Mekies devolve confiança e paciência à Red Bull. E Verstappen respira antes de 2026
Enquanto Christian Horner ainda era o chefe, a Red Bull parecia ter um clima pesado e de pressão constante nos bastidores, em especial pelo imediatismo. A necessidade de mostrar a Max Verstappen que era uma boa ideia ficar em Milton Keynes sugou a alma da equipe em um ano já de baixa. A chegada do calmo Laurent Mekies, porém, devolveu serenidade e paciência ao time, que respira mais aliviado e, dentro do possível, se encontra em 2025
Max Verstappen conquistou a terceira vitória na temporada 2025 no último fim de semana, mas o triunfo em Monza teve um gosto mais especial. Com 19s de vantagem sobre Lando Norris, o domínio do carro #1 da Red Bull remeteu aos dias avassaladores de 2022 a 2024. É verdade que a confusão estratégica e a patacoada da McLaren ajudaram a ampliar essa diferença, mas nada tira o caráter de redenção dessa vitória para o tetracampeão e para a equipe austríaca.
A Red Bull iniciou 2025 exatamente como terminou 2024: em queda livre, sem evolução e praticamente com apenas um piloto no elenco. Sergio Pérez não deu conta do recado e acabou dispensado ao fim da última temporada. Liam Lawson, chamado como substituto, conseguiu piorar a situação e durou apenas duas corridas ao lado de Verstappen.
A solução emergencial foi Yuki Tsunoda. Ainda que as expectativas fossem mínimas, o japonês mostrou alguma melhora em relação à breve passagem de Lawson — em comparação um tanto quanto injusta dada a amostragem. Mesmo assim, o rendimento não convenceu a ponto de imaginarmos uma permanência em 2026.
Com essa questão ainda em aberto e o carro aquém do necessário para defender o tetracampeonato de Verstappen, a Mercedes se mostrou disposta a tudo — inclusive abrir mão de um ótimo George Russell — para seduzir o neerlandês. Com isso, a Red Bull se viu pressionada contra a parede. Era uma bomba-relógio pronta para explodir na garagem de Milton Keynes.

E, como para desarmar qualquer bomba-relógio, bastava cortar o fio certo. A demissão de Christian Horner, figura histórica e essencial nas conquistas da equipe ao longo dos 20 anos anteriores, foi justamente o fio vermelho da vez. Um movimento impensável até pouco tempo, mas que devolveu um pouco de paz à escuderia em 2025.
A saída de Horner trouxe calma a Verstappen, que também viu a cláusula contratual ser fechada durante o recesso de verão e fez as pazes com a realidade. Ao mesmo tempo, a gestão passou para as mãos de Laurent Mekies, personagem bem mais discreto e sereno.
Era disso que a Red Bull precisava: serenidade para reconstruir. Em apenas quatro etapas, já se nota um Tsunoda mais leve — ainda que pouco motivado ou desenvolvido — e um Verstappen novamente animado com o futuro e com a direção que Mekies está impondo. A pressão pelo imediatismo parece, ao menos por enquanto, ter ficado para trás.
Aos poucos, as peças começam a se encaixar. Na base da marra em seu GP de casa, Verstappen foi segundo colocado, embora distante da McLaren. O cenário, porém, mudou em Monza. O domínio em baixa pressão aerodinâmica trouxe de volta o Verstappen avassalador dos anos anteriores.

A questão é: trata-se apenas de um respiro momentâneo ou a maré voltará a sorrir com mais frequência para o tetracampeão em 2025 e além? Ao que tudo indica, a Red Bull compreendeu o próprio papel nesta temporada: é uma equipe competitiva em pistas rápidas e fluidas, mas vulnerável em circuitos mais travados — como mostrou o nono lugar na Hungria, ainda que Zandvoort tenha sinalizado alguma consistência.
A tendência, então, é de um restante de temporada irregular, com Verstappen afastado da luta pelo título, mas novamente presente na disputa por vitórias pontuais em circuitos favoráveis ao RB21. E a próxima etapa, nas ruas de Baku, conta com uma reta de 2,2 km que potencializa justamente os pontos fortes do carro austríaco e pode dar ao neerlandês a chance de conquistar um terceiro pódio em sequência, algo que ainda não aconteceu no ano, ou até uma segunda vitória consecutiva.
No fim das contas, os sinais positivos pós-Horner não representam ainda a cura definitiva, mas um estancamento da ferida aberta desde 2024. A verdadeira batalha será em 2026: novo regulamento, nova parceria de motores com a Ford e uma Mercedes que já desponta como favorita. Até lá, a Red Bull caminha entre altos e baixos, tentando garantir que cada lampejo de competitividade em 2025 sirva como base e motivação para não perder de vez seu protagonista.
A Fórmula 1 retorna de 19 a 21 de setembro com o GP do Azerbaijão, 17ª etapa da temporada 2025.
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