Na Garagem: Clark vence na Itália e conquista 1º título na F1 com 3 etapas de antecedência
Jim Clark precisava de apenas uma vitória para conquistar não apenas o seu primeiro título entre os pilotos, como também levar a lendária Lotus ao Olimpo do automobilismo
Em qualquer lista de melhores pilotos da história da Fórmula 1, o nome de Jim Clark certamente estará lá. E há exatos 60 anos, num 8 de setembro, a conquista do seu primeiro título ilustra por que até hoje, o ‘escocês voador’ ainda é considerado um dos gênios do automobilismo.
O ano era 1963, época completamente diferente da vista hoje. Para começar, estamos falando de um período em que as temporadas contavam com dez GPs e exalava um romantismo curiosamente desproporcional ao seu altíssimo risco. Mas talvez seja exatamente isso que faça dos pilotos da época um pouco deuses da velocidade.
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Clark era um desses deuses, e chegou à Itália, sétima etapa daquele ano, precisando de apenas uma vitória — e o ‘apenas’ aqui aplica-se, pois o representante da lendária Lotus já havia cruzado a linha de chegada em primeiro outras quatro vezes. Acontece que na ocasião, a F1 trabalhava com o sistema de descartes, validando apenas os seis melhores resultados de cada piloto.
Clark, em performance quase dominante, já colocava 20 pontos de frente para John Surtees, seu principal rival na briga do título — 42 de 54 possíveis. E por mais que o piloto da Ferrari saísse vencedor, restariam mais três etapas para Jim liquidar o assunto.
Veio, então, o primeiro susto: diante da aficionada torcida da Ferrari, Surtees colocou o bólido do cavalinho rampante na posição de honra ao cravar 1min37s300, 0s8 à frente de Graham Hill e deixando Clark somente em terceiro, 1s2 atrás do rival. Só que Surtees partiu mal e foi logo superado pela dupla, até que conseguiu ao menos recuperar um posto para cima de Clark e fechou a primeira volta em segundo.
Mais dois giros, Surtees mostrou que não seria assim tão fácil vencê-lo no que dependesse dele: passou Hill aproveitando o vácuo do veloz circuito de Monza (ainda sem as hoje tradicionais chicanes) e reassumiu a liderança, deixando o pepino para Clark. O escocês, porém, precisou de apenas mais uma volta para se colocar imediatamente atrás de John.
A partir dali, a batalha foi intensa, em que a Lotus igualava forças com a Ferrari nas curvas, mas perdia rendimento nas restas. E assim perdurou até a volta 17 de 86 programadas, quando Surtees foi traído pelo motor da sua Ferrari, abandonando a disputa.
Clark ainda precisou de muito arrojo e fôlego para bater Hill e Dan Gurney após intensa troca de liderança entre o trio. Contudo, a dupla também ficou na mão por problemas mecânicos: Graham parou por conta da embreagem, enquanto Gurney perdeu rendimento e deixou a briga pela vitória após um problema na alimentação de combustível.
A partir dali, era apenas questão de administrar a vantagem e cuidar para que o carro da Lotus também resistisse sem problemas. Foi exatamente o que Clark fez, dando-se ao luxo de permitir até que Richie Ginther, agora em segundo, recuperasse a volta tomada ao longo da prova. Bruce McLaren completou o pódio.
A temporada de 1963 representou não apenas a conquista do primeiro título, como colocou Jim Clark no topo das estatísticas. Naquele instante, liderou o ranking de triunfos por temporada, além de ter se tornado o primeiro campeão com três etapas de antecedência. De quebra, ainda colocou o nome Lotus no Olimpo do automobilismo, entrando definitivamente para a história do esporte a motor.
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