente que, muitas vezes, a crítica deu pouca importância aos seus feitos e da Mercedes. “Vejo muitas pessoas escrevendo sobre como o título estaria sendo dado de bandeja para a Mercedes, o que tira o mérito de todo o trabalho que eu e a equipe fizemos”, completou o inglês, para em seguida celebrar o fato de ter o trabalho reconhecido pelo maior rival. 
Lewis Hamilton (Foto: AFP)

“Acho que ouvir de um tetracampeão do mundo que quem tiver mais pontos no fim é merecedor é positivo. (Sebastian) Vettel tem sido um grande adversário nesta temporada, tem sido difícil para ambos. Espero correr contra ele por muitos anos ainda, e sempre no topo.”

 
O piloto da Mercedes, então, também admitiu que o adversário atravessou fases piores ao longo da temporada. “Se você está para trás na pontuação, você precisa se recuperar e atacar. Se não, você não ataca. Vettel teve uma punição, ele teve de correr riscos que eu não precisei.  Os riscos que eu tive de tomar não foram tão grandes quanto os de Sebastian”, reconheceu.
 
E falando no ferrarista, Seb também teve seu dia de sabatina. Mas bem menos amistosa, digamos assim, do que seu oponente. Uma vez mais, o alemão foi questionado sobre seus erros recentes. O tetracampeão ainda não se convenceu de que tudo pode ser colocado em sua conta, embora tenha acusado o golpe diante da performance de Hamilton. Aos jornalistas, chegou a dizer que alguns dos incidentes em largadas que viveu neste ano podem ter relação com aerodinâmica e não simplesmente um erro do piloto.
 
“Quanto mais perto você está de outro carro, acho que você perde um pouco de downforce, e as rodadas que tive foram bem estranhas, porque não havia muito o que pudesse fazer. Não era como se estivesse rápido demais ou rodado sozinho. Acho que foi o buraco deixado pelo downforce dos outros carros. Nas três ocasiões, eu não estava claramente à frente, na melhor das situações estava do lado, então, como eu disse, talvez eu deva tentar ir por fora”, explicou o #5.
 
É claro que as respostas do alemão acabaram também levando a novas críticas da imprensa, especialmente da italiana.
Sebastian Vettel (Foto: Ferrari)
O dia também teve Fernando Alonso. O espanhol, que se despede da F1 no fim desta temporada, voltou a falar que a saída do Mundial nada tem a ver com o momento pouco competitivo da categoria. O bicampeão entende que já fez tudo que tinha de fazer, que seu ciclo está se fechando, embora não descarte um retorno em 2020. "Não estou deixando a F1 porque não tenho um carro competitivo. estou deixando porque já fiz tudo que tinha de fazer", disse.
 
"Cheguei aqui, ganhei corridas, ganhei campeonatos, bati recordes, pilotei pela Renault, McLaren, Ferrari. Tenho 37 anos e não posso fazer mais que isso na F1", emendou.
 
O primeiro dia de atividades
 
A sexta-feira de treinos livres deve ser um pouco diferente desta quinta. A previsão do tempo aponta 80% de chuva e temperaturas mais amenas. Se se confirmar, será um pouco como em Austin. Mas se as atividades forem realizadas com piso seco, os carros vão à pista com configurações parecidas com as de Monza, ou seja, pouca pressão aerodinâmica, aproveitando a grande reta e a altitude da Cidade do México.
 
Nestas condições, a Ferrari pode se apresentar da mesma forma competitiva de Austin, uma vez que possui uma impressionante velocidade de reta. A Red Bull, por sua vez, também vem otimista, uma vez que entende que a etapa do México pode ser sua última chance de vencer em 2018. A primeira sessão está marcada para as 12h (de Brasília). 
GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ o GP do México de F1 neste fim de semana com a repórter Evelyn Guimarães.
 
E o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece este ano nos dias 9, 10 e 11 de novembro, no autódromo de Interlagos. Os ingressos para a corrida estão disponíveis no único site oficial do evento: www.gpbrasil.com.br.

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