Opinião GP: F1 precisa encarar realidade: muda formato ou aposenta GP de Mônaco

Mônaco é uma joia na Fórmula 1, seja por tradição, seja pelo desafio que impõe aos pilotos, e isso tudo é muito importante, mas não mais o bastante. Os carros mudaram, o regulamento é outro. No entanto, a corrida no Principado seguiu irritantemente previsível e morna. Não fosse a bandeira vermelha a dez voltas do fim, nada demais teria acontecido. Chegou o momento em que ou se altera o formato ou é hora de dizer adeus

No calendário há mais de 70 anos, Mônaco ajudou a escrever capítulos importantes da própria jornada da Fórmula 1. As charmosas ruas do Principado sempre atraíram os grandes nomes, e a corrida é um marco, tanto do ponto de vista da histórico, uma vez que faz parte da chamada Tríplice Coroa do automobilismo, quanto pelo glamour que empresta ao Mundial. Todos os anos, a prova reúne gente graúda das artes, do esporte mundial, ricos de todas as partes e gente muito famosa, transformando a experiência de quem acompanha a prova, ainda que pela TV. Tudo isso é absolutamente natural, considerando a magnitude do lugar, o problema é que todo esse aparato não entrega nada além de uma corrida previsível e insossa. E isso há muito tempo.

Importante dizer ainda que nem é justo que um evento como o GP de Mônaco proporcione tão pouco em pista. Não se trata também de aposentar a corrida de vez. Mas a Fórmula 1 precisa reconhecer que há uma questão com o circuito monegasco em si. Porque não é concebível ter no calendário um traçado em que é quase impossível ultrapassar. Ainda, é contraproducente sustentar um fim de semana dos mais caros da temporada em que o sábado é mais emocionante que o domingo. Na ponta final, simplesmente não vende.

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Há quem defenda Mônaco pelo patamar de dificuldade que impõe aos pilotos, em função de seus muros próximos e ruas estreitas. Existe um ponto aí e não dá realmente para discordar. É necessário ter todo o tipo de pista em um campeonato mundial, ampliando o desafio a cada semana. Mas isso não pode se resumir apenas à classificação, como acontece ano após ano. A formação do grid é apenas uma parte da história, jamais pode ser o todo. E quando pilotos se contentam com isso, há algo muito esquisito.

Em 2025, a Federação Internacional de Automobilismo achou que uma simples regra de dois pit-stops seria suficiente para causar alguma balbúrdia — ao menos nos boxes. Fracasso retumbante. As equipes agiram rápido, protegeram seus pilotos e nada demais aconteceu, quase nenhuma posição mudou no pelotão. Outra tentativa foi a de reduzir o tamanho dos carros, mas o regulamento apresentou uma mudança apenas sensível em 2026. Para completar, a entidade teve de anular o recurso da aerodinâmica ativa neste ano, para evitar que os carros atingissem velocidades altas em um traçado apertado e ondulado.

Ou seja, nada realmente mudou. A corrida de 2026, inclusive, foi um repeteco de tantas outras em que, se o pole larga bem, ninguém mais o pega, independente de safety-car ou bandeira vermelha. E o tumulto final da edição deste ano também não pode mascarar os problemas — nem mesmo os do asfalto esfarelando, um vexame. Em condições normais, a prova ainda seria tediosa, marcada apenas por punições das mais estranhas.

Então, é hora de ou mudar completamente ou começar a considerar a etapa apenas como um evento comemorativo. Mas é necessário levar à sério. Um ponto de alteração, por mais difícil de se imaginar, é o traçado em si. Uma solução simples seria a de criar um ou dois pontos de ultrapassagem. A chicane após a saída do túnel pode ser um local, se redesenhada, por exemplo. O segundo setor inteiro pode ser revisto da mesma forma. Outro elemento, e aí é um pouco mais complexo, seria uma transformação mais extrema do tamanho dos carros e dos níveis de downforce, para permitir que os pilotos se aproximem com mais facilidade de quem vai à frente. Mesmo no atual regulamento, esse fato continua uma questão ainda sem solução.

Isack Hadjar, Lewis Hamilton, Kimi Antonelli dividiram o pódio do GP de Mônaco (Foto: Red Bull Content Pool)

É claro que abrir mão de uma etapa em Mônaco significa também comprometer os negócios, não só da Fórmula 1 em si, mas de equipes e patrocinadores, do próprio Principado, mas quanto vale o esporte propriamente dito? Será que não chegou a hora de encontrar um caminho definitivo?

Fórmula 1 volta de 12 a 14 de junho com o GP de Barcelona, sétimo da temporada 2026.

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