Meros escudeiros, Räikkönen e Bottas são marionetes finlandesas nos filmes de Ferrari e Mercedes

Finlandeses e meticulosos. Poderia ser um filme, mas o roteiro que embala o 2018 de Kimi Räikkönen e Valtteri Bottas não os faz protagonistas da história da temporada. E como escudeiros, a missão é bem clara: dar suporte e sair dos holofotes na busca pelo título mundial

A F1 tem, hoje, dois protagonistas disputando o campeonato de 2018. Sebastian Vettel e Lewis Hamilton brigam pelo pentacampeonato e pela marca histórica de alcançar Juan Manuel Fangio, argentino multicampeão que, com cinco títulos mundiais, figura atrás apenas de Michael Schumacher. E é então que um papel muito importante surge: os coadjuvantes, fiéis escudeiros que, querendo ou não, se tornam peças importantes na estratégia, corrida a corrida. Nesta temporada, coincidentemente, os dois finlandeses do grid — Kimi Räikkönen e Valtteri Bottas — foram designados para a função, mas vivem realidades muito diferentes dentro do personagem de segundo piloto.
 
Os dois já viveram situações onde não foram a prioridade e sabem que estão ali para isso. Como verdadeiras marionetes dos chefes de equipe, agem de acordo com a ordem do rádio e cedem posição, testam pneus, seguram adversários. Tudo em prol do grande nome de cada time. 
 
Entretanto, o momento da carreira dos finlandeses diz muito sobre a relevância que a posição toma dentro do campeonato. A situação de Räikkönen é diferente da de Bottas. Kimi já se consolidou no automobilismo, foi campeão mundial — o último pela Ferrari —, e está no fim da sua passagem pela F1. Além de tudo, possui uma relação muito boa com Vettel, tornando a situação aparentemente menos desconfortável.
 
Isso, é claro, não significa que abra mão das suas melhores oportunidades quando pode, realmente, lutar por elas, mas demonstra entender o jogo de equipe, mesmo que sua personalidade polêmica não evite situações como no GP da Alemanha, onde deixou claro que queria ouvir a ordem para deixar Vettel ultrapassar com todas as letras.
 
“Me desculpem, poderiam ser mais claros? Vocês querem que eu deixe ele [Sebastian] passar? Só me digam!”, exclamou Kimi no rádio, quando foi chamado por Jock Clear, engenheiro chefe, na volta 38. 
A posição de 'fiel escudeiro' recaiu sobre os finlandeses nesta temporada (Foto: Reprodução)
Bottas ainda está em busca da solidificação de sua trajetória. Com apenas três vitórias — e nenhuma neste ano — é ofuscado por Hamilton, que tem toda a atenção da equipe. Ao mesmo tempo que faz o que deve ser feito para se manter à frente, o #77 não consegue engatar em um ritmo para, de fato, vencer o companheiro de time.
 
E o piloto da Mercedes já bateu na trave algumas vezes com pole-position — no GP da Espanha e da França, ficou a menos de 0s1 de largar na frente — o que indica potencial, mas também um fator que pode ser até psicológico. Bottas deu, depois do GP da Hungria, uma declaração dizendo que ser chamado de “um bom escudeiro” o deixava chateado. 
 
“Machuca um pouco”, afirmou quando Toto Wolff se referiu ao trabalho de Valtteri em pista, segurando a posição de Vettel o máximo possível na corrida.
 
De uma forma ou de outra, Räikkönen e Bottas ocupam uma posição que as equipes prezam, cada vez mais, na hora de escolher seus line-ups e são peças da ambição de alcançar o título mundial, tanto para um de seus pilotos quanto para o próprio time. Pode ser um caminho para mostrar o talento em um bom carro, andar na frente e estar entre os melhores do grid, mas, para os finlandeses nesta temporada, a missão é sair dos holofotes e agir nos bastidores para que os tetracampeões possam batalhar, não tão sozinhos, pelo cobiçado quinto título mundial.

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