Inusitada pole da Mercedes reforça equilíbrio da F1 e abre disputa no GP do Canadá

George Russell é o dono da pole do GP do Canadá em um dia de marca histórica. Pela primeira vez, desde 1997, a Fórmula 1 vê um empate de tempo na primeira colocação do grid. O inglês da Mercedes vai dividir a fila de honra com Max Verstappen, que, de novo, precisou tirar mais do carro da Red Bull. Enquanto isso, a McLaren se coloca como ameaça logo atrás, abrindo a briga pela vitória em Montreal

A Fórmula 1 sequer precisou da chuva para acompanhar uma das melhores sessões de classificação da temporada 2024. A definição do grid de largada do GP do Canadá escancarou o equilíbrio vivido pelo campeonato neste momento e a prova é essa inusitada Mercedes, que, de repente, surgiu forte e capaz de encarar não só a Red Bull de Max Verstappen, mas também a McLaren e a Ferrari. E George Russell soube como aproveitar o acerto do W15 para cravar a pole-position, a segunda da carreira, e ainda contou com um elemento dramático: no fim, o dono do carro #1 foi capaz de virar o mesmíssimo tempo, 1min12s000, lembrando a icônica marca do GP da Europa de 1997.

É preciso falar da Mercedes. Desde a sexta-feira, a equipe alemã parecia ter encontrado algo a mais nas novidades que levou para o Canadá. Russell foi imediatamente rápido, enquanto Lewis Hamilton reforçou a performance ao liderar o TL3. E ambos se apresentaram de maneira muito forte ao longo da classificação. O time entendeu parte de seus problemas e usou o sábado para aprimorar as atualizações levadas, especialmente na dianteira, com uma nova asa e suspensão, além de um trabalho maior com relação aos dutos de freios. O resultado é um carro mais equilibrado e menos arisco em curvas.

“Trouxemos muitas peças novas nas últimas corridas. Montreal também é sempre uma pista especial, com muitas curvas de velocidade média e asfalto novo. Uma andorinha não faz verão, eu diria. Mas estamos felizes por hoje”, sorriu o chefão Toto Wolff.

Outro detalhe é que a Mercedes exibiu um ritmo significativo tanto em pista seca quanto em molhada, e isso por si só já é um enorme passo à frente. Na classificação, Russell e Hamilton se alternaram nas posições principais e chegaram a andar na casa de 1min11s na fase intermediária da sessão, ratificando a performance. No entanto, no trecho decisivo da disputa, apenas George foi capaz de brigar pelo primeiro lugar — Hamilton alegou dificuldades com a aderência para o discreto sétimo posto. É claro que ficou um gosto agridoce pelo tempo idêntico, mas é muito simbólico também o fato de a esquadra enfim alcançar os taurinos.

“O carro esteve muito rápido neste fim de semana”, disse o pole-position. “Minha primeira volta com pneus usados ​​no Q3 foi muito forte. Na verdade, pensei que poderia ser 0s4 mais rápido com pneus novos. Mas, de alguma forma, não deu certo. Não parecia certo. Felizmente, a primeira volta foi boa o suficiente”, completou George, que tentou explicar o salto de desempenho da Mercedes.

“A equipe fez um trabalho incrível trazendo todas essas atualizações e, finalmente, tudo isso está se traduzindo em resultados. Esta última atualização que trouxemos foi uma pequena mudança, mas está trazendo mais desempenho do que esperávamos inicialmente. Então, estamos seguindo nessa direção agora. Não ficaremos eufóricos e vamos ver o que acontece.”

Por isso, Russell vê a Mercedes na luta pela vitória — e está certo. “Não vejo razão para não conseguir briga pela vitória. Tivemos o carro mais rápido neste fim de semana, mas há muitas incógnitas. Não tivemos nenhum treino real para entender como está o desgaste de pneus, por exemplo. Então, teremos um jogo longo pela frente e que será difícil, porque é preciso manter a liderança, cuidar dos pneus, mas também manter um ritmo suficiente para ter um pouco de proteção.”

A noção de proteção tem uma razão: Verstappen. Depois de sofrer com uma falha na parte híbrida da unidade de potência, o tricampeão tratou de tirar o atraso do dia anterior e tentou retomar a liderança na F1. Mas ficou claro que a Red Bull já não tem mais o mesmo domínio de antes. Max precisou trabalhar muito para colocar o RB20 na segunda posição do grid. E apesar dos perrengues dos treinos livres, o neerlandês costuma crescer em ritmo de corrida, e isso não pode jamais sair do radar dos rivais.

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George Russell e Max Verstappen cravam o tempo tempo na classificação deste sábado no Canadá: 1min12s000 (Foto: Mercedes/LAT Images)

“O fim de semana tem sido um pouco complicado para nós, mas se alguém me oferecesse o segundo lugar diante de tudo aqui, eu aceitaria. Definitivamente, aceitaria. Então, estar tão próximo no fim torna tudo muito interessante para amanhã também por conta dos pneus e da previsão do tempo”, afirmou o líder do campeonato. De fato, a marca idêntica revela muito do equilíbrio atual na ponta da tabela.

Os pneus realmente devem desempenhar um papel decisivo, uma vez que não há clareza quanto ao desgaste. O treino livre 3 pouco falou sobre o comportamento dos compostos da Pirell, enquanto as duas primeiras sessões foram nulas por causa da chuva, que não está completamente fora de questão neste domingo.

E há ainda um outro elemento para a disputa em Montreal: a McLaren. A equipe laranja continua muito forte e a prova é a posição de Lando Norris e Oscar Piastri na segunda fila. Norris foi quem chegou mais perto: o britânico cravou 1min12s021 e ficou apenas 0s021 atrás de Russell, garantindo a terceira posição no grid. Piastri, por sua vez, também foi bem, mas viu a diferença para o ponteiro ser ligeiramente maior — 0s103 — e terá de largar em quarto, logo ao lado de seu colega. Não há muita dúvida sobre o fato de que o time vai partir para uma luta apertada a partir da largada.

Embora a disputa pelo triunfo no Gilles Villeneuve pareça muito focada entre os carros das duas primeiras filas do grid, não dá para deixar de fora nomes como os de Fernando Alonso e Hamilton — 6º e 7º, respectivamente —, além da Ferrari, ainda que a recuperação italiana seja mais complexa por conta da queda no Q2. Mesmo assim, o ritmo de corrida deve contar uma história um pouco diferente.

O GP do Canadá tende a ser uma corrida de duas paradas, em condições normais. E o ponto central será o uso dos pneus duros. Não à toa, sete equipes do grid reservaram dois jogos deste composto para a prova. Ainda, é possível pensar em um pit-stop só, mas será apertado em um cenário sem grandes dramas. A posição de pista será crucial também. Agora, se a chuva se fizer presente, vira uma loteria.

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