Hamilton entende Naomi Osaka e relembra início de carreira: “Fui jogado em um fosso”
Lewis Hamilton voltou a defender a tenista japonesa Naomi Osaka, e explicou que já passou por situações parecidas por conta da alta pressão dos holofotes e o assédio midiático
Lewis Hamilton voltou a falar sobre a tenista japonesa Naomi Osaka e abordou as questões midiáticas e de holofotes em cima de atletas jovens no esporte. O piloto da Mercedes, atualmente em segundo lugar no Mundial de Fórmula 1, foi perguntado sobre o tema durante a coletiva de imprensa do GP do Azerbaijão, realizada na quinta-feira (3).
Osaka chamou atenção durante a semana por anunciar a desistência de sua participação no Torneio de Roland Garros, por motivos de depressão e ansiedade. A tenista japonesa, assim como Hamilton, também utiliza a plataforma esportiva para promover ativismo em defesa da igualdade racial.
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“Eu acho ela uma incrível atleta e ser humano. O ativismo dela é tão impactante, e com pouca idade, existe muito peso para carregar nos ombros. É inevitável que, quando novo, as pessoas te jogam no centro das atenções e nos holofotes, e isso pesa muito. Provavelmente a maioria de nós não está preparado”, disse Hamilton.
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“Lembro que quando entrei na F1, a equipe tinha um time de relações públicas. Eu nunca estive preparado para estar à frente das câmeras, nunca fui guiado para navegar sob aquilo. Então você aprende com os erros, e é incrivelmente estressante, especialmente quando você tem boas intenções e as pessoas se aproveitam disso”, seguiu.
Antes da desistência, Osaka recebeu críticas por anunciar que não participaria de entrevistas durante o Torneio de Roland Garros, também citando problemas de saúde mental. A organização da competição puniu Naomi por não comparecer na coletiva de imprensa após a vitória sobre a romena Patricia Maria Tig, o que foi a gota d’água para a tenista nº2 do ranking da WTA desistir da participação.

“Eu aprendi da forma difícil e cometi vários erros, que ainda cometo. Pode ser assustador ficar parado na frente de uma câmera. Não é fácil, especialmente quando você é introvertido e tem dificuldades com essas pressões. Alguns ficam mais desconfortáveis que outros. Aprendi com meu tempo aqui, e continuo tentando aprender a engajar. Mas como disse, quando eu era novo, fui jogado em um fosso e não tive orientação ou ajuda. O que sei é que os jovens vão encarar as mesmas coisas que encarei, e não sei se isso é o melhor para eles”, seguiu.
Hamilton passou por uma situação semelhante em 2016, quando abandonou a coletiva do GP do Japão sem responder perguntas. O campeão pediu mais atenção com a saúde mental de jovens atletas.
“Acho que precisamos apoiar mais. Não deveria ser o caso de pressão. Existem cenários como os da Naomi, onde ela não se sentia confortável pela própria saúde a fazer algo, e o retorno negativo foi ridículo. As pessoas não levam em conta que ela é um ser humano, e se ela diz que não está bem o suficiente para fazer aquilo agora. Eu acho que isso precisa ser analisado, e de como as pessoas deveriam reagir a isso, e dar mais apoio a ela”, concluiu.

