
O GP DA CHINA trazia a expectativa de que
Lewis Hamilton, enfim, pudesse reagir e colocar fim à hegemonia e à fase dourada do rival Nico Rosberg. Mas antes do início do fim de semana, o tricampeão do mundo soube que seria punido por conta de uma troca de câmbio, largando cinco posições atrás em relação à posição obtida na classificação. No sábado, veio um novo revés: uma falha na quase intransponível unidade de potência da Mercedes o levou a largar no fim do grid, em último, algo que não acontecia desde o GP da Hungria de 2014.
E no domingo (17), outro azar: um toque na Sauber de Felipe Nasr logo nos primeiros metros da etapa chinesa acabou por novamente prejudicar seu ritmo de corrida. Lutando para se recuperar, Hamilton ainda foi ultrapassado com autoridade por Daniel Ricciardo e Kimi Räikkönen e não conseguiu superar um aguerrido Felipe Massa na fase final da prova. O sétimo lugar foi o que lhe restou, enquanto
Rosberg brilhou uma vez mais.
Há tempos não se via um Hamilton tão apático. Em três corridas, foram três erros que selaram sua sorte. Na Austrália, a falha foi na largada. Ainda assim, Lewis se recuperou para terminar em segundo. Já no GP do Bahrein, novamente a largada acabou por fazer com que o #44 ficasse sob a alça de mira de Valtteri Bottas, que o acertou na primeira curva. O terceiro lugar acabou saindo no lucro. E a vantagem de Rosberg aumentava ainda mais, com um placar apontando 50 x 33.
Lewis Hamilton foi o só o sétimo na China (Foto: Getty Images)
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Mesmo na China, na Xangai em que domina e é o recordista de vitórias, poles e pódios, Lewis esteve irreconhecível. E aí, quando os erros se sucedem, é inevitável questionar a motivação do piloto que dominou a F1 nos últimos dois anos. Estaria Hamilton de saco cheio do esporte? Acabou a motivação?
Sobre isso, vale um paralelo interessante. Depois de ter sido tricampeão da NBA em 1993, Michael Jordan, o maior jogador de basquete de todos os tempos, percebeu que não tinha mais motivação para jogar. Deixou o Chicago Bulls e o basquete, foi jogar beisebol e arejar a mente, ficando um ano longe das quadras. Depois de um ano e meio, viu que o bsquete era sua vida, o que mais gostava de fazer, e voltou. Foi novamente tricampeão da NBA.
Hamilton sempre se referiu a Ayrton Senna como seu grande herói e ídolo nas pistas. Quando teve a chance de superá-lo em número de vitórias e alcançar o brasileiro como tricampeão do mundo, parecia ter cumprido seu objetivo. O próprio piloto chegou a deixar claro isso em algumas oportunidades.
Aí, desde quando confirmou seu título no GP dos EUA, em Austin, a estrela de Lewis parece ter se apagado, enquanto Rosberg, único capaz de batê-lo por contar com o mesmo carro, vem tirando proveito da fase zicada e, por que não dizer, desmotivada de Hamilton, para dar a volta por cima e se mostrar como um cara finalmente capaz de ser campeão, deixando de lado a pecha de segundão que há tempos o acompanha.
De fato, Hamilton mudou de comportamento, e isso fica a cada corrida mais nítido. Não parece tão irritado quanto antes com os constantes azares. Além disso, o número incomum de erros também parece não abalar como em outros tempos. A mentalidade negativa que tanto o atormentava em seus primeiros anos de F1 parece ter desaparecido. No lugar, surgiu um Lewis mais sereno, é verdade, mas também um pouco menos concentrado.
Em contrapartida, Hamilton tem o respaldo e o respeito da Mercedes. No fim de semana, o chefão Toto Wolff se disse impressionado com o crescimento profissional e pessoal do britânico ao longo das três últimas temporadas. Para o austríaco, Hamilton está, sim, sabendo lidar bem com os resultados abaixo do esperado e com o sucesso de Rosberg.
Finalmente, chegou a vez de Rosberg (Foto: Getty Images)
"Ele está ótimo. O desenvolvimento que tenho visto nele, em termos de personalidade, nos últimos três anos é alucinante. Ele se encontrou em um lado mais pessoal. Você pode imaginar a pressão que está sofrendo agora, mas ele continua seguindo seus instintos e escolhendo seus caminhos, e isso parece que está funcionando muito bem", disse Wolff à imprensa inglesa.
E Lewis confirmou a impressão do chefe. "Talvez a minha mentalidade agora seja diferente, talvez eu esteja em em uma fase um pouco mais relaxada, mas isso não significa dize que não estou feliz. Eu me sinto confortável pelo que sou e estou feliz."
Talvez a F1 não seja mais a coisa que Hamilton mais goste de fazer na vida, especialmente diante de um cenário de decisões e regras esdrúxulas. A vida fora dos autódromos parece agora um pouco mais atraente do que há três anos, dada a maior liberdade que o piloto conquistou. Agora, cabe a Rosberg aproveitar a ‘fase mais Jordan’ de Hamilton.
O Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.
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