Kubica mantém dedos cruzados na torcida por Schumacher e alerta para “jogo duro” da imprensa

O experiente Robert Kubica afirmou que a recuperação de Michael Schumacher passa também pela mídia, que faz um jogo duro para descobrir as informações do heptacampeão em Grénoble

 
Robert Kubica sabe bem o que é viver perigosamente e ficar à beira da morte. O polonês, que ainda não está 100% para competir na F1 pelas limitações impostas pelo maior dos acidentes que sofreu na carreira em fevereiro de 2011, foi mais um a expressar sua torcida para a pronta recuperação de Michael Schumacher, mas alertou principalmente para o papel que a mídia pode desempenhar no caso do heptacampeão, que caiu esquiando nos Alpes Franceses no último domingo.
 
Dias atrás, um jornalista vestido de padre tentou invadir a sala de cirurgia do Centro Hospitalar Universitário de Grénoble, na França, onde Schumacher encontra-se internado em estado de coma induzido e crítico. “Estive uma situação similar e sei como a imprensa pode fazer um jogo duro por um tempo bem difícil para ele, sua família e amigos próximos”, declarou Kubica neste sábado (4). “Para todo o automobilismo, certeza que não foi o fim de ano mais fácil nem o começo de ano.”
 
Kubica filosofou, disse que o acidente mostra que “tudo pode acontecer a cada dia” e que é natural as pessoas começaram a questionar a razão de os pilotos insistirem em seus hobbies. “Muitos perguntavam por que estou fazendo isso e que eu não deveria guiar. Mas quando você gosta de fazer algo, é normal que queira fazer. Você pode facilmente esquiar, e muitas coisas podem acontecer”, falou o piloto. “Desejo a ele o melhor e vou manter meus dedos cruzados para que ele se recupere e tudo fique bem.”
Robert Kubica (Foto: Citroën)
Colecionador de acidentes nas várias categorias em que passou, Kubica sofreu as consequências piores no Rali Ronde di Andora, na Itália, há pouco menos de três anos. O polonês guiava um Skoda e perdeu o controle em alta velocidade em uma estrada, batendo numa igreja. As ferragens impediram que o resgate fosse pronto, e Kubica sofreu traumatismos múltiplos, sobretudo em seu braço direito. Durante muito tempo, Robert ficou internado e até hoje seus movimentos são limitados, impedindo-o de retornar à F1.
 
Depois de competir na classe WRC2 do Mundial de Rali no ano passado, Kubica assinou com a Ford para entrar em definitivo na série principal do WRC nesta temporada.

A situação de Schumacher permanece a mesma dos últimos dias, sem que haja atualização de seu estado por parte do CHU ou de sua assessoria de imprensa. A última informação vinda de alguém próximo ao heptacampeão foi a de Philippe Streiff, que fez uma visita nesta sexta ao hospital, e disse que Michael pode ficar paralisado totalmente e ter a fala afetada.

icon_foto As imagens da recuperação de Michael Schumacher na França
DIA 1
29/12
DOM

 
Michael Schumacher esquiava na estação de Méribel, nos Alpes, quando caiu e bateu a cabeça em uma pedra em um trecho fora da área demarcada pouco depois das 11h locais (8h de Brasília). Ele foi rapidamente resgatado e levado para um hospital em Moûtiers. De lá, foi transferido para o Centro Hospitalar Universitário de Grénoble, referência neste tipo de acidente. As primeiras informações davam conta de que Schumacher não contraíra grandes lesões, mas, no início da noite, foram confirmados traumatismo craniano grave, hemorragia cerebral e coma artificial. Piloto foi submetido a cirurgia assim que chegou ao CHU.
DIA 2
30/12
SEG
Em uma coletiva realizada pela manhã, os médicos confirmaram que a situação de Michael Schumacher é crítica. À noite, o alemão apresentou uma pequena melhora que abriu uma "janela de oportunidade" para uma segunda cirurgia. Essa operação foi para remover um hematoma que estava do lado esquerdo do cérebro.
DIA 3
31/12
TER

 
Em nova conferência de imprensa, o corpo médico do CHU de Grénoble explicou que a decisão de operar novamente o heptacampeão, por causa dos riscos, foi tomada em conjunto com a família. Porta-voz de Schumacher, Sabine Kehm revelou que um jornalista vestido de padre tentou invadir a sala de cirurgia durante o procedimento.
DIA 4
1/1
QUA

 
A virada de ano de Schumacher contou com a presença da família, que o envolveu com alguns amuletos. Do lado de fora, jornalistas e poucos fãs aguardavam por notícias em noite gelada. Pela manhã, Sabine Kehm falou no lugar dos médicos e afirmou que a condição do piloto era estável: nem melhorara, nem piorara.
DIA 5
2/1
QUI
Novamente, não aconteceu coletiva de imprensa com os médicos. A porta-voz Sabine Kehm decidiu cancelar os boletins diários "ao menos enquanto não houver mudanças".
DIA 6
3/1
SEX
Como antes, nem o CHU nem a assessoria de imprensa soltaram comunicado a respeito do estado de saúde de Schumacher no dia em que completou 45 anos. A única informação surgida foi a de Philippe Streiff, que visitou o heptacampeão e falou com seu médico: a possibilidade de Michael ficar totalmente paralisado e ter a fala afetada. Do lado de fora, fãs fizeram uma vigília.

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