Intérprete de Lauda no cinema, Daniel Brühl é confundido com piloto e acaba dirigindo táxi na Argentina

A carreira do ator Daniel Brühl, intérprete de Niki Lauda no filme 'Rush', avançou ainda mais depois do filme que contou uma das grandes histórias do automobilismo. Respeitado na Europa, Brühl se tornou um dos mais requisitados também nos Estados Unidos Mas é o papel de Lauda que ainda rende as melhores histórias. Na Argentina, o ator foi confundido com Lauda por um taxista. Resultado? Teve de dirigir o táxi

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Fade in. Clay Regazzoni dirige sua Ferrari de estimação para uma festa em algum lugar na Itália. No banco do passageiro, Niki Lauda, meio a contragosto, mas levado pelo companheiro. Irritantemente confiante, Lauda enerva Regazzoni. Quando os dois chegam, o veterano entra na festa e Lauda decide ir embora. Só que, sem carro, precisa de um plano.
 

Aproveita, então, a oportunidade que vê ao avistar uma mulher deixando a mansão às pressas e irritada. Pede e ganha carona. Durante a viagem — com aquela que seria sua esposa —, no meio da estrada, o motor começa a esfumaçar e o carro para. Ambos conseguem uma carona. Não pela bela moça, mas porque os dois amigos que os resgataram conheciam o piloto da Ferrari. Os dois são carregados com uma condição: a que Lauda dirija o carro, afinal não é todo dia que uma pessoa comum pode ceder seu carro às mãos de um piloto da F1. Fade out.
 
A sequência descrita é uma das mais engraçadas do excelente filme 'Rush', que retrata a rivalidade histórica e a disputa de contornos dramáticos entre Lauda e James Hunt durante a temporada 1976 do Mundial de F1.
 
Não é incomum na dramaturgia — especialmente na TV e no cinema —, que os atores acabem sendo relacionados a personagens que interpretam, especialmente em roteiros biográficos.
O Lauda da ficção e o da vida real na première de "Rush – No Limite da Emoção" (Mathis Wienand/Getty Images)

Nessa onda, o ator alemão Daniel Brühl viveu uma situação inusitada em uma viagem à Argentina, onde estava gravando o filme ainda não lançado "Colonia". Em entrevista à revista 'The New Review', Brühl contou que chegou ao aeroporto e entrou num táxi. Assustado, o taxista olhou pelo retrovisor e um diálogo cômico se instalou.

 
— O sr. é Niki Lauda? — perguntou o motorista.
 
— Bem, não, mas eu o interpretei num filme — respondeu Brühl.
 
Não satisfeito, o motorista replicou:

— Você pode dirigir meu carro, por favor?
 

— Por favor, não faça isso comigo", implorou Brühl, mas não adiantou. O ator completou dizendo que "o tráfego era louco — sem semáforos, cinco pistas. Anarquia! Era um carro de merda, mas eu fiz. Dirigi até meu destino", contou.
 
Brühl foi muito elogiado por captar trejeitos e o sotaque de Lauda. Por esse motivo, acabou indicado ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em filme dramático. Também foi incluído nas listas do SAG Awards e do BAFTA, mas ignorado no Oscar, algo bem criticado à época. O grande vencedor na categoria de Brühl na oportunidade foi o ator e cantor Jared Leto, pelo filme 'O Clube de Compras de Dallas'.
 
O intérprete do três vezes campeão mundial tem uma carreira premiada e respeitada, com filmes como 'Adeus, Lênin!', 'Bastardos Inglórios' e 'O Quinto Poder' no cartel. Em 'Colonia', o longa que filmava na Argentina, terá Emma Watson (franquia 'Harry Potter') como sua esposa, retratando um casal alemão que vivia no Chile durante a ditadura sangrenta de Pinochet.

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