Partido de oposição ao governo classifica GP de Valência de F1 como “um capricho de € 300 milhões”

O Esquerra Unida, partido de oposição ao Partido Popular na Comunidade Valenciana, afirmou que o GP de Valência de F1 foi um capricho de € 300 milhões

O GP de Valência de F1 segue sendo um motivo de discórdia. Mesmo com contrato em vigor, a corrida segue fora do calendário do Mundial, mas deixou um rombo milionário nos cofres valencianos. Nesta semana, o governo local tornou públicos os valores que foram pagos para receber a etapa.
 
Em 2008, Valência desembolsou US$ 26 milhões (cerca de R$ 61,2 milhões), e o contrato previa um aumento de 10% ao ano. Assim, levando em conta as taxas de câmbio atuais, a prova de 2009 saiu por R$ 67,7 milhões, com a disputa de 2010 batendo a casa dos R$ 74,4 milhões. Em 2011, outros R$ 81,8 milhões foram gastos, com a última corrida, disputada no ano passado, custando R$ 89,9 milhões.
Partido de oposição acusou governo de criar empresa de fachada para enganar a população (Foto: Red Bull/ Getty Images/ Paul Gilham)
Na visão do Esquerra Unida, partido de oposição ao Partido Popular na Comunidade Valenciana, a realização da prova urbana em Valência foi “um capricho” do ex-mandatário do governo local, Francisco Champs.
 
Em uma coletiva de imprensa, Ignacio Blanco, porta-voz adjunto do EU, afirmou que os gastos com a F1 foram um escândalo. “Foi montado uma arquitetura triangular para fazer um grande negócio provido com dinheiro público, em que o governo sempre pagava, Ecclestone sempre cobrava e no meio estava a Valmor como empresa de fachada”, acusou Blanco.
 
“Desde antes do segundo GP, o governo pagava toda a F1. O custo total para o governo foi de 300 milhões: 100 de taxa, 100 da construção do circuito e outros 100 de gastos associados, algo que supõe um escândalo de dimensões colossais”, continuou. 
 
De acordo com os parlamentares, o primeiro contrato, que foi assinado em 2008, estabelecia que a empresa pública, a Motor Circuit, se ocuparia da organização, enquanto a Valmor seria a responsável pela taxa. Em julho de 2009, pouco antes da corrida, uma segunda empresa pública, a Sociedad de Proyectos Temáticos, e a Valmor concordaram em ser copromotores da corrida, deixando a conta para os cofres do governo. 
 
Em março de 2012, foi feito um contrato no qual a Motor Circuit adquiriu a Valmor por € 1, assumindo suas obrigações. No mês seguinte, o contrato da promotora com a Sociedad de Proyectos Temáticos também foi resolvido.
 
“O governo obrigou a criação de uma empresa de fachada, supostamente para vender para a sociedade a ideia de que havia um interesse empresarial com a realização de um GP de F1 e que isso não custaria nada ao governo”, considerou o deputado Lluís Torró. “Foi um capricho de Camps, que obrigou os empresários a criarem uma empresa que não arriscou nada, já que o governo pagava tudo”, continuou. 
 
De acordo com o porta-voz do partido Esquerra Unida, agora apenas falta ter acesso ao contrato de compra e venda da Valmor, que “coloca um ponto final nesta grande operação de fraude com os valencianos, quando decidiram, em 2012, depois de terem feito cortes em saúde, educação e serviço público, comparar por € 1 uma empresa que tinha uma dívida de 40 milhões”. “Falta agora que o dinheiro seja devolvido e as pessoas sejam colocadas na cadeia”, disparou. 
 
Apesar das acusações do partido, as fontes da FOM indicam que a presença da F1 com sua corrida de rua levou um grande benefício para Valência, com um retorno de mídia estimado em R$ 290 milhões, além do fortalecimento da marca da região. 

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