Melhor evento da F1 há cinco anos, México tem histórico de fatos marcantes

Sucesso de bilheteria e com mais de 300 mil espectadores no Autódromo Hermanos Rodríguez nos últimos anos, o GP do México foi considerado pela FIA o melhor evento de F1 de forma consecutiva desde seu retorno ao calendário, em 2015. Mas muito antes a etapa latina já deixava sua marca no esporte por conta de alguns momentos históricos e curiosos

No último mês de dezembro, o GP do México foi eleito pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) como o melhor evento da temporada 2019 da F1. Não que fosse uma novidade, já que a organização da prova também foi premiada desde que o país regressou ao calendário do Mundial, em 2015. Sucesso de bilheteria e de crítica, o GP realizado no histórico autódromo Hermanos Rodríguez costuma receber mais de 300 mil pessoas ao longo do fim de semana de etapa e contagia fãs do mundo inteiro por conta da alma que exala da pista e das arquibancadas.
 
Por tudo o que compreende um fim de semana de F1 nos Hermanos Rodríguez, o GP do México é um dos mais aguardados de toda a temporada. E também é um dos preferidos para quem gosta de fazer apostas online.
 
O país já recebeu a F1 em 21 oportunidades e em períodos distintos da história do esporte. Ao longo dos anos, o GP do México foi palco de momentos curiosos e também marcantes, que ficaram guardados para sempre no imaginário dos fãs da F1.
O GP do México reúne mais de 300 mil pessoas ao longo do fim de semana (Foto: Mercedes)
 
Nome como homenagem

Localizada no coração da Cidade do México, o autódromo que recebe o Mundial de F1 nasceu com outro nome. Entregue em 1962, o complexo foi batizado como Magdalena Mixhuca, em referência a um antigo povoado local. Contudo, as autoridades optaram pela mudança de nome a partir de 1970 por conta dos irmãos e ídolos mexicanos Ricardo e Pedro Rodríguez. 

Ricardo foi o primeiro mexicano a disputar uma etapa do Mundial de F1, em 1961, e fez todas as suas cinco corridas pela Ferrari. Como curiosidade, Ricardo foi o mais jovem piloto a guiar pela Ferrari na F1, com apenas 19 anos. Rodríguez perdeu a vida em razão de um grave acidente sofrido justamente no México.
Pedro Rodríguez venceu o GP da África do Sul de 1967 (Foto: Rainer Nyberg)
Anos depois, foi a vez de o irmão mais velho, Pedro, estrear na F1. Sua carreira foi bem mais longeva que a de Ricardo, com 54 GPs disputados entre as temporadas de 1963 e 1971. Pedro foi o primeiro mexicano a triunfar na F1, mas também morreu tragicamente por conta de um grave acidente quando disputava uma prova de turismo pela Ferrari em Norisring. Atualmente, o grande ídolo local na F1 é Sergio ‘Checo’ Pérez, que faz parte do grid desde 2011 e hoje representa a Racing Point.
 

Períodos sem F1

Ainda que seja uma corrida considerada tradicional, o GP do México teve dois momentos em que ficou ausente do calendário do Mundial de F1. A trágica morte de Pedro Rodríguez interrompeu uma sequência que durou entre 1963 e 1970.

Foram 16 anos sem uma corrida de F1 no autódromo Hermanos Rodríguez, que regressou ao calendário em 1986, mas somente por um curto período de sete edições da prova para deixar novamente de receber a F1 depois de 1992.

Somente em 2015, muito por conta da presença de Pérez no grid e também impulsionada pelos patrocínios das empresas de Carlos Slim, o México voltou a ser palco do Mundial de F1 a partir de 2015. A curiosidade é que o GP do México tem como embaixador o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi.
Riccardo Patrese e Nigel Mansell no GP do México de 1991 (Foto: Williams/LAT)
Lugar especial para a Honda

Uma das marcas mais tradicionais e vitoriosas da história da F1, a Honda viveu um grande momento no México. Em 1965, a marca japonesa, que corria com equipe própria na F1, alcançou sua primeira vitória na F1. A bordo do RA272, Richie Ginther largou em terceiro lugar e deixou para trás o grande nome da época, Jim Clark, para triunfar no México.

Como equipe de fábrica, a Honda triunfou apenas outras duas vezes na F1: com John Surtees no GP da Itália de 1967 e, quase 40 anos depois, com Jenson Button no GP da Hungria de 2006.
Pelas mãos de Richie Ginther, a Honda e a Goodyear venceram pela primeira vez na F1 (Foto: Honda Racing)
Atualmente, a Honda é fornecedora de motores da Red Bull e da Toro Rosso. Com a expectativa de aumento de potência das suas unidades motrizes, a Red Bull se vê sem desculpas para lutar desde o início pelo título da F1 em 2020.
 

Surpresa no retorno

A F1 teve um dos seus melhores e mais marcantes grids da história nos anos 1980. Em meados daquela década, o México voltava a receber o Mundial no dia 12 de outubro de 1986. Pilotos do quilate de Nelson Piquet, Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Keke Rosberg largaram naquele GP que marcava o regresso do país ao calendário. Mas a festa não ficou com nenhum deles.

A pole daquele GP do México ficou com Senna, que liderou uma primeira fila toda brasileira com a Lotus, com Piquet, da Williams, largando em segundo. Mansell partiu em terceiro com a outra Williams, enquanto a surpresa, Gerhard Berger, largava em quarto com a Benetton empurrada pelo motor BMW.
 
O grande ‘pulo do gato’ do austríaco foi a estratégia. Por contar com pneus mais duráveis, fornecidos pela Pirelli, Berger obteve vantagem na luta contra os rivais, reconhecidamente com carros mais rápidos que a Benetton, mas que tinham pneus Goodyear, que se desgastaram mais naquela tarde. Assim, Berger não precisou fazer seu pit-stop — à época, não havia a obrigatoriedade de efetuar a troca de pneus — e venceu a corrida, seguido por Prost e Senna. Aquele foi o primeiro triunfo de Gehard na F1.
 

A capotagem de Senna

O ano era 1991. Senna lutava pelo tricampeonato e encarava mais uma jornada na temporada, a sexta do ano. Em 14 de junho, durante treinos livres para o GP do México, o brasileiro perdeu o controle da sua McLaren em uma das curvas mais rápidas e desafiadoras da época, a Peraltada. Ayrton bateu forte na barreira de pneus e, com o impacto, capotou, ficando com o carro de cabeça para baixo.

Pouco depois, reportagens mostraram que o trecho da Peraltada estava em condições inseguras, com direito até a um pedaço de madeira servir como ‘remendo’ da pista. O ano seguinte foi o último da F1 nos Hermanos Rodríguez antes das obras de modernização da pista, que voltou a sediar uma etapa do campeonato em 2015, já sem a Peraltada, que foi ressuscitada para o eP da Cidade do México, marcado para 15 de fevereiro.


Para Senna, aquela batida foi só um susto. No domingo, o piloto da McLaren não teve como segurar o ritmo das dominantes Williams de Riccardo Patrese e Nigel Mansell, mas terminou em terceiro. Meses depois, o brasileiro confirmou a conquista do tricampeonato mundial.

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