McLaren sobra e só perde para si. Aston Martin tenta assumir protagonismo em Zandvoort
A Fórmula 1 voltou das férias com uma McLaren ainda mais dominante. É que a retomada das ações acontece em Zandvoort, nos Países Baixos, um dos palcos preferidos do carro laranja. Por isso, não foi uma surpresa notar a liderança de Lando Norris nesta sexta-feira (29). Mas o dia reservou, sim, suas traquinagens ao colocar uma atrevida Aston Martin na segunda posição, desafiando os oponentes usuais da equipe britânica
Depois de quase um mês aproveitando o calor do verão europeu, a Fórmula 1 está de volta, e o recomeço não parece muito diferente daquele cenário que findou a primeira parte da temporada 2025. Quer dizer, a McLaren segue como referência no grid e ainda detém as rédeas da disputa do título, entre Oscar Piastri e Lando Norris. E ao desembarcar em Zandvoort, a equipe laranja também encontrou o palco perfeito e que traduz com exatidão o domínio que exerce sobre a concorrência. Por isso, liderança de Norris, nesta sexta-feira (29), passou longe de espantar. Os papaias são favoritos à pole e à vitória, concentrando mais um capítulo da batalha pela taça do mundo. Mas a história do dia foi a Aston Martin, que ofuscou o trio Mercedes, Red Bull e Ferrari, e isso por si só já é motivo suficiente para acompanhar o restante do fim de semana neerlandês do Mundial.
Antes de entender a performance da equipe esmeraldina, é importante colocar aqui tudo que permeia o confronto interno da McLaren e a razão para um favoritismo ainda mais particular. Tecnicamente, o autódromo de Zandvoort é um dos melhores do calendário para o MCL39. É que o modelo inglês foi pensado para traçados com mais curvas de baixa e média velocidade, grampos e trechos manhosos, que exigem mais do equilíbrio. Dessa forma, fica claro o poder de fogo dos britânicos. Tanto é verdade que o carro laranja domina todas as curvas do circuito neerlandês. E ainda que a Aston Martin tenha apresentado um desempenho muito melhor em reta, a McLaren é capaz de compensar nos demais setores com facilidade. Portanto, parece inevitável pensar que a pista dos Países Baixos tem tudo para sediar um duelo direto entre os dois postulantes ao campeonato.
E isso ficou claro já no TL1, em que Norris cravou 1min10s278, superando Piastri por 0s292 para puxar o 1-2 do time papaia — com o britânico a mais de 0s5 de frente sobre Lance Stroll, terceiro colocado. Algumas horas mais tarde, no TL2, o dono do MCL39 #4 voltou a figurar no topo da tabela ao registrar 1min09s890, enquanto o australiano ficou em terceiro, atrás ainda de Fernando Alonso. Desta vez, as diferenças foram menores. O espanhol se infiltrou entre os laranjas e ficou a apenas 0s087 de Lando. O que sugere uma história das mais interessantes para a classificação deste sábado.
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Essencial dizer também que a segunda sessão foi bastante tumultuada, por acidentes e bandeiras vermelhas, o que tornou as simulações mais complicadas. Ainda assim, a McLaren foi capaz de estabelecer o melhor ritmo e parece ter margem maior de performance.
“Foi um bom dia porque o carro apresentou um bom desempenho. Melhoramos entre o TL1 e o TL2, embora, ao mesmo tempo, tenha sentido que os outros se recuperaram um pouco mais do que gostaríamos. A Aston Martin e Fernando Alonso foram rápidos em ambas as sessões, e têm sido assim ultimamente também, então eles começaram muito bem, mas estão definitivamente mais próximos do que o esperado”, reconheceu Lando.
“A Aston Martin também foi rápida em Budapeste, então não é uma grande surpresa. No momento, eles parecem ser os mais rápidos, mas Max (Verstappen) certamente não está muito longe e usou um pneu de composto mais duro. Os carros mais próximos são os da Aston Martin, enquanto Red Bull e Ferrari pareceram ter tido mais dificuldades hoje. Não é a primeira vez que isso acontece e, além disso, eles estão fortes no sábado. É melhor nos concentrarmos em nós mesmos.”
A percepção de que a esquadra de Lawrence Stroll é um elemento a ser considerado está correta. De fato, o time obteve um grande resultado na Hungria, com Alonso em quinto e Stroll em sétimo. E tudo foi possível devido a um pacote importante de atualizações que a equipe levou para a parte final da primeira metade de temporada. Agora, nesta sexta, a Aston Martin investiu na velocidade de reta, como forma de compensar as perdas nos trechos de baixa. O carro verdinho ainda tem lá seus problemas para resolver, mas parece ter encontrado uma fórmula para ampliar a performance em pistas mais seletivas.
Daí o otimismo de Alonso após os treinos. “Estou com certeza um pouco mais otimista do que em algumas das outras sextas-feiras que tivemos”, disse o piloto da Aston Martin. “Não acho que esteja ao nosso alcance brigar com a McLaren, mas talvez com algumas das melhores equipes. Mercedes, Ferrari, Red Bull — elas não parecem muito distantes, então tentaremos estar nessa disputa”, afirmou o bicampeão.

É bem provável que a Aston Martin realmente consiga surpreender, mas é igualmente certo esperar um passo à frente das três ponteiras aí. Neste momento, a Mercedes é quem parece ter o melhor conjunto para se aproximar e tentar a posição de melhor do resto. As baixas temperaturas em Zandvoort e a previsão de chuva são dois pontos fortes aí para os alemães. George Russell (4º no TL2) foi rápido ao longo do dia e mostrou um ritmo forte em termos de condições de corrida.
Já a Red Bull sofreu mais nesta sexta-feira, com os “problemas de sempre”, como disse Verstappen, quinto colocado na tabela. Ou seja, o RB21 apresentou problemas de equilíbrio, saindo de frente e de traseira em alguns trechos da pista. De fato, o circuito de casa de Max não se adapta realmente com as características do modelo taurino — os trechos de baixa e média velocidade são um tormento. Ainda assim, a equipe austríaca mexeu na parte dianteira, com o objetivo de melhorar o downforce e tentou entregar mais tração também. E trabalhou muito em cima do ritmo de prova, usando os pneus duros. A tendência é que o time caminhe algumas casas até a classificação.
“É esse problema do carro sair de frente que depois se transforma em um desequilíbrio traseiro, é algo com que temos lutado durante toda a temporada”, admitiu Helmut Marko, o consultor da Red Bull. “Acho que a McLaren é intocável. A Aston Martin é surpreendentemente rápida. Então, creio que a briga pelo terceiro lugar é entre a Aston Martin, a Mercedes e nós”, completou.
Marko sequer listou a Ferrari neste cenário e faz até sentido. A escuderia enfrentou problemas em Zandvoort e está a mais de 0s8 atrás da McLaren. Assim como para a Red Bull, o traçado que beira o mar também é difícil para a SF-25. As palavras de Charles Leclerc resumem bem o dia ferrarista. “Foi uma sexta-feira muito, muito, muito difícil — provavelmente a pior sexta-feira da temporada, então é um alerta”, disse o monegasco.
Portanto, diante de uma expectativa de domínio da McLaren e de uma surpreendente briga tripla entre Aston Martin, Mercedes e Red Bull, o único elemento que pode destoar é realmente o clima. Há uma pequena previsão de precipitação para o sábado. A meteorologia fala em um dia bastante nublado e frio, com pancadas de chuva. E ventos de até 30 km/h. Dessa forma, enquanto os papais torcem pela normalidade, só caos pode mudar a ordem de forças em Zandvoort.
A F1 retorna neste fim de semana, de 29 a 31 de agosto, em Zandvoort , palco do GP dos Países Baixos, 15ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Zandvoort para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.
GP dos Países Baixos de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 06:30 | 08:30 | 10:30 | 11:30 |
| Classificação | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horários de Brasília
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