Pela primeira vez na história, o Azerbaijão vai receber o Mundial de F1. O GP da Europa, que está marcado para 19 de junho, nas ruas da capital Baku, vai marcar mais um novo destino para a categoria. Entretanto, o país não atravessa boa situação financeira em razão da crise do petróleo, que vem registrando quedas sucessivas no preço do barril, que chegou a ser cotado a US$ 25,75 (R$ 105,70). Trata-se de um duro golpe para um país totalmente dependente do ‘ouro negro’.
Em entrevista à agência de notícias estatal ‘Azertac’, Ali Hasanov, conselheiro presidencial, explicou como a crise do petróleo vem interferindo nas finanças do país. “O Azerbaijão é um país do petróleo. Os preços do petróleo e dos seus derivados caíram três vezes desde o começo de 2015. Isso significa que entra três vezes menos dinheiro no Azerbaijão”, comentou.
GP de F1 em Baku pode estar ameaçado em razão da crise do petróleo (Foto: Divulgação)
De fato, a queda do preço do petróleo reflete diretamente na economia azeri. Apenas nos primeiros 20 dias de 2016, o valor da cotação caiu cerca de 25% e, neste mesmo período, o Manat Azeri, a moeda local, perdeu cerca de 30% do seu valor de mercado. O economista local Zohrab Ismayil escreveu em sua conta no Facebook que as reservas dos bancos do Azerbaijão vão acabar em apenas três meses.
“As reservas do Banco Central vão se esgotar em dois ou três meses, e a moeda local vai perder valor de maneira muito acentuada. Haverá aumento nos preços entre 30 e 50% novamente. A crise está se aprofundando no setor financeiro, e os mercados de construção, imobiliário e de automóveis estão totalmente em colapso”, alertou.
A população local vem promovendo frequentes protestos em face à crise econômica azeri, sobretudo contra a alta dos preços e o desemprego. Ilham Aliyev, presidente do Azerbaijão, convocou uma reunião com a cúpula do governo para discutir os problemas socioeconômicos do país.
Por outro lado, outro economista azeri, Natig Jafarly, defendeu o cancelamento de eventos que vão implicar em grandes gastos de dinheiro público, como o GP da Europa nas ruas de Baku. “Eles provavelmente só vão alterar o orçamento do estado. O orçamento do estado é baseado no preço do barril de petróleo a US$ 50, eles devem rebaixá-lo a US$ 40. Mas isso só vai causar mais desemprego e redução da atividade econômica”, comentou o economista.
“A melhor forma de economizar fundos do orçamento do estado seria cancelar o GP da Europa em Baku neste ano e também os Jogos Islâmicos de 2017”, defendeu Jafarly.
Entretanto, apesar da crise do petróleo que vem corroendo as finanças de Baku, os preparativos para o país receber a F1 pela primeira vez continuam, ao menos oficialmente, a pleno vapor.
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