Massa vê “grande possibilidade” de Brasil ficar sem piloto na F1 e critica CBA por falta de apoio às categorias de base

Felipe Massa entende que há uma grande chance de o Brasil não estar representado no grid do Mundial de F1 no ano que vem e considerou a situação bastante triste. O veterano, que se despede da categoria neste mês de novembro, criticou a Confederação Brasileira de Automobilismo pela falta de investimento nas categorias de base e lembrou que teve de encerrar a F-Futuro, por ele criada, por falta de apoio

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O Brasil tem grande possibilidade de não ter um piloto no grid do Mundial de F1 no ano que vem. Quem diz é Felipe Massa, entristecido com a perspectiva sombria que assombra o automobilismo brasileiro, que desde 1970 se faz presente com pelo menos um piloto na principal categoria do esporte a motor mundial. Em entrevista ao programa ‘Bem, Amigos’, ancorado pelo narrador Galvão Bueno, no SporTV, Massa criticou a falta de investimento da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) nas categorias de base. Hoje, por exemplo, a F3 Brasil conta a Vicar, empresa que promove e organiza o certame, para sobreviver.
 
No momento, Felipe Nasr, atualmente na Sauber, negocia para encontrar uma vaga para correr em 2017, mas ainda não tem seu futuro definido. Com a aposentadoria de Massa, Nasr tende a ser o único brasileiro do grid, porém ainda precisa definir em qual equipe vai correr. Caso Felipe não consiga uma vaga, o país dono de oito títulos mundiais com lendas como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna não terá representantes no topo do esporte a motor no ano que vem.

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Felipe Massa também enxerga futuro sombrio para o automobilismo brasileiro na F1 (Foto: Williams)
“Tem grande possibilidade”, disse Massa. “Quantas vezes eu vim aqui e falamos do automobilismo brasileiro. Categoria de base… E faz tempo que não existe uma categoria para ensinar os pilotos. Sair do kart, aprender e chegar lá fora pronto para competir em alto nível. Quando corria na Europa, a maioria das categorias tinha brasileiro disputando o campeonato. E hoje em dia, é difícil ver brasileiro vencendo corrida, chegando ao pódio. Existe essa possibilidade, que é muito triste”, comentou o veterano, que faz neste fim de semana seu último GP do Brasil de F1.
 
“O Brasil sempre foi um país muito forte no automobilismo. Muitos pilotos em várias categorias diferentes”, lembrou o piloto da Williams.
 
Massa também falou com tristeza da época em que criou a F-Futuro, formada para ser uma categoria capaz de desenvolver grandes talentos para o automobilismo nacional. A categoria foi apadrinhada por Felipe e contou com o apoio técnico da Fiat. O certame teve apenas dois anos de vida e consagrou o carioca Nicolas Costa e o mineiro Guilherme Silva. Mas, sem apoio financeiro, a categoria chegou ao fim em 2011.
 
“Eu sou uma pessoa que posso dizer que gastei dinheiro para fazer uma categoria, para ajudar o automobilismo brasileiro. Busquei apoio de empresas para tentar patrocinadores. Zero apoio. Comprei 20 carros. A ideia era fazer a categoria, depois veio o Trofeo Linea, não para fazer uma categoria, mas um evento. A ideia foi toda da Fiat, que ajudou com os motores. Era um campeonato de fórmula, um dos mais baratos do mundo. Faltava piloto. Comprei 20 carros, corriam 11”, lamentou.
 
Na esteira do desabafo de Massa, Galvão aproveitou para detonar a CBA: “Você falou muitas vezes, eu falei, você, muito mais você falar do que eu… mas a Confederação Brasileira de Automobilismo, pra dizer a verdade, não faz é nada. Não tem um projeto, não tem um plano, não tem uma formação de pilotos…”
 
“O Felipe me levou para jantar numa segunda-feira em Singapura, e nesse jantar estava conversando com a gente o vice-presidente da Federação Francesa, que dizia exatamente como eles fazem lá: começa com o kart, os melhores do kart saem, pagos pela Federação, vão para outras categorias, até que sai algum destaque, e veja os franceses chegando à F1. E aqui no Brasil não tem nada, a Confederação Brasileira de Automobilismo não faz nada”, disparou.
 

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Massa clamou por alternativas que possam proporcionar um desenvolvimento melhor dos jovens pilotos. “Acho que basta ter uma vontade da federação, do governo, não para tirar o dinheiro das pessoas, mas fazer acordo com algumas empresas, criar leis de incentivos, acho que isso, sim… trabalhar em volta para fazer um projeto, então é possível acontecer e é possível ajudar sim, sem dúvidas”, completou o piloto.

 
Neste domingo (13), Felipe Massa vai disputar pela última vez o GP do Brasil de F1. E o GRANDE PRÊMIO estará ‘in loco’ com grande equipe em Interlagos, com transmissão AO VIVO e em TEMPO REAL do desenrolar do fim de semana da penúltima etapa da temporada 2016 do Mundial de F1. 
 
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