Na história da F1, 19 pilotos da F1 foram vice-campeões sem conquistar o título em outra oportunidade. Junto com Stirling Moss e Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson é reverenciado como um dos melhores pilotos a ter passado pela categoria sem nunca ter levantado o caneco.
Não sem motivo: o sueco era muito habilidoso, rápido e era mais carismático que seus parceiros. Foi Peterson também que primeiro usou o ‘drift’, técnica que consiste em deslizar o carro nas quatro rodas. Em suas nove temporadas na F1, Peterson pilotou pela March entre 1970 e 1972 e em 1976, pela Lotus entre 1973 e 1975, pela Tyrrell em 1977 e encerrou a carreira na Lotus em 1978.
Foi com Peterson que a March conseguiu seu melhor resultado na F1: terceiro lugar em 1971, com 33 pontos. Todos eles obtidos pelo sueco. Em um ano em que Jack Stewart conseguiu seis vitórias e um segundo lugar em 11 provas, Peterson foi vice-campeão na sua primeira temporada completa, mesmo sem obter nenhuma vitória. Para isso, Ronnie terminou sete corridas nos pontos, com quatro segundos lugares, conquistando o único vice-campeonato de pilotos da pequena March.
Ronnie Peterson morreu em 1978 depois de um acidente em Monza (Foto: Getty Images)
Com um carro pouco competitivo em 1972, o piloto obteria apenas um pódio, terminando o campeonato em nono lugar, com apenas 12 pontos. Em 1973, assinou com a Lotus, para compor equipe com o então campeão, Emerson Fittipaldi. Ronnie ganhou a primeira prova de sua carreira em Paul Ricard e foi esse seu ano mais vitorioso na F1: venceu também na Áustria, Itália e EUA. Apesar disso, ficou em terceiro no Mundial, com 52 pontos, atrás de Stewart e Fittipaldi.
Em Monza, o piloto viveu o ponto mais polêmico da sua carreira. Peterson venceu e não abriu passagem para o brasileiro, conforme o combinado entre Fittipaldi e Colin Chapman. Com o segundo lugar, o brasileiro não tinha mais chances matemáticas de alcançar Stewart. O episódio decretou a saída de Emerson da Lotus e Peterson virou primeiro piloto da equipe preta e dourada.
No ano seguinte, apesar das três vitórias, Peterson sofreu com a confiabilidade do carro. Com isso, ficou longe da disputa do título com apenas 35 pontos, 20 pontos atrás do campeão Fittipaldi. Em 1975, nada muito diferente: apenas três corridas nos pontos e um modesto 13º lugar, seu segundo pior resultado na F1. Em 1976, a vitória na Itália marcou a última conquista da March na F1.
A Tyrrell seria o destino do sueco em 1977. Na equipe do lendário Ken Tyrrell, Ronnie faria par com o francês Patrick Depailler. O carro não era tão competitivo, mas ele e Depailler chamariam a atenção por um motivo mais prosaico: o P34 foi o primeiro carro de seis rodas da F1. Os resultados foram modestos, e Peterson terminou o ano com apenas sete pontos contra 20 do francês. Em oito anos de F1 até então, foi a segunda vez que Peterson foi batido por um companheiro.
Já em 1978, Peterson teria, pela primeira vez, o melhor carro do grid. O Lotus 78 foi o primeiro carro da F1 a usar o chamado efeito-asa, fazendo com que o modelo pilotado por Peterson e Mario Andretti tivesse uma aerodinâmica melhor que a concorrência. Dali em diante, nenhuma escuderia pôde ignorar esse aspecto na construção dos carros.
Até a etapa de Mônaco, quinta corrida do ano, Peterson teve um abandono e uma quebra de câmbio. Com isso, viu o companheiro duelar com Depailler pela ponta do campeonato. No segundo terço da temporada, a Lotus conseguiu quarto vitórias e três dobradinhas em seis corridas. Todas elas com Andretti à frente. Assim, quando a F1 chegou a Zeltweg para o GP da Áustria, a diferença entre eles tinha passado de quarto pontos (18 x 14) para 18 (54 x 36). O sueco não dependia mais de si para ser campeão.
Peterson conseguiu a pole-position, em uma dobradinha da Lotus no grid. A surpresa foi a Renault de Jean-Pierre Jabouille em terceiro, graças ao motor Renault turbo e à altitude de Zeltweg. Fechando a segunda fila, Carlos Reutemann, da Ferrari. Emerson Fittipaldi ficou em quinto, obtendo o melhor grid de largada da Coopersucar.
A largada aconteceu com chuva forte, e Peterson manteve a ponta. Seu parceiro, no entanto, foi ultrapassado pelo argentino da Ferrari. Ainda na primeira volta, Andretti tentou retomar a posição e eles tocaram rodas. O norte-americano acabou na barreira de pneus e abandonou. Jody Scheckter estava em segundo, trazendo com ele o francês Depailler, que havia passado três carros também no primeiro giro da prova.
Na quarta volta, Scheckter rodou e bateu forte na Lotus abandonada por Andretti – algo muito semelhante com o acidente que vitimou Jules Bianchi. A corrida ficou sob bandeira vermelha, e um novo grid foi formado. Peterson era de novo pole, com Depailler, John Watson, Jacques Laffite, Didier Pironi e Niki Lauda compondo as três primeiras filas.
O sueco manteve a ponta conforme a pista secava e era seguido, sem ser incomodado, por Depailler. Reutemann e Gilles Villeneuve, a dupla da Ferrari, escalavam o pelotão ajudados pelo desempenho dos pneus Michelin. O canadense assumiu a ponta temporariamente, quando o sueco foi para os pits trocar para compostos de pista seca. Quando Villeneuve parou, na volta 28, Peterson assumiu a ponta e não deixou mais a dianteira da corrida. Depailler segurou a segunda posição e Gilles acabou em terceiro. Foi o primeiro pódio de Villeneuve.
A diferença para Andretti caiu pela metade: agora eram apenas nove pontos: (54 x 45). Ninguém poderia adivinhar o que aconteceria quatro semanas depois, em Monza. Um acidente envolvendo vários carros tirou Peterson da prova. Retirado dos destroços ainda com vida, o sueco morreu no dia seguinte, em 11 de setembro de 1978, no hospital, vitimado por uma embolia pulmonar. Terminava de maneira trágica a carreira do melhor sueco na história da F1.
Peterson venceu pela última vez na F1 na Áustria (Foto: Reprodução/Twitter)
Coincidência triste: a Lotus só voltaria a vencer quatro anos depois, também na Áustria, com Elio de Angelis. Nesse intervalo, os três pilotos do pódio de 1978 estariam mortos: Depailler morreu em 1980; Gilles, em Zolder, no ano de 1982. O próprio de Angelis também morreu na pista, num teste com a Brabham, em 1986.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!