Na Garagem: Teo Fabi colocou Benetton na história com primeira pole na Áustria

Teo Fabi foi o responsável pela primeira pole-position da Benetton na história da F1. O feito aconteceu em 17 de agosto de 1986. Apesar da posição de honra, o italiano não conseguiu levar a equipe ao pódio

No dia 17 de agosto de 1986, apenas uma semana depois do GP da Hungria e da ultrapassagem de Piquet sobre Senna, a F1 estava pronta para o GP da Áustria, no veloz circuito de Zeltweg. Na altitude dos vales austríacos, nenhum dos quatro pilotos envolvidos na luta pelo título estava entre os quatro melhores do grid.

O melhor deles, Alain Prost, da McLaren, aparecia apenas em quinto. Nigel Mansell e Nelson Piquet, dupla da Williams, vinham em sexto e sétimo. Ayrton Senna, com a Lotus, se colocou apenas em oitavo. Tudo isso porque Porsche, Honda e Renault não conseguiram enfrentar os motores da BMW.

Com isso, a pole-position ficou nas mãos de Teo Fabi, da Benetton — a primeira da equipe multicolorida. Gerhard Berger, parceiro do italiano, ficou em segundo e assegurou a dobradinha da Benetton. O motor BMW de 1.400 cv do B186 é o mais potente da história da F1. Em quarto lugar, apareceu Ricardo Patrese, da Brabham, também com motor BMW. Keke Rosberg, com a outra McLaren, era o único intruso na festa da BMW em Zeltweg.
Teo Fabi foi o pole do GP da Áustria de 1986 (Foto: Reprodução/Forix)
Depois das duas poles de Teo Fabi em 1986 — a outra foi obtida na corrida seguinte, em Monza —, a Benetton ficou oito anos sem poles. Somente quando viveu a era Michael Schumacher é que a Benetton virou um time de ponta. Isso só reforça a importância das duas poles obtidas pelo italiano três décadas atrás. 
 
No entanto, o que o motor BMW tinha de potente, tinha de frágil. O motor de Patrese deu sinais de falha ainda na volta de apresentação. Bernie Ecclestone, então chefe de equipe na Brabham, pediu ao inglês Derek Warwick para ceder seu carro ao italiano. O inglês largava apenas em décimo e o futuro chefão da F1 achava que o italiano tinha chances de vitória por sair na segunda fila. Ledo engano: em apenas três voltas a outra Brabham também abriu o bico.
 
Berger tomou a ponta de Fabi logo depois da largada. Prost, Mansell e Piquet vinham logo em seguida, mas sem acompanhar o ritmo das duas Benetton. Senna ficou preso atrás de Rosberg e permanecia em sétimo. O brasileiro da Lotus teve um problema elétrico na volta 12 e, com o abandono, via minguar suas chances de título.
 
Cinco voltas depois, Fabi deu o troco e tomou a ponta de Berger. A alegria do italiano não durou sequer uma volta: o motor BMW estourou duas curvas depois, e o austríaco retomou a liderança. Prost, bem ao seu estilo, segurava o segundo lugar e apenas assistia às quebras alheias. Com a parada do francês nos boxes e um problema elétrico no carro de Berger, Mansell assumiu a ponta.
 
Mansell era líder da prova e do campeonato. Caso vencesse, com Piquet em segundo e Prost em terceiro, o inglês abriria 14 pontos para o francês e 11 para o brasileiro. Uma bela vantagem, sendo que só faltariam quatro provas para o fim da temporada. Mas o sonho da Williams virou pesadelo em duas voltas: no giro 29, o motor de Piquet sofreu um superaquecimento e quebrou. Na volta 32, foi a direção de Mansell que começou a falhar. A vitória caiu no colo de Prost.
 
O ritmo do trio era tão intenso que, ao assumir a ponta, Prost tinha uma volta de vantagem para o resto do pelotão. Michelle Alboreto e Stefan Johansson, com as duas Ferrari, fecharam o pódio. Por conta dos 15 abandonos, as duas Lola Alan Jones e Patrick Tambay e a Arrows de Christian Danner chegaram na zona de pontuação. Ironicamente, o motor BMW mais bem colocado foi justamente o da Arrows do alemão. Era a primeira vez de Danner nos pontos.
Uma foto para a história: o quarteto fantástico que dominou a F1 nos anos 1980 (Foto: Getty Images)
Prost obtinha apenas a terceira vitória em 12 corridas. Mas a regularidade do francês fazia com que um campeonato que parecia destinado à Williams estivesse mais apertado do que nunca. Mansell tinha 55 pontos; Prost, 53; Senna, 48; Piquet, 47. Somente oito pontos separavam o “quarteto fantástico” e apenas outras quatro provas seriam disputadas.
 
A Benetton dava o primeiro passo, ainda tímida, rumo ao status de equipe média. A primeira vitória veio em 1986, no México, nas mãos de Gerhard Berger. Em 1989, Alessandro Nannini venceu, com a desclassificação de Senna em Suzuka. Piquet venceu outras três provas em 1990 (Japão e Austrália) e 1991 (Canadá), sempre contando com as quebras alheias. O estrelato veio depois de 1994, com Schumacher. Com o alemão, a equipe obteve 12 poles, 19 vitórias e dois títulos – virou time grande.

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