Na Garagem: lendário Fangio alcança bi no último GP da F1 em terras suíças

Juan Manuel Fangio conquistava, há 61 anos, o bicampeonato mundial de F1 na última vez que a categoria realizou uma corrida na Suíça. Aquele ano marcou uma quebra de hegemonia italiana no certame, já que o mítico argentino chegou ao título com a Mercedes. Hoje, a grande estrela da marca prateada é Lewis Hamilton

O GP da Suíça teve apenas seis edições — a última delas aconteceu, na verdade, em Dijon (França) em 1982. Tudo isso porque em 1955, um terrível acidente em Le Mans fez o governo helvético proibir as corridas de automóveis no país. Desse modo, o GP da Suíça teve uma breve existência, entre 1950 e 1954. A mais importante delas foi justamente a última edição, ocorrida em 22 de agosto de 1954.

A temporada marcou a volta da Mercedes à F1 no pós-guerra. A escuderia havia feito sucesso nas competições pré-F1 e o chefe de equipe era o lendário Alfred Neubauer. Neubauer foi o primeiro comandante de operações a utilizar as famigeradas ordens de equipe, fazendo os pilotos trocarem de posição conforme a conveniência do time. Ele convenceu Fangio a correr pela Mercedes.

Fangio vencia o GP da Suíça e alcançava o bicampeonato mundial de F1 (Foto: Getty Images)

No entanto, o W196, mítico modelo da equipe prateada, só ficou pronto na terceira prova do ano e, enquanto isso, Fangio disputou essas três etapas pela Maserati. Sábia decisão, pois ele venceu as etapas da Argentina e da Bélgica pela escuderia italiana, abrindo uma vantagem de oito pontos na tabela logo no primeiro terço do campeonato.

Fangio nadou de braçada quando o bólido da Mercedes ficou pronto: venceu quatro das seis etapas restantes e pontou nas outras duas. Froilán González, da Ferrari, ainda esboçou reação com a vitória na Inglaterra e o segundo lugar na Alemanha, mas não conseguiu deter o compatriota. O ano de 1954 marca uma coincidência única: dois argentinos no topo da tabela da F1. Depois deles, apenas Carlos Reutemann disputaria o título de um Mundial, sendo terceiro em 1980 e vice em 1981.

Se quisesse manter as chances de título, González precisava vencer o GP da Suíça, a sétima etapa do Mundial de 1954. Ao chegar em Bremgarten, ele estava 19 pontos atrás de Fangio e ele poderia marcar apenas 27 – 24 por três vitórias e três pontos pelas voltas mais rápidas. O piloto ferrarista começou bem a tentativa de virada: marcou a pole com o tempo de 2min39s5.

Porém, a briga entre os argentinos aconteceu apenas na largada. Fangio largou bem e tomou a dianteira, seguido por González e Stirling Moss. Mike Hawthorn, parceiro de González na Ferrari, logo passou ambos e estava em segundo. No entanto, um problema no acelerador causou o abandono do inglês na 30ª das 66 voltas previstas.

Maurice Trintignant, também do time de Enzo Ferrari, estava então em segundo, mas abandonou três voltas depois. González era o único ferrarista entre os ponteiros e estava novamente em segundo na volta 33. No entanto, não havia como competir com a resistência e, principalmente, a velocidade das flechas prateadas.

Hans Kling, parceiro de Fangio, era prova desse melhor desempenho. O alemão rodou logo nas primeiras voltas e caiu para o final do pelotão. Mas em menos de 30 voltas, ele já estava em terceiro, atrás somente de Fangio e González. Assim, a metade final da prova foi uma procissão: Fangio venceu com 58 segundos de vantagem para o compatriota.

A conquista de Fangio tinha uma simbologia enorme: era o primeiro campeão a bordo de um carro não-italiano. Nos 12 primeiros anos de F1, apenas Mercedes e Cooper romperam esse predomínio das equipes da bota. O argentino obteve nove vitórias com as flechas prateadas. Essa marca só seria batida por Lewis Hamilton em 2014. Lewis foi o primeiro piloto a ter mais vitórias que Fangio com uma Mercedes e também o único a ser campeão com a escuderia alemã após o argentino.

Também nesse GP da Suíça, Fangio tomou para si outro recorde: com a 12ª vitória na carreira, o argentino se tornava o piloto mais vitorioso da F1. Ele somou mais 12 vitórias na carreira depois dessa corrida e seu recorde de 24 vitórias só foi batido em 1968, por Jim Clark, no GP da África do Sul.

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