Na Garagem: Vitória de Frentzen na Itália fez Jordan pensar em ser campeã

Heinz-Harald Frentzen conquistou sua terceira e última vitória na F1 em Monza. Promissor, o alemão era considerado melhor que Michael Schumacher nas categorias de base, mas nunca repetiu o desempenho na F1. 1999 foi o seu melhor ano. Assim como foi o melhor ano da Jordan

A temporada de 1999 foi uma das mais atípicas da história da F1. Um evento desencadeou uma reviravolta na temporada: o acidente de Michael Schumacher em Silverstone. Até o GP da Inglaterra, o alemão e o finlandês Mika Häkkinen mandavam no certame, enquanto Eddie Irvine e David Coulthard serviam apenas de escudeiros na Ferrari e na McLaren, respectivamente.
 
Quando Schumacher perdeu os freios do carro na entrada da curva Stowe, entrou na barreira de pneus e quebrou a perna, fez com que os coadjuvantes de Maranello e Woking virassem protagonistas e trouxessem com eles um outro postulante ao título de 1999: ele atendia por Heinz-Harald Frentzen e pilotava a Jordan.
 
Fretzen vinha fazendo uma boa temporada com o carro da equipe irlandesa. Fora os abandonos em San Marino, Espanha e Canadá, o alemão terminou todas as outras dez corridas do quarto lugar para cima. Sempre que um piloto das duas grandes abandonava ou fazia bobagem, lá estava Fretzen se aproveitando e indo ao pódio.
 
No GP da França, a chuva fez da prova uma verdadeira corrida maluca. O time irlandês foi preciso na estratégia e, com isso, Fretzen conquistou sua segunda vitória na F1. Na prova seguinte, em Silverstone, Schumacher sofreu um acidente e perdeu outras seis corridas da temporada. Na Áustria, um toque entre as duas McLaren tirou pontos de Häkkinen. Desse modo, mesmo com equipamento inferior, o alemão se mantinha entre os quatro primeiros no campeonato. O GP da Itália era a 13a das 16 etapas e a temporada entrava numa fase crítica: qualquer erro seria fatal.
Frentzen fez um grande trabalho com a Jordan em 1999 (Foto: Reprodução)
A pista ajudava Fretzen: as longas retas eram propícias para um carro sem boa aerodinâmica, mas equipado com o potente motor Mugen-Honda. Com isso, ele se meteu entre as duas McLaren e foi segundo no grid, com o tempo de 1min22s926, apenas 0s494 atrás de Häkkinen, o pole. Coulthard foi terceiro com 1min23s177 e Irvine, o outro dos postulantes ao caneco, foi apenas oitavo – com a marca de 1min23s765.
 
Häkkinen sustentou a ponta na largada, seguido de Alessandro Zanardi, da Williams. O italiano saiu em quarto, sua melhor classificação no ano – ele fazia uma péssima temporada pela Williams. O finlandês da McLaren abriu vantagem porque Zanardi segurava o pelotão. Coulthard saiu da pista na primeira volta e sua McLaren perdeu rendimento.
 
Tudo se encaminhava para um tranquilo passeio de Häkkinen em Monza, mas um erro primário na volta 30 o tirou da corrida. Ele perdeu o controle do carro na primeira chicane, rodou e acabou nos pneus. A liderança caiu no colo de Frentzen, com Ralf Schumacher, da Williams, em segundo e Mika Salo, da Ferrari, em terceiro. A imagem da corrida foi um inconsolável Häkkinen chorando agachado atrás do guard-rail.
Frentzen no topo do pódio em Monza: o sonho do título estava vivo (Foto: Reprodução)

Para o finlandês, o erro doía. "Eu cometi um erro que arruinou a chance de estender minha liderança no campeonato". Ainda mais porque os outros concorrentes também tinham ido mal naquela tarde de 12 de setembro: Irvine ficou apenas em sexto, incapaz de ultrapassar Coulthard, em quinto, cuja McLaren praticamente se arrastava pelo circuito de Monza.

 
Esta foi a terceira e última vitória de Frentzen na F1. Promissor, o alemão era considerado melhor que Schumacher nas categorias de base, mas nunca repetiu o desempenho na F1. 1999 foi o seu melhor ano. Assim como foi o melhor ano da Jordan. Com a vitória de Frentzen, a tabela apontava Häkkinen e Irvine com 60 e o alemão estava apenas 10 pontos atrás. Para a modesta Jordan, o título do Mundial de Pilotos era uma possibilidade real.
 
Mas acabou não sendo. Hakkinen e Irvine acabaram indo para o 'match' no Japão. Os dois conheciam a pista como a palma da mão. Mas a maior experiência e o talento de Mika sobraram. Frentzen contentou-se com o terceiro lugar.
 

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