Na Garagem: Dilúvio na Itália revela Vettel ao mundo e vê pódio mais jovem da história

Curiosamente, o pódio foi formado por Vettel, Kovalainen e Kubica – justamente os três pilotos que venceram pela primeira vez naquele ano. Esse trio é responsável pelo pódio mais jovem da F1, com 23 anos e 350 dias de média de idade: metade do pódio mais velho da história

O campeonato de 2008 foi um dos mais emocionantes da história da F1. Lewis Hamilton e Felipe Massa decidiram a contenda na última curva, literalmente. Apesar do protagonismo de ambos, o campeonato não se resumiu à luta entre o brasileiro e o inglês. Além deles, Kimi Räikkönen e Robert Kubica também tiveram reais chances de título até o GP do Japão.
 
Naquele ano, a F1 viu outros cinco vencedores: Räikkönen, Fernando Alonso, Heikki Kovalainen, Kubica e Sebastian Vettel – estes três últimos venceram pela primeira vez naquele ano. Ao todo, foram sete vencedores diferentes na temporada – o ano mais competitivo da F1 desde 1986.
 
As vitórias de Kubica e Kovalainen foram em pista seca e ocorreram, principalmente, por abandonos alheios. O polonês venceu no Canadá depois de Hamilton bater em Räikkönen nos pits – a manobra bizarra tirou ambos da prova. Já a vitória do finlandês da McLaren na Hungria aconteceu por conta de uma quebra de Massa. O motor do brasileiro da Ferrari explodiu na penúltima volta, levando Massa às lágrimas.
 
Já a vitória de Sebastian Vettel na Itália aconteceu com todos os rivais na pista. O alemão da Toro Rosso – a antiga Minardi – veio, viu e venceu debaixo de uma chuva de proporções diluvianas no Parco di Monza. A corrida, datada de exatos sete anos atrás, entrou na história da F1. A vitória do alemão lembrou muito a conquista de Senna em Estoril em 1985: com um carro mediano, um piloto talentoso deu show na chuva e assombrou a F1.
Sebastian Vettel venceu pela primeira vez na carreira em Monza, na Itália, em 2008 (Foto: Reprodução)
Durante os treinos, a chuva embaralhou o grid. Adrian Sutil, da Force India, e Rubens Barrichello, com uma péssima Honda, lideraram os treinos de sexta. Um prelúdio para o que aconteceria no sábado: Räikkönen e Hamilton, postulantes ao título, ficaram apenas em 14º e 15º, eliminados ainda no Q2. As equipes seguraram ambos nos pits até o fim da sessão e, com o aumento da chuva, eles não puderam melhorar seus tempos. Massa largou apenas em sexto.
 
Com a bagunça na folha de tempos trazida pela chuva, duas Toyota, duas Toro Rosso, uma Red Bull e uma Williams estavam na parte final do treino. Apenas Vettel e Kovalainen tinham os carros acertados para chuva e o alemão cravou a pole com o tempo de 1min37s555. O único com tempo próximo foi o finlandês, com 1min37s631. 
 
Todos os outros andaram em 1min38s para cima. O tempo de Vettel garantiu a posição de honra e um lugar na história: com 21 anos e 72 dias, foi o pole mais precoce da F1. O recorde anterior era de Fernando Alonso, com 21 anos e 236 dias, obtido na Malásia em 2003. Era o primeiro de dois atos de Sebastian naquele fim de semana na Itália.
 
O hoje tetracampeão manteve a ponta na largada e trouxe Kovalainen com ele. Hamilton e Massa, brigando pelo título, iniciavam corridas de recuperação. O inglês ultrapassou Kimi Räikkönen, Nick Heidfeld, Timo Glock, Robert Kubica e Fernando Alonso, chegando rapidamente na zona de pontuação. Massa passou o alemão Nico Rosberg, da Williams, e assumiu a quarta posição. A tabela marcava 76 x 74 para o inglês – mantidas as posições, Massa assumiria a liderança da temporada faltando apenas quatro provas para o fim da temporada.
 
Somente quando fez o seu pit-stop, na volta 18, Vettel deixou a liderança. Nessas quatro voltas, quem liderou foi Kovalainen. Fora isso, o alemão sempre teve mais de dez segundos de folga na ponta. Contrariando aqueles que pensavam que a Toro Rosso não aguentaria a pressão e cederia a ponta em algum momento, Vettel guiou de modo seguro, digno de um veterano.
 
Hamilton, no meio do pelotão, fazia uma escalada impressionante: com uma McLaren dois segundos mais rápida que o resto, grudou em Alonso. O revival da temporada de 2007 não aconteceu: o espanhol não ofereceu resistência ao inimigo de um ano atrás. Lewis já era sétimo e Massa era quarto, na 20ª das 53 voltas.
 
Massa, Kovalainen e Mark Webber pararam apenas duas voltas depois. O brasileiro, preso atrás da BMW de Nick Heidfeld, perdeu preciosos segundos na briga com Hamilton pelo título. Vettel retomou a ponta e não saiu mais da dianteira, mesmo parando na volta 36 para colocar pneus intermediários. Kubica fez a mesma escolha e emergiu em terceiro após sua parada.
 
“A placa indicava P1 e, mais do que isso, liderança com mais de dez segundos de vantagem. Puta merda, se eu me mantiver na pista, vou ganhar essa corrida. Desculpa o palavrão, mas era algo inacreditável”, disse Vettel ao lembrar a vitória em entrevista para a ESPN inglesa. O resultado é o melhor da história da Toro Rosso. Mais impressionante: com 35 pontos, o jovem alemão somou mais pontos que os outros três carros da marca da Red Bull – David Coulthard, Mark Webber e Sébastien Bourdais – juntos.
Vettel celerba vitória (Foto: Red Bull/ GEPA pictures/ Bildagentur Kraeling)
Foi o início de uma trajetória vitoriosa. A partir desse GP, a F1 disputou 98 provas até o GP do Brasil de 2013. Nesse período de cinco anos e dois meses, ele venceu 38 provas e conquistou 45 poles. Essas marcas renderam a Vettel quatro campeonatos mundiais, deixando o alemão somente atrás de Alain Prost e Juan Manuel Fangio em número de títulos. A “aparição” de Vettel em Monza 2008 se confirmou como uma certeza nos anos seguintes.
 
Curiosamente, o pódio foi formado por Vettel, Kovalainen e Kubica – justamente os três pilotos que venceram pela primeira vez naquele ano. Esse trio é responsável pelo pódio mais jovem da F1, com 23 anos e 350 dias de média de idade: metade do pódio mais velho, com 46 anos e 263 dias, composto por Giuseppe Farina, Luigi Fagioli e Louis Rosier, no GP da Suíça de 1950.
 
Esse GP pouco alterou a luta pelo título: Massa foi sexto e Hamilton, sétimo. Assim, com quatro provas para o fim da temporada, a tabela mostrava 78 pontos para o inglês e 77 para o brasileiro. Kubica, com 64, mantinha chances de título. Alonso ganhou os dois GPs seguintes, criando um período de três corridas na temporada sem vitórias dos candidatos ao título.    

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