McLaren dobra aposta, bate Ferrari e lucra com pole essencial em tático GP de Mônaco

A Ferrari foi capaz de manter o enorme desempenho dos treinos e se colocou firme na disputa da pole-position em Mônaco, mas a McLaren tinha outros planos para este sábado. A equipe papaia decidiu apostar alto em uma estratégia de duas voltas rápidas com o último jogo de pneus, e isso foi o que bastou para Lando Norris ganhar confiança e superar Charles Leclerc. Agora, a posição de honra entrega ao inglês não só a chance de redenção, mas de lucrar com uma prova que promete o caos diante de um regulamento próprio de dois pit-stops obrigatórios

Quando em Mônaco, é quase impossível não pensar em dar uma passadinha no famoso Cassino e tentar um palpite certeiro no Principado. Pois bem, talvez tenha sido exatamente essa a intenção da McLaren na tarde deste sábado (24), ao entregar a seus dois pilotos duas voltas rápidas em sequência nos instantes finais da classificação. A tática, pouco usual, tinha uma alta dose de risco, mas, estamos em Monte Carlo, certo? É preciso arriscar, e a equipe laranja foi recompensada pela ousadia, porque proporcionou à dupla uma oportunidade maior de bater a Ferrari e sair à frente. Lando Norris foi quem melhor aproveitou a chance. E não só estabeleceu um novo recorde, mas também foi capaz de colocar a si mesmo em uma posição de honra para voltar a vencer em 2025. Só há uma ressalva: a regra que determina dois pit-stops obrigatórios.

Mas antes de entender os possíveis efeitos do regulamento próprio da etapa monegasca, é necessário falar sobre como Norris chegou à pole — apenas a segunda da temporada e a 11ª da carreira. Já a McLaren não larga da ponta do grid no Principado desde 2007, com Fernando Alonso. Acontece que a Ferrari seguiu muito forte também no momento de decidir as colocações de largada. O time vermelho se concentrou demais em um acerto que balanceou velocidade e equilíbrio nos trechos de baixa velocidade — o compromisso em Mônaco significou um salto de qualidade do carro vermelho em volta única, antes uma das grandes falhas da SF-25. No entanto, estava claro desde o começo que seria um duelo contra a McLaren — é bem verdade que Max Verstappen tentou entrar na disputa, mas a Red Bull perdeu fôlego ao longo da sessão, especialmente devido aos problemas de aderência do RB21 em uma pista ondulada e de zebras altas.

Neste sentido, ingleses e italianos levaram a melhor, porque foram capazes de manter um rendimento significativo o tempo todo. Leclerc liderou a primeira parte da classificação, com uma diferença mínima de 0s056 para Norris. Já na fase intermediária, Lando devolveu a performance e bateu o tempo do monegasco por míseros 0s011. Aqui, Verstappen já começava a se distanciar e não parecia mais no páreo. Enquanto isso, a McLaren foi mais astuta no momento derradeiro. Porque decidiu ampliar as chances de seus pilotos, fazendo uso de um melhor entendimento do desempenho do C6 — o novo pneu macio da Pirelli. Depois de uma primeira tentativa, o dono do carro #4 já aparecia na ponta da tabela, com o companheiro Oscar Piastri em segundo. A Ferrari #16 se colocou em terceiro, quase 0s2 acima.

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Nos minutos que seguiram, veio o pulo do gato: Norris e Piastri ganharam a pista consideravelmente antes dos rivais. E o australiano, primeiro a completar a volta, virou 1min10s140. Lando passou logo atrás com 1min10s125, para retomar a liderança. Aí Charles apareceu forte, tomando para si o segundo setor — antes dominado pela McLaren. Isso lhe rendeu a primeira posição em 1min10s063, mas Norris já preparava o bote. Sem qualquer vacilo em um giro limpo, o britânico cruzou a linha em 1min09s954, em uma das mais espetaculares poles da carreira e uma das mais importantes de todo o calendário. A performance também é uma espécie de redenção para o piloto, que vinha empilhando problemas no Q3 nas últimas etapas.

“Em Mônaco, você sempre quer fazer o máximo de voltas possível”, disse Lando. “Estávamos convencidos de que não seria fácil conseguir tudo na primeira tentativa. Tínhamos visto em todas as sessões de treinos livres que os tempos mais rápidos vinham após uma sequência de voltas. Pensamos que conseguiríamos duas voltas rápidas com o último conjunto de pneus macios e seguimos nosso plano. Foi o que achamos certo fazer, e foi claramente a escolha certa.”

Piastri, no entanto, não aproveitou o melhor momento, devido a um erro na metade da volta final e vai largar em terceiro. Já Leclerc não escondeu a frustração de perder a pole em casa, mas principalmente de ter a noção de que a vitória ficou ainda mais difícil. “Há sempre algo a mais a ser feito, né? Mas fizemos o melhor possível, a volta foi muito boa. Acho que a primeira volta foi uma pena, porque é o que te dá confiança para a segunda tentativa. Não consegui isso, encontrei tráfego no segundo setor, mas é assim que as coisas são”, falou o monegasco, que, ainda assim, sai na primeira fila.

“Estou muito frustrado, obviamente. Sabemos que não temos o carro para brigar por vitórias esse ano, mas ele se comportou bem neste fim de semana. Largar em segundo aqui torna as coisas mais difíceis para buscar aquele primeiro lugar”, lamentou.

Lando Norris tirou tudo que tinha na volta final em Mônaco (Foto: AFP)

Verstappen terminou a classificação em quinto, atrás de Lewis Hamilton, que teve uma performance também forte com a Ferrari, embora ainda distante de seu colega de garagem. Porém, o heptacampeão perdeu 3 posições no grid por ter sido considerado culpado em um incidente com o neerlandês da Red Bull. Dessa forma, parte em sétimo neste domingo, enquanto Max pula para quarto e um excelente Isack Hadjar salta em quinto com a Racing Bulls.

Mas há um ponto que agora entra em discussão entre as equipes e pilotos: o regulamento de dois pit-stops obrigatórios, o que vai fazer os times a lançarem mão de pelo menos três jogos de pneus, entre a gama mais macia da Pirelli. Diante das incertezas do ritmo de corrida e do caos que às vezes toma conta de Mônaco, a estratégia e uma boa leitura de corrida serão fundamentais neste domingo. E o cenário está tão aberto que nem a própria fabricante de pneus quis projetar as táticas mais prováveis, como o próprio gráfico mostra: tudo pode acontecer!

“Em termos de tática, a corrida de amanhã será única. As mudanças introduzidas especificamente para essa corrida exigem o uso de pelo menos três jogos de pneus, o que significa que tudo é possível em termos de janelas de pit-stop, visto que existem tantas possibilidades teóricas, sem mencionar a presença do safety-car, que é bastante provável nesta pista”, explicou Mario Isola, o chefe da Pirelli.

“Os três compostos entrarão em jogo: na verdade, pilotos de três equipes, Red Bull, Racing Bulls e Sauber, têm apenas um jogo de pneus duros e um de médios, então eles certamente terão que usar o C6 durante a corrida.”

Quadro de estratégias da Pirelli: mas que estratégia? (Foto: Pirelli)

Realmente, a estratégia está aberta, não só por uma questão de visitas aos boxes, mas de ritmo de corrida em si, às vezes mais rápido, às vezes mais lento, para fazer valer o planejamento geral funcionar e aproveitar o acaso. Em tese, quem largar mais atrás, pode optar por visitar os boxes ainda no início da corrida e tentar até mesmo o uso do pneu macio, guardando o duro para o restante da corrida. No entanto, quem está à frente, terá uma janela de operação bem mais estreita, porque correr em Mônaco também tem muito a ver com a posição de pista e uma dose de sorte.

Fórmula 1 realiza o GP de Mônaco de 23 a 25 de maio, em Monte Carlo, oitava etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO em Mônaco para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Bernardo Castro e Leonid Kliuev.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horários em Brasília

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