McLaren conquista posto de quarta força na F1. Mas, e agora?

Restando apenas quatro etapas para o fim da temporada 2019, a McLaren está consolidada como a quarta força do grid em um ano em que acertou na reestruturação interna. O passo correto também se aplica ao acordo com a Mercedes para 2021 e prova que a equipe quer mais do futuro

A Fórmula 1 está na reta final da temporada 2019 e alguns pontos já estão definidos ou a caminho de, como o sexto campeonato do mundo da Mercedes e o título de Lewis Hamilton. Nesta linha, também é possível dizer que a McLaren vai fechar o ano como a quarta força do grid e com muitos méritos. A equipe laranja acertou em todas as decisões que tomou a partir do momento em que se desapegou de Fernando Alonso. Do recrutamento de dois jovens pilotos ao acordo com Andreas Seidl, tudo deu certo para a esquadra chefiada por Zak Brown. E talvez seja essa receita que vá levar o time de volta ao caminho das vitórias na F1.
 
A esquadra inglesa vive sua melhor temporada desde 2014, ou seja, desde o último ano de parceria com a Mercedes. Os britânicos terminar aquele campeonato na quinta colocação, com 181 pontos e um pódio – na Austrália. Neste ano, depois de 17 provas, a equipe aparece na quarta posição, com 111 tentos. A diferença, de fato, é gritante, mas acaba sendo mais emblemática, se colocada na balança, por conta de tudo que o time viveu entre 2015 e 2017, período que durou a associação fracassada com a Honda.
Carlos Sainz, um dos pilares da boa performance da McLaren (Foto: McLaren)
Mas o time ainda teria de esperar um pouco mais para embalar uma recuperação. O primeiro ano do vínculo com a Renault ainda seguiu problemático, enquanto a cúpula da McLaren tentava se reorganizar. O fim daquela temporada o time disse adeus a Alonso, que agora parece bastante definitivo. E isso pode ser considerado um marco.
 
A partir daí, veio a reestruturação interna, que culminou com a chegada de Seidl em maio deste ano – o engenheiro alemão comandou os anos vitoriosos da Porsche no WEC, mas já tinha tido papel de peso na época da BWM na F1 –, além da aposta em Carlos Sainz e Lando Norris, promissores e muito rápidos, e no diretor-técnico James Key.
 
Então, nas mãos de Seidl, a equipe passou a funcionar de maneira pragmática. Sem promessas, com objetivos realistas e com muito mais performance. É claro que um raio-x da temporada vai mostrar que a McLaren oscilou. O time precisou de tempo para se encaixar nas primeiras etapas. Depois, o grande pacote de atualizações levado para a Espanha também precisou amadurecer. E aí houve ainda a falta de confiabilidade do motor Renault, que deixou os pilotos na mão em alguns momentos cruciais, como no abandono da dupla em Spa-Francorchamps, sendo que Norris deixou a corrida na volta final. Fora isso, os dois têm conseguido resultados dos mais interessantes.
 
Sainz é a constante, enquanto Norris é a velocidade. Combinação forte e que veio ganhando robustez ao longo do campeonato. E foi no GP do Japão que a equipe inglesa praticamente se estabeleceu como quarta força, depois que o espanhol conquistou a quinta posição, andando em um ritmo muito forte e parecido com o da Red Bull, por exemplo.
 
Outra questão que chama atenção é a comparação direta com a parceira Renault. Mesmo sendo uma equipe de fábrica, os franceses estão longe ainda do ritmo da McLaren em termos de desenvolvimento. Enquanto Sainz aparece na sexta posição da tabela, o melhor piloto da esquadra do losango é Daniel Ricciardo, em nono, 12 pontos atrás. Além disso, o time chefiado por Cyril Abiteboul segue atrás dos ingleses entre os construtores e não dá pinta de que vai ter fôlego para alcançá-los, mesmo com uma renovada versão do motor e atualizações mecânicas. 
Andreas Seidl e Zak Brown, a chefia afinada da McLaren (Foto: McLaren)
"Para nós, é bom marcar mais pontos em comparação com a Renault. Estou feliz por aumentar a liderança contra nossos adversários e acho que vimos uma tendência nas últimas três ou quatro corridas. Claramente temos o quarto melhor carro", declarou Seidl.
 
"Acho que temos tudo para ficar em quarto no fim da temporada, o que seria um grande feito para nós como time, além da importância do nosso carro para 2020, de subir mais um degrau", completou.
 
Portanto, ainda que não na velocidade que deseja, a McLaren vem tomando as rédeas de seu destino e caminha em uma direção correta para voltar a brigar no pelotão da frente da Fórmula 1. A equipe vai seguir com Sainz e Norris para o próximo ano, e isso é um sinal de seriedade. Sequer permitiu que ambos fizessem parte da 'silly season', por exemplo. A equipe também continua dentro de um esquema de trabalho coeso e forte, dando um passo de cada vez. Vai esperar, inclusive, o regulamento virar para mudar de fornecedora de motor. Mas não é qualquer motor, é uma unidade da Mercedes. Quer dizer, é mais um indicador do que o time pretende para o futuro. 
 
Os ingredientes estão aí e devem ganhar ainda mais sabor.

 

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