Opinião GP: McLaren age bem, mas não adianta se Norris insiste em “papel de bobo”
Hora ou outra iria acontecer e acabou por ser no GP do Canadá: Oscar Piastri e Lando Norris se envolveram no primeiro embate direto na temporada, que resultou em um acidente a três voltas do fim da corrida. O inglês calculou mal a ultrapassagem e bateu bisonhamente no colega de equipe. E embora tenha assumido a culpa, a sensação final é de que Norris resiste em se tornar um piloto de ponta e de nada adianta a McLaren entregar em suas mãos um carro vencedor
DIANTE DA DISPUTA DO TÍTULO que se desenha em 2025 e do carro vencedor da McLaren, a questão era entender “não se, mas quando” o primeiro embate direto entre Oscar Piastri e Lando Norris aconteceria. Essas são palavras do próprio inglês antes do início do fim de semana no Canadá. Para ele, era um cenário inevitável e para qual todos deveriam estar preparados. Lando talvez não imaginasse que fosse tão rápido. E que tivesse um desfecho tão bisonho, a ponto do britânico dizer que “fez um papel de bobo” diante do companheiro e da própria equipe. A verdade é que não estava pronto para isso e talvez nunca esteja. O problema é que Norris ainda peca em erros básicos e resiste, irritantemente, em virar um piloto de ponta.
É fato que a temporada não tem sido das mais fáceis para Norris, só que ele também tem muita responsabilidade pelo caos que vive. Depois da reviravolta que a McLaren provocou no ano passado, quando se tornou forte o bastante para combater Max Verstappen e a Red Bull, Lando assumiu naturalmente o posto de líder e tentou se opor ao neerlandês. Mas a campanha, do ponto do vista do Mundial de Pilotos, naufragou por razões que envolveram erros de estratégia e certa hesitação da esquadra de Andrea Stella, mas também equívocos diversos do dono do carro #4, especialmente nas batalhas corpo a corpo. Lando sucumbiu à pressão, mas o time laranja acabou por vencer entre os construtores, o que minimizou algumas das trapalhadas.
Em 2025 e diante de um projeto novamente vitorioso, a expectativa era ver em Norris um piloto mais consistente e consciente de seu papel, fazendo valer a dolorosa experiência do ano anterior. E não dava para não apontá-lo como um dos favoritos neste aspecto. Além disso, já são sete anos de Fórmula 1 e uma segunda chance de ouro de alcançar a honra máxima do esporte.
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Norris iniciou o campeonato com uma dominante vitória na Austrália, mas viu a liderança se desfazer em pouco tempo devido ao crescimento exponencial de Piastri, que se mostrou mais eficiente e capaz de vencer seguidamente. Enquanto isso, passou a enfrentar os fantasmas do passado, com erros em momentos cruciais, especialmente em sessões de classificação. Quer dizer, uma posição ruim de largada acaba comprometendo o resultado das corridas. Até agora, Oscar sustenta uma vantagem de 8 × 4 para o inglês dos confrontos diretos no grid. Em termos de triunfos, o australiano também tem histórico melhor: até aqui, o placar mostra 5 x 2. E na tabela, a diferença já é de 22 pontos, após dez etapas.
E o acidente no Canadá é uma parte da história. Realmente, foi algo bizarro, levando em consideração sua experiência e o momento em que vivia na corrida — Norris vinha melhor que seu companheiro de equipe, andando forte e tinha a chance de superá-lo no fim, após uma classificação, de novo, cheia de erros. Era uma recuperação providencial. Só que colocou tudo a perder em uma batida desastrada e mal pensada, a três voltas do fim, enquanto ambos disputavam apenas a quarta colocação. É bem verdade que assumiu o erro e estancou ali qualquer chance de uma polêmica maior com Piastri. Fez o que tinha de fazer. A equipe o apoiou, mas há outros aspectos que deixam evidente uma sensação que vem desde muito tempo: a de que Lando não só tem dificuldades para lidar com a pressão, mas também não é feito para isso.
O caso é que Norris precisa de assistência quase o tempo inteiro, ao ponto do engenheiro ter de lhe dizer o que fazer a cada instante, desde como guiar até buscar uma ultrapassagem, por exemplo. Aconteceu no Canadá, na Espanha, em Miami. Além disso, em algumas ocasiões, o piloto tem ações infantis e apresenta uma estranha imaturidade, como aconteceu no Japão neste ano, quando tentou ‘cavar uma falta’ em cima de Verstappen. Outro ponto — talvez o mais sensível —: cada erro vem acompanhado de um ato de autoflagelação exagerada, quando, na verdade, falta resiliência e uma forte autocrítica. E ações concretas em uma direção diferente.
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No fundo, a McLaren age bem ao liberar a disputa interna entre seus de pilotos e também no apoio que entrega a Norris. Faz parte de um trabalho maior, mas é igualmente verdade dizer que isso de nada adianta se o britânico não se colocar no papel de protagonista, de dono da narrativa, de líder. Já há experiência para isso.
E aqui as palavras do chefe da McLaren, Andrea Stella, são certeiras. “A velocidade está lá. Só precisamos polir o fato de que às vezes você meio que tem que aceitar que nem sempre consegue dar 100% de si, especialmente quando um pequeno erro pode custar tanto. Agora, o próprio Lando terá de mostrar caráter para superar esse tipo de episódio, garantir que leve apenas a experiência, que leve apenas o que o tornará um piloto mais forte.”
Então, Norris precisa tomar uma decisão. Ou vira esse piloto forte ou terá sempre o papel de bobo.
A Fórmula 1 retorna de 27 a 29 de junho, na Áustria, 11ª etapa da temporada 2025.
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