Dona de 20 títulos mundiais na F1 (oito de Construtores e 12 de Pilotos), a McLaren teve um ano negativamente inesquecível em 2015. Depois de 20 anos de parceria com a Mercedes, a lendária equipe de Woking decidiu reeditar um dos casamentos mais vitoriosos do esporte e formou aliança com a Honda, que fez história nos tempos de Nelson Piquet, Alain Prost e Ayrton Senna, para ser novamente sua fornecedora de motores. Mas nada, a não ser o nome McLaren-Honda, remeteu ao passado vencedor da parceria. Desde o começo do ano, o MP4-30 empurrado pelo motor Honda se mostrou deficiente. Logo no primeiro dia da pré-temporada, realizado em 1º de fevereiro em Jerez de la Frontera,
Fernando Alonso iniciava seu calvário e só conseguia completar seis voltas com o então novo carro.
Tudo se mostrou muito diferente pouco mais de um ano depois. Na última segunda-feira (23), o circuito de Barcelona foi palco do primeiro dia da sessão que abriu a pré-temporada 2016 da F1. E, ao menos desta vez, os resultados são bem animadores para a McLaren e também para a Honda. Em um dia com poucos problemas,
Jenson Button, encarregado de estrear o MP4-31 dotado de um motor muito mais evoluído e maduro, completou 84 voltas, exatamente 14 vezes mais que o primeiro dia da McLaren na pré-temporada no ano passado.
A nova McLaren-Honda teve um primeiro dia bem positivo em Barcelona com Jenson Button (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Sexto colocado na primeira sessão de testes do ano, Button ficou a 1s796 do tempo estabelecido por Sebastian Vettel, o líder da segunda-feira. Entretanto, nos trabalhos de pré-temporada a confiabilidade mostrada pelos carros é muito mais importante do que os tempos de volta em si. De modo que completar uma distância superior a de um GP logo no primeiro dia reforça que a McLaren pode ter um ano bem mais animador que 2015, quando somou apenas 27 pontos e terminou em nono lugar no Mundial de Construtores, só à frente da Manor, que zerou.
Button, aliviado e feliz, comemorou por finalmente ter vivido um dia normal, como os outros pilotos, sem maiores problemas. “Fizemos um número de voltas razoáveis hoje, ainda que gostaria de ter completado mais. Acho que o programa daria para dar umas 150 voltas, mas as completamos com tranquilidade e confiabilidade, muito mais do que em 2015”, comparou o piloto durante entrevista coletiva logo após encerrar os trabalhos do dia em Barcelona.
Jenson Button completou 84 voltas no primeiro dia de 2016, 14 vezes mais do que em 2015 (Foto: McLaren)
“Você sempre quer fazer mais e mais, mas não tivemos maiores problemas hoje. Só pequenas coisas que nos tomaram um tempo maior que o esperado porque tivemos muito cuidado com isso. Os caras fizeram um grande trabalho”, elogiou.
Ao comentar sobre suas primeiras impressões a respeito do novo carro, o campeão mundial de 2009 disse que “há melhorias em todas as peças do carro, mas não sei se vão ser suficientes ou não, de modo que hoje todo o nosso trabalho tratou de comprovar que tudo estava funcionando corretamente, de modo que nos dedicamos a analisar cada peça do carro”, comentou o piloto britânico de 36 anos, o mais experiente do grid.
“Foi um primeiro dia bastante normal e tentamos entender o máximo possível do carro, de modo que testamos tudo o que podíamos, mas não testamos nenhum acerto e tampouco fizemos simulações de corrida. Esse teste nos serve para entender melhor o carro, mas vamos levar muitas atualizações para a primeira corrida e vamos mudar muito. Estamos numa posição muito mais favorável do que o ano passado, felizmente, de modo que acho que ter só oito dias não deve ser um grande problema para nós”, disse.
Button entende que é cedo para fazer qualquer previsão sobre o real potencial do MP4-31 em relação aos outros carros. Por outro lado, o britânico se mostrou feliz por ter assinado com a McLaren e permanecer mais um ano na F1. Jenson chegou a admitir que pensou em se aposentar no fim do ano passado. “Estou muito feliz por estar de volta, já que parecia que este foi o inverno mais longo da história. Estou feliz também por não ter me aposentado, porque do contrário estaria bem chateado agora, então estou feliz por estar de volta a este mundo”, comemorou o piloto, sorrindo.
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