“Muito diferente” após primeiras provas, Nasr almeja top-10 no campeonato e afasta rótulo “estúpido” de pagante

Felipe Nasr avaliou suas oito primeiras corridas em 2015 e disse que já aprendeu muito nesta estreia na F1, que já é um piloto muito diferente daquele que começou o ano com o quinto posto na Austrália. Mesmo elogiando a Sauber, o brasileiro reconheceu que o pacote técnico da equipe suíça é limitado e que dificilmente terá chance de fechar o ano entre os dez melhores

Felipe Nasr fez uma análise destas primeiras oito corridas da temporada de estreia na F1 e, embora admita que será difícil terminar o ano dentro do top-10 da classificação, entende que tem feito um trabalho consistente e aproveitado, na medida do possível, todas as oportunidades que estão surgindo. Mesmo elogiando, o brasileiro foi realista ao falar da Sauber e reiterou que a equipe suíça luta em 2015 com um pacote técnico bastante limitado.

A avaliação do campeonato começou na Austrália, na primeira prova do ano, em que Nasr terminou em quinto, na melhor estreia de um brasileiro no Mundial. E definiu o fim de semana como fantástico, perfeito, apesar do início tumultuado, devido ao imbróglio entre Sauber e Giedo van der Garde. "Eu não poderia ter pedido por mais", disse o piloto de 22 anos em entrevista à emissora britânica Sky Sports.

"Foi a minha primeira corrida na F1, e o quinto lugar foi algo especial. Eu sabia que as melhores oportunidades viriam nas primeiras corridas, porque o carro parecia muito competitivo na pré-temporada. Por isso, nós apenas tínhamos de aproveitar todas as chances, e acho que fiz isso. Não foi uma corrida fácil, eu tive de segurar Daniel Ricciardo, mas a equipe fez tudo certo e pudermos ver o quanto o carro estava melhor em relação ao ano passado", completou.

Apesar da estreia, a Sauber não conseguiu seguir com mesmo nível nas provas seguintes. E Nasr reconheceu que agora está cada vez mais difícil de manter uma performance parecida com a de Melbourne, especialmente porque os principais rivais agora estão melhores a cada etapa.

"A Sauber sabia com o que estava lidando, e é bom saber que eu também ajudei no desenvolvimento. Nós trabalhamos em todas as áreas do carro, mas, conforme o ano vai passando, também é cada vez mais difícil competir com os nossos rivais, porque todos têm dado um passo à frente a cada prova, com atualizações e tudo mais, o que não é o nosso caso", explicou.

Felipe Nasr durante a primeira sessão de treino livre para o GP da Áustria (Foto: AP)

Apesar das dificuldades, Felipe acha que o time chefiado por Monisha Kaltenborn está no caminho certo. "Ainda estamos limitados com o nosso pacote, mas temos de enfrentar isso da maneira certa. Acho que estamos extraindo tudo do carro, mesmo com um orçamento menor em comparação com as outras equipes, por isso ainda acho que estamos fazendo um ótimo trabalho", acrescentou.

O brasiliense também foi questionado sobre o melhor desempenho que vem mostrando na comparação com o colega de equipe Marcus Ericsson. Feliz com o rendimento, Felipe não escondeu que quer mais. "Marcus tinha um ano de experiência na F1, por isso é sempre bom ter alguém como ele na equipe, porque isso só acrescenta. E acho que ele fez isso. Nós nos damos bem e é sempre bom ter essa comparação, porque ele também está fazendo o seu melhor e estamos lutando pela mesma coisa", disse o piloto.

"Mas eu quero mais que isso. Não se trata apenas de terminar na frente dele, é sobre ter sucesso em todas as corridas. Os pontos, é claro, são os objetivos nesta temporada, mas sabemos que está cada vez mais difícil", emendou.

Nasr declarou ainda que o desejo é terminar o ano no top-10, mas acha quase impossível. "Adoraria terminar o ano entre os dez, mas não vejo isso acontecendo agora, porque, como eu disse, as outras equipes estão começando a marcar pontos com mais frequência. Porém, para ser uma temporada positiva, eu acho que é preciso continuar a fazer o que estamos fazendo, que é terminar todas as corridas." 

"Eu posso dizer que tento viver todas as experiências e que sou um piloto muito diferente do que era no início do ano. Sinto que já aprendi uma porção de coisas e que estou melhorando. E acho que isso é o que importa para qualquer piloto: quanto mais experiência você tiver, mais você aprende e coisas melhores aparecem no futuro", completou o novato.

Por fim, Felipe voltou a falar sobre o forte patrocínio do Banco do Brasil que o ajudou a assegurar a vaga na Sauber e afastou de novo o rótulo de piloto pagante na F1. "Acho que é meio estúpido que alguns ainda pensem dessa forma. É realmente uma maneira pequena de pensar, porque acho que mais países seguem esse exemplo e apoiam seus competidores. Eu estou junto com o Banco do Brasil nos últimas quatro ou cinco anos, temos um projeto da minha carreira e fomos capazes de dar um passo de cada vez. E estou feliz em dizer que nunca tive de pagar para correr", defendeu.

"Quando eu tinha 16 anos, recebi ofertas da Red Bull, da Gravity e de outros programas de jovens pilotos, mas eu escolhi seguir com Steve Robertson [empresário de longa data] e ainda trabalho com ele. Com 16, eu já tinha meu próprio carro, meu salário e minha própria casa. E nunca tive de pagar para correr em nenhum campeonato em que estive. Acho, na verdade, que outras pessoas deveriam seguir esse exemplo e ter esse tipo de empresa apoiando seus próprios esportistas. Acredito que as pessoas estão apenas interpretando de forma errada", encerrou.

Atualmente, Nasr ocupa a 11ª posição no Mundial de Pilotos, com 16 pontos. O líder é o inglês Lewis Hamilton

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