F1

"Não há necessidade": mais circuitos de rua não são prioridade para Fórmula 1

A avaliação geral é de que as pistas urbanas precisariam ser realmente especiais para que entrem no calendário já inchado da categoria

Grande Prêmio / Editorial, de São Paulo
Os principais pilotos e equipes acreditam que a Fórmula 1 não deveria adicionar mais circuitos de rua ao calendário. A temporada de 2020 contará com o GP do Vietnã, que será realizado em um circuito de rua com 22 curvas e 5,565 km em Hanói.
 
Esta corrida — juntamente com a reintrodução do GP da Holanda em Zandvoort — faz parte de um novo conceito da Liberty Media — dona dos direitos da Fórmula 1 — inspirado no GP de Singapura, onde se aliam um destino turístico com uma etapa do campeonato mundial.
 
Alguns circuitos de rua conseguem ter disputas emocionantes, enquanto outros lutam para produzir corridas atraentes. Houve temores iniciais sobre o circuito de Baku, mas quase todas as corridas na capital do Azerbaijão foram muito boas. Enquanto isso, o Albert Park de Melbourne, o Autódromo de Sóchi, na Rússia, e até mesmo o célebre circuito de Monte Carlo, nas ruas de Monaco, não são imunes a críticas, pela dificuldade em se fazer ultrapassagens.
GP de Mônaco de F1 (Foto: Beto Issa)
A pressão por novos circuitos de rua vêm desde antes mesmo de a Liberty assumir o controle — eventos nas cidades Nova Jersey e Miami foram discutidos, enquanto Las Vegas, Dallas, Detroit e Long Beach receberam corridas nos anos 80, isso só nos Estados Unidos.
 
A F1 se mantém fiel aos seus anfitriões de longo prazo, com as extensões de contrato de Melbourne e Silverstone devidamente assinadas. No entanto, com as mudanças no regulamento de 2021 no horizonte, é hora de continuar com as pistas que incentivam grandes corridas e questionar aquelas que não o fazem.
 
Falando após o emocionante GP da Inglaterra, o líder do campeonato e estrela da Mercedes Lewis Hamilton sabia em quais circuitos o esporte deveria se concentrar. "Sabemos melhor do que qualquer um quais pistas temos as possibilidades de ultrapassar e quais não podemos", disse Hamilton. "Temos lugares onde você simplesmente não conseguimos acompanhar o carro da frente da melhor forma e ficamos uns atrás dos outros como um trem. E então, o que você prefere? Ter uma corrida em alguns lugares apenas por ter uma corrida — ou uma grande disputa?”
 
Sebastian Vettel concordou, dizendo que o tradicional circuito de Silverstone — que ganhou uma extensão para se manter no GP da Inglaterra até pelo menos 2024 — sempre garante corridas divertidas. "Estou feliz com Silverstone, vamos colocar dessa maneira. Eu acho que é um ótimo lugar. Não há problema em termos grandes corridas aqui e também não é difícil encher o autódromo com uma boa torcida”, disse.
 
“É uma das melhores corridas que temos. É uma multidão muito apaixonada também. Eu não acho que há uma forte necessidade de correr no meio das cidades. Não acho que haveria mais pessoas do que aqui. Isso é ótimo. Todos os anos lembro de mais de 100.000 fãs por final de semana”, completou o piloto da Ferrari.
Silverstone (Foto: Reprodução)
A Liberty também lançou a idéia de uma corrida nas ruas de Londres — não como um substituto para Silverstone, mas como um complemento. John Grant — presidente do British Racing Drivers ’Club, dono de Silverstone — reconheceu o “desejo de ter corridas de rua em locais turísticos” da Liberty para trazer uma nova audiência para o esporte.
 
No entanto, se Londres obtiver o selo de aprovação em um dia, o chefe da equipe da Red Bull, Christian Horner, enfatizou que provavelmente precisaria ser um “algo feito uma única vez”, apesar de ser uma iniciativa “fantástica”.
 
"Se for outro local fantástico, um circuito que acrescenta algo ao calendário de 21 corridas e tivermos sorte o suficiente para que dois deles sejam na Inglaterra, então eu certamente toparia", disse. "Espero que agora, com o investimento que Silverstone conseguir com a longevidade de seu contrato, começaremos a ver mais fãs se aproximando dos boxes e dos pilotos e carros por aqui."