Hamilton e Verstappen estão em outro nível, mas Bottas e Pérez ainda serão decisivos

Lewis Hamilton e Max Verstappen são os únicos candidatos reais ao título. Esse caneco terá dono definido por uma série de fatores, incluindo também qual dos dois escudeiros, Valtteri Bottas ou Sergio Pérez, será capaz de fazer trabalho melhor

Assista aos melhores momentos do GP da Emília-Romanha de F1 (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Lewis Hamilton e Max Verstappen estão claramente em um nível próprio na Fórmula 1. Os pilotos competiram de igual para igual nas duas primeiras corridas do ano, com cada um levando uma vitória. Há um destaque enorme para os dois, combinado com uma empolgação do público frente a uma aparente briga de verdade pelo Mundial de Pilotos. Trata-se de uma briga que tem muito a ver com os talentos dos dois, mas que conta também com uma série de outros fatores. Dentre eles: os escudeiros de cada um, Valtteri Bottas e Sergio Pérez.

Importante dizer de antemão que, não, Bottas e Pérez não têm chances realísticas de título. Os dois já perderam pontos importantes nos primeiros GPs e, apesar de certamente alimentarem alguma esperança de volta por cima, já devem ter em mente que Mercedes e Red Bull não vão pensar duas vezes antes de aplicar ordens de equipe, se necessário for. Todo mundo gosta de prometer briga aberta entre os pilotos, mas só até o momento em que o Mundial, tanto de Pilotos quanto de Construtores, fica em risco.

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VALTTERI BOTTAS; GP DA EMÍLIA-ROMANHA; ÍMOLA; MERCEDES; F1
A Mercedes vai depender muito de Valtteri Bottas ao longo de 2021 (Foto: Steve Etherington/Mercedes)

O problema é: um piloto precisa estar em posição de ajudar para que uma ordem de equipe seja aplicada. Não havia, por exemplo, nada que a Mercedes pudesse fazer com Bottas em Ímola. O finlandês lutava para seguir na zona de pontos, isso enquanto Hamilton colocava pressão em Verstappen. A história foi outra quando, no GP da Rússia de 2018, Valtteri liderava e deixou Lewis passar, um ato que diminuiu ainda mais qualquer chance de reação da parte de Sebastian Vettel naquela temporada.

Essas ajudas ficam mais claras através das ordens de equipe, mas podem acontecer de outras formas também. No caso de apenas Pérez se classificando mal, viram duas Mercedes contra uma Red Bull lá na frente. Os prateados teriam a chance de dividir estratégia para pegar Verstappen no contrapé, tomando posição e controlando a corrida. Isso é muito mais difícil como todo mundo nas primeiras posições, já que dois contra dois implica em estratégias se anulando mais facilmente.

A lição que fica é que um escudeiro só pode ajudar o companheiro se puder ajudar a si mesmo. Bottas e Pérez, apesar de serem talentosos e terem carros de ponta, não mostram garantias de que sempre estarão na melhor das posições.

Valtteri voltou a murchar e não encaixa uma corrida propriamente boa desde a vitória na GP da Rússia de 2020, nove corridas atrás. A possibilidade cada vez maior de perder a vaga na Mercedes, aliadas às frequentes derrotas contra Hamilton, parecem deixar o #77 tão em baixa quanto na tenebrosa temporada 2018. Sergio, por sua vez, ainda não está muito confortável com a Red Bull, carro de características bem diferentes das da Racing Point, com quem até mesmo venceu corrida. Os erros em Ímola falam por si.

Pérez ainda não teve bom fim de semana completo. Pois vai precisar (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Um elemento importante na briga pelo título passa a ser, pois, qual dos dois vai sair do momento ruim mais cedo. A resposta para essa pergunta tende a ser Pérez, que precisa apenas de tempo para no mínimo superar o nível de desempenho apresentado por Pierre Gasly em 2019 e Alexander Albon em 2020. Bottas, por sua vez, tem problemas que vão além do tempo, que já teve de sobra. É evidente que o finlandês vai seguir visitando o pódio com alguma frequência, mas as performances erráticas e frequentemente medíocres não combinam com um piloto que precisa estar tão perto de Hamilton quanto possível. Ainda é possível que Valtteri seja o grande aliado visto no passado, principalmente em 2017, mas o cenário de momento não é exatamente dos mais promissores.

É claro que um companheiro forte representa também uma ameaça. A Red Bull sabe bem disso, dado o auê que foi a relação entre Sebastian Vettel e Mark Webber em 2010. Só que esse não parece ser o caso agora: Bottas e Pérez sabem que o caminho para conseguir contrato renovado para 2022 não é através de conflitos com Hamilton e Verstappen. Mercedes e Red Bull não são mais forças dominantes, não a ponto de jogar pontos fora pelo luxo de ter pilotos em pé de guerra. Podendo vencer uma corrida que outra, tanto o finlandês quanto o mexicano vão poder se orgulhar de cumprir seus papeis na temporada.

A Fórmula 1 retorna em pouco menos de duas semanas para encarar o GP de Portugal. Hamilton e Verstappen vão dominar as manchetes, e assim merecem. Mas fique de olho: o conflito particular entre os escudeiros, Bottas e Pérez, também dirá muito sobre o que veremos nos próximos meses.

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