Mercedes cogita ir à justiça caso regulamento de motores da F1 2026 passe por mudança
Segundo a versão italiana do portal Motorsport, a Mercedes se sente segura por ter em mãos documentos que atestam a legalidade do motor redigidos pela própria FIA, por isso cogita até a justiça caso o regulamento passe por mudanças
No centro da grande polêmica envolvendo os motores da temporada 2026 da Fórmula 1, a Mercedes cogita acionar a justiça caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decida modificar o regulamento das novas unidades de potência. A entidade que regula o esporte prepara mudança na medição da taxa de compressão após pressão de Ferrari, Honda e Audi por conta de um sistema desenvolvido pelos alemães que pode resultar num ganho de até 0s3 por volta.
A informação é da versão italiana do portal Motorsport desta sexta-feira (6). A novela em torno dos motores da fabricante alemã estourou em meados de dezembro, quando o portal inglês The Race publicou reportagem afirmando que duas fabricantes — Mercedes e Red Bull — haviam encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento de 2026.
A taxa de compressão de um motor de Fórmula 1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. A possibilidade de ampliar essa janela de compressão resultaria em cerca de 15 cavalos de potência a mais — ou aproximadamente 0s3 por volta.
A questão, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando ele está aquecido. Esta semana, o site da revista alemã Auto Motor und Sport publicou reportagem detalhando o truque, que tem a ver com uma segunda câmara de combustão que é desativada quando o motor está quente. E a FIA aprovou a legalidade da solução.

De acordo com a publicação italiana, a Mercedes se sente segura por possuir documentos redigidos pela FIA — cujo gerente de unidades de potência da equipe de Nikolas Tombazis é o ex-piloto francês Vincent Pereme — que atestam o motor dentro das regras. Ainda assim, Ferrari, Honda e Audi enviaram carta conjunta à federação solicitando esclarecimentos, preocupadas com o impacto imediato na ordem de forças do grid.
A FIA, então, concordou em alterar o critério de teste, que envolverá a medição dos componentes do V6 devidamente aquecidos, mas em forma estática, segundo o portal da revista italiana Autosprint. A expectativa é que essa nova medida entre em vigor a partir do GP da Austrália. Mas se a entidade for além e decidir mudar as regras, o presidente do Grupo Mercedes-Benz AG, Ola Källenius, está disposto a recorrer à justiça.
Chefe da Mercedes, Toto Wolff, foi bastante vocal ao comentar as acusações de que a montadora teria burlado o regulamento. “Simplesmente não entendo por que algumas equipes se concentram mais nas outras e continuam argumentando um caso que é muito claro e transparente. A comunicação com a FIA foi muito positiva o tempo todo. Não é apenas sobre taxa de compressão, mas também sobre outras coisas”, disse durante evento de lançamento da temporada, na última segunda-feira.
“E, especificamente nessa área, é muito claro o que o regulamento diz, é muito claro quais são os procedimentos padrão em qualquer motor, ou até mesmo fora da F1. Então, tomem jeito”, disparou.
A Fórmula 1 retorna à pista de 11 a 13 de fevereiro, no Bahrein, para a primeira de duas baterias de testes coletivos da pré-temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades.
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