Montezemolo nega usar veto para anular regra de pontos dobrados, mas critica: “Parece muito artificial”

Presidente da Ferrari não negou descontentamento com regulamento que prevê pontuação dobrada para pilotos no GP de Abu Dhabi, última prova de 2014. Equipes foram pressionadas por Bernie Ecclestone para votarem a favor da mudança, por conta de exigências das TVs e promotores dos GPs: "Eles disseram 'sim', nós não vamos dizer 'não'"

 
Desde a confirmação do novo regulamento da F1 para a temporada 2014, o assunto que mais chamou a atenção foi a regra que atribui pontuação dobrada aos pilotos na última prova do campeonato, em Abu Dhabi. A medida aparece como uma forma de garantir que a luta pelo título sobreviva até a corrida final, sem desfechos antecipados.
 
Contudo, a novidade foi amplamente criticada por fãs e, principalmente, pilotos da categoria. O que poucos sabiam, até então, é que as próprias equipes votaram de forma unânime a favor do novo formato e decidiram por ele – ainda que pressionados por Bernie Ecclestone, presidente da FOM, que recebeu cobranças das emissoras de TV e promotores da corrida para que a disputa do campeonato durasse mais tempo dentro do calendário. A informação é do site da revista 'Autosport'.
 
Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, não escondeu o descontentamento com o formato. No entanto, entende que somente após vê-lo na prática poderá julgar com mais precisão. "Houve essa decisão para dar um monte de pontos na última corrida, mas não estou muito entusiasmado com isso. Parece muito artificial. Veremos", afirmou o dirigente italiano à imprensa presente em Fiorano, nesta sexta-feira (20).
¯_(ツ)_/¯ (Foto: Getty Images)
Montezemolo usou como exemplo a mudança na pontuação por vitória no futebol de dois para três pontos, mas enfatizou que a medida foi adotada para campeonatos inteiros. "Eu me lembro quando, no futebol, passaram a dar três pontos para o vencedor só para evitar que todas as equipes empatassem. Mas isso foi desde o primeiro até o último jogo", disse.
 
"Pessoalmente, tenho minhas dúvidas. A melhor maneira de discutir e descobrir pode ser fazer um teste de um ano e depois ver. Agora é muito cedo para dizer. Também não quero dar a impressão de que as equipes disseram sim para isso e, agora, nós vamos dizer que não. Apenas tenho dúvidas. Disse isso para [Jean] Todt e a Bernie em particular."
 
Questionado sobre a possibilidade de anular este item do novo regulamento usando o polêmico poder de veto que a escuderia italiana possui, Montezemolo foi enfático: "Acho que o direito de veto da Ferrari tem que ser usado em algo necessário e que seja mais importante e profundo para a F1", assegurou. 
 
"Mas eu não ficaria surpreso se essa decisão, no futuro, for alterada, assim como a F1 mudou várias vezes o formato de classificação, para dar um exemplo."
 
Stefano Domenicali, chefe da Ferrari, tem uma opinião diferente da de seu superior e pensa que a polêmica regra pode ser, sim, modificada, antes de ser realizada. "Não seria errado reconsiderar, porque isso significa que você ouviu todas as partes interessadas."

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