Melancólica aposentadoria parece destino de Räikkönen. E talvez esteja bem com isso

Kimi Räikkönen segue na Fórmula 1 porque gosta de velocidade. Então há uma possibilidade real dele não ligar de ter que conduzir uma decadente Alfa Romeo para ter tal sensação de prazer

Aos sábados, não fez nem cócegas no Q2 nas sessões de classificação, inclusive sendo o 20° – portanto, último – na Hungria. Aos domingos, um abandono, uma largada em posição errada, menos um ponto na carteira.

A fase de Kimi Räikkönen, 40 anos, é horrorosa. Sua carreira caminha para um fim melancólico. Mas talvez ele esteja bem com isso.

Kimi Räikkönen (Foto: Alfa Romeo)

Nos últimos ‘Briefings‘, demos nota zero para Räikkönen por ter feito corridas realmente muito fracas na Áustria e em Hungaroring. A análise precisa ser esportiva, de fato, quando se comenta um GP. O que a gente não pode ignorar quando escreve com calma, porém, é que há uma chance grande do finlandês sequer pensar na parte competitiva da F1 no momento.

Claro que ele é obrigado a dar entrevistas, a comentar o que fez e o que não conseguiu fazer, mas já com título mundial e com uma família que faz questão de sempre estar por perto, o nórdico talvez veja a pista apenas como um palco de lazer. E se tem quem pague para se divertir, melhor ainda. Aposentar-se longe do auge – que, no caso dele, é importante lembrar, é um título mundial na mais forte categoria do mundo – acaba se tornando irrelevante.

É claro que o tempo de Kimi como relevante na categoria já se foi. Mas ser relevante é abstrato. O que é importante para a imprensa? O que é importante para o fã? O que é importante para um pai?

Robin tem cinco anos e, tal como o pai, já gosta de velocidade. Räikkönen já brinca, inclusive, que mal consegue acompanhar o filho quando andando juntos de kart.

E se na cabeça do campeão do mundo de 2007 ser relevante significa deixar o filho assisti-lo correndo na F1? E se significa deixar Robin pegar o gosto pela coisa convivendo com a categoria?

Aparentemente, o homem de gelo não é tão frio assim. Ama F1, ama a família e tenta ser exemplo. E por isso, mesmo com seu tempo já passado, continua.

Ou, claro, ele é tão frio que não se importa em ocupar o lugar de um jovem piloto na F1. Vai saber.

Giovinazzi se diz preparado para Ferrari. Ao fim, ele é ruim de análise

Com a pausa em razão da pandemia, Antonio Giovinazzi teve tempo para fazer um ‘tour’ de entrevistas, nas quais repetiu a mesma ideia: “Não escondo que quero a vaga na Ferrari.

Sonhar é permitido, mas ser realista é uma ideia melhor. Ao final das contas, o italiano parece estar tão mal nas análises como está nas corridas.

Antonio Giovinazzi guia a Alfa Romeo pelo segundo ano consecutivo (Foto: AFP)

Diferentemente do companheiro de equipe, Giovinazzi corre pela sobrevivência na categoria. Aos 26 anos, já não é mais um menino, e viu a Ferrari apostar para 2021 em dois pilotos mais novos: Charles Leclerc tem 22, Carlos Sainz tem 25. Ou seja: não vai dar para o italiano realizar o sonho ferrarista.

Mas, se entregasse resultados, talvez ainda pudesse reclamar publicamente, por exemplo. Não é o caso: claro que ele pode culpar o próprio motor Ferrari que não ajuda em nada os carros da Alfa Romeo, mas brigar (e perder, na maioria dos casos – só ficou à frente de Nicholas Latifi na Áustria) contra as Williams nos treinos de classificação não dá ao piloto exatamente muitos argumentos positivos.

O lugar de Giovinazzi não é na F1. Não que ele seja um piloto ruim, só não está entre os 20 que merecem ocupar o grid da principal categoria do mundo. Se sonhava com a Ferrari para o ano que vem, é melhor já analisar em qual categoria pode se encaixar no futuro. Bem, se a Ferrari for para a Indy

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