Mercedes tira proveito do frio e se coloca no jogo em Canadá que equilibra forças na F1
É de conhecimento geral na Fórmula 1 o apreço que a Mercedes tem por temperaturas mais amenas, porque é o cenário perfeito para os pneus e a natureza do W16. Portanto, não chegou a ser uma surpresa ver as Flechas de Prata à frente na sexta-feira (13) de treinos no Canadá. George Russell abusou do melhor momento de pista para cravar o tempo mais rápido com pneus médios. Mas é também o clima que aproxima o grid em Montreal, embora a McLaren ainda ocupe o posto de equipe a ser batida na Fórmula 1 2025
Praticamente todo carro de F1 tem uma ou duas singularidades, algo que o torna único e o faz se destacar entre os demais — para o bem e para o mal. Mas no caso da Mercedes é uma particularidade das mais interessantes e na qual ela pode confiar. Na verdade, desde o desenvolvimento que começou ainda em 2024, os modelos saídos de Brackley apreciam demais as temperaturas amenas. Aliás, quanto mais frio, melhor. É nessas condições que o W16 rende mais, trata com carinho os pneus e é capaz de entregar uma performance próxima a da McLaren e da Red Bull. Portanto, não foi uma surpresa notar o bom desempenho de George Russell e Kimi Antonelli nesta sexta-feira (13) em Montreal. Em um dia de termômetros na casa dos 18ºC, o inglês cravou a marca mais rápida da segunda sessão de treinos e deixou a sensação de que, se o clima seguir assim, as Flechas de Prata estão no jogo.
É bem verdade também que a Mercedes desembarcou no Canadá com novidades em uma preparação mais sólida para as corridas que vem por aí no calendário. Após os problemas de confiabilidade enfrentados nas últimas etapas, a equipe alemã decidiu trocar os motores de ambos os pilotos, mas o que chamou a atenção mesmo foi a nova suspensão traseira. O elemento já havia sido testado antes, mas o time chefiado por Toto Wolff decidiu esperar um pouco mais para colocar na pista. A ideia é que a peça ajude a criar um equilíbrio maior em circuitos ondulados ou onde há zebras mais altas. Então, tudo isso combinado ao frio canadense abriu a possibilidade de uma apresentação mais competitiva.
Outro ponto de destaque — e que ajuda também a entender a performance da Mercedes — são os pneus. A Pirelli entregou às equipes a gama mais macia. Ou seja, os C4 (duros), C5 (médios) e os C6 (macios). Talvez por isso a esquadra tenha adotado um programa diferente do habitual. É que Russell foi à pista com os pneus macios antes dos médios e acabou sendo beneficiado pelo melhor momento do asfalto — mais emborrachado. Ou seja, o primeiro tempo na tabela veio em cima dos compostos amarelos no ponto em que o traçado apresentou um alto nível de aderência. E isso pode se repetir na classificação deste sábado, como aconteceu em Ímola, por exemplo.
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“Deve ser a minha primeira vez no topo da tabela em todo o ano, com 10 corridas disputadas. Obviamente, foi um dia positivo. Tínhamos expectativas altas para este fim de semana por conta do clima mais frio. A pista está bem suave, então os pneus andam bem, e sabemos as nossas fraquezas. Quando está quente, sofremos. Quando está frio, os pneus andam bem também e somos competitivos. Foi definitivamente uma validação”, declarou George após o TL2.
No entanto, o britânico da Mercedes não escondeu a sensação de que é preciso ter os pés no chão para o decorrer do fim de semana — até porque há uma previsão de temperaturas um pouco mais altas no domingo. “Estamos tentando maximizar tudo neste fim de semana. Minha volta hoje foi muito forte, provavelmente otimizei, então não há nada sobrando no tanque. Tínhamos tudo na mesa. Precisamos ser um pouco realistas. Vamos ver amanhã. Claramente, um número de equipes está pensando neste pneu médio. Se chegar na classificação, vão de macios? Vão de médios? É um dos desafios que tivemos até aqui com o C6”, emendou.
Também é bom destacar aqui que o uso do médio na classificação pode significar uma desvantagem em termos de estratégia para a corrida, porque a tática para o GP do Canadá gira em torno de duas paradas, fazendo uso de pneus médios e duros — “O fato de nove das dez equipes terem mantido dois conjuntos de pneus duros é uma indicação clara de que este será o pneu principal da corrida, com o macio dificilmente aparecendo”, afirmou Simone Berra, engenheiro da Pirelli.
É claro que a possibilidade de um aumento da temperatura preocupa a Mercedes, enquanto faz a McLaren sorrir. Embora o carro laranja não seja tão sensível às mudanças do clima, Lando Norris descreveu o dia como “a pior sexta-feira do ano” para a esquadra britânica. Mesmo terminando a 0s028 do líder Russell, na segunda posição, o piloto #4 creditou a afirmação à dificuldade de encontrar a melhor configuração para o MCL39. “Definitivamente, foi a nossa pior sexta-feira do ano, não a pior em ritmo, mas a mais difícil de acertar e a mais complicada. Não estamos a quilômetros de distância, só precisamos tornar a pilotagem um pouco mais fácil”, declarou Lando.

De fato, a McLaren dedicou boa parte dos treinos aos testes de novas peças. A equipe levou ao Canadá uma nova asa dianteira, mas a usou somente no TL1. À tarde, ambos os pilotos tiveram a chance de usar uma nova suspensão traseira, mas só Norris quis experimentar. Piastri preferiu seguir com a atual — terminou o dia em sexto, a mais de 0s4 de Russell. Ainda assim, é difícil tirar os britânicos do cenário de favoritismo, porque o ritmo de corrida continuou muito forte.
A Mercedes surgiu consistente ao longo do TL2, estabelecendo as melhores marcas nas simulações de corrida, enquanto a McLaren está a menos de 0s1. Max Verstappen apareceu também muito perto, andando pouco mais de 0s1 atrás. Quer dizer, há um equilíbrio interessante de forças, resultado da mistura do clima e também das escolhas de pneus/acertos.
E apesar dos problemas de configuração que enfrentou no TL2, a Red Bull está melhor do que a tabela mostrou. “Hoje foi um dia razoável, para ser sincero. No TL1, ficamos felizes com o carro, mas o TL2 foi mais difícil por diferentes motivos. Houve menos equilíbrio e ficamos menos confortáveis no carro, o que é algo que precisamos investigar”, contou o tetracampeão, que obteve o nono melhor registro da folha de tempos, também de pneus médios, com uma diferença de mais de 0s5 para a Mercedes.
“No geral, acho que foi um dia positivo. Se conseguirmos voltar ao que andamos no TL1, vamos bem. Amanhã é a classificação, então vamos ver. Ainda há mais uma sessão para acertar. Precisamos apenas de uma boa janela e ver o quão longe podemos chegar na classificação”, completou o vencedor da prova canadense no ano passado.

Portanto, a sexta-feira em Montreal deixou a sensação de um grid mais compacto, e isso deve se repetir neste sábado. A previsão fala em um aumento das temperaturas, mas nada tão significativo. E nessas condições, é possível prever uma disputa tripla pela pole. Agora, para domingo, tudo pode mudar sensivelmente, também diante do cima.
“De fato, o tópico das temperaturas é definitivamente um fator a ser levado em consideração visando a corrida. O domingo deve ser mais quente e ensolarado, e a pista pode ficar até dez graus mais quente do que estava nesta sexta, já que a corrida começa às 14h (locais), enquanto o segundo treino livre começou às 17h”, disse o engenheiro da Pirelli.
“Será interessante ver como as equipes vão encarar a classificação, tanto em termos de uso do pneu médio quanto do gerenciamento dos macios, já que ainda há uma sessão de treinos livres neste sábado. As simulações indicam que duas paradas são a estratégia mais rápida e, por enquanto, não há indícios de que isso possa mudar, mas saberemos mais amanhã à tarde.”
A Fórmula 1 realiza o GP do Canadá neste fim de semana, de 13 a 15 de junho, em Montreal, décima etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP do Canadá de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 3 | 13:30 | 15:30 | 17:30 | 18:30 |
| Classificação | 17:00 | 19:00 | 21:00 | 22:00 |
| Corrida | 15:00 | 17:00 | 19:00 | 20:00 |
*Horários em Brasília
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