Opinião GP: F1 pune automobilismo ao dividir fim de semana com Le Mans e ainda sai perdendo no aspecto esportivo

A F1 errou feio neste fim de semana. E por pura birra. Ao dividir data com as 24 Horas de Le Mans, a maior das categorias puniu os fãs do automobilismo no mundo e ainda saiu perdendo. A corrida em Baku, que prometia acidentes e resultados inesperados, foi monótona e sem graça, enquanto a prova francesa foi recheada de grandes histórias, como a dolorosa derrota da Toyota e a vitória da Porsche

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A F1 ERROU. E errou feio desta vez. A maior das categorias decidiu fazer o seu inédito GP no Azerbaijão no mesmo fim de semana das 24 Horas de Le Mans, a mais importante corrida do endurance do planeta. E ao optar por essa aberração, por pura birra de seu chefe-maior, Bernie Ecclestone, a F1 puniu os fãs do automobilismo e ainda saiu perdendo no aspecto esportivo.
 
É bem verdade que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a entidade que rege o esporte a motor no mundo, já havia reservado as data entre 18 e 19 de junho para a corrida em Sarthe – tradicionalmente o período do ano em que sempre acontecem as 24h –, mas não se opôs quando a F1 decidiu também colocar o GP da Europa neste mesmo fim de semana, diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando o Mundial abriu mão de confrontar a corrida gaulesa.
 
E ao abrir mão, também permitiu aos seus pilotos a chance de presenciar e fazer parte de uma corrida icônica. Fernando Alonso, por exemplo, se encantou com a prova ao conhecê-la de perto. Ele, inclusive, foi o responsável pela bandeirada em 2014. E nunca escondeu a vontade de andar no lendário circuito francês. Mas quem mesmo pode celebrar as 24 Horas de Le Mans foi Nico Hülkenberg. 
 
A convite da Porsche, o alemão da Force India teve a oportunidade de correr no ano passado e, mais, de vencer a histórica corrida. A vitória de Hülkenberg ganhou enorme repercussão no paddock da F1 e proporcionou, é claro, um brilho extra à carreira do jovem piloto, que ainda tenta engrenar no Mundial. É evidente que essa popularidade toda irritou Ecclestone, que habitualmente não leva lá muito na boa esse tipo de interação. Daí a decisão.
A largada do GP da Europa em Baku, no Azerbaijão (Foto: Getty Images)

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Assim, o castigo veio a galope. Quando veio a organização do calendário, o inglês se mostrou implacável e jogou a prova em Baku junto com as 24h, mesmo diante da chiadeira geral, de pilotos à imprensa. É claro que, para um competidor da F1 seria impossível largar o seleto assento para correr a famosa prova de resistência nos dias de hoje, em que patrocinadores e contratos permitem pouca movimentação. 
 
Oficialmente, a FIA preferiu ficar em cima do muro e não esboçou vontade de forçar a F1 a mudar. Eis a explicação de Jean Todt: "Organizar um calendário é complicado. São 21 corridas da F1, dez provas da F-E, dez do WEC e 14 ralis. Criar um calendário sem conflitos é impossível."
 
Mas há conflitos que precisam ser evitados. E este era um deles. Pelo bem do esporte. 
 
Uma prova maior de que a F1 não pensou nos fãs está na organização de seu próprio calendário. Há uma semana, a categoria estava em Montreal, no Canadá, para a sétima etapa. Em menos de sete dias, teve de transportar tudo para o Azerbaijão, em um percurso que chegou aos nove mil km. É evidente que o Mundial sabe lidar bem com esses desafios logísticos, mas era algo totalmente desnecessário e sem sentido. 
 
Isso porque a data de 26 de junho ainda estava em aberto, por exemplo, e poderia ter sido usada para a prova do Azerbaijão, uma semana antes da corrida na Áustria, o que seria obviamente bem menos trabalhoso para a categoria como um todo. Ou ainda, poderiam ter tentado estabelecer uma dobradinha Rússia-Baku ou ainda Bahrein-Baku, o que faria mais sentido em todos os aspectos.
 
De novo, a F1 errou feio. Puniu seus fãs e os fãs do esporte a motor em geral. Mas acabou sendo punida também. A corrida nas ruas da capital azeri, sem qualquer tradição no automobilismo, foi chatíssima. Não teve emoção e nem o prometido tumulto devido à natureza do circuito urbano. É bem verdade que Sergio Pérez colocou alguma graça ao subir pela segunda vez ao pódio, mas só isso não torna uma prova espetacular, histórica. Nico Rosberg venceu em uma prova solitária e reagiu no campeonato. Só. 
Nico Rosberg venceu de ponta a ponta (Foto: Mercedes)
Não houve erros graves, acidentes e sequer o safety-car foi acionado. Nenhuma grande história para contar, em resumo. É mais ou menos como disse James Hinchcliffe sobre a Indy 500: ‘História não se compra’. Aqui vale um parênteses: há anos a F1 divide dia com a mais importante corrida da Indy, outra falha inexplicável. 
 
Já as 24 Horas de Le Mans foram sensacionais. Especialmente a parte final. É certo dizer que a corrida teve também poucos acidentes na comparação com edições passadas, mas é bom lembrar que o drama serpenteou os boxes das principais equipes e nada vai superar o dramático final, com a derrota dolorida, de partir o coração, da Toyota, que caminhava para a primeira vitória épica em Sarthe. A Porsche levou mais uma vez, mas isso é só uma parte da grande história que há para se contar dessa corrida.
Nakajima é carregado após descer do carro (Foto: Getty Images)
Ao fim e ao cabo, os fãs mereciam ter curtido na totalidade a prova francesa. 

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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