Perto dos 85, mas “pensando que tem 21”, Ecclestone descarta aposentadoria e sente falta do comando de Mosley na FIA

Restando pouco mais de um mês para chegar aos 85 anos, Bernie Ecclestone se disse um jovem de 21 anos e nem pensa em deixar o comando da F1. "Não quero me afastar de algo em que estive envolvido em todos esses anos", afirmou. O controverso inglês também afirmou que não está no esporte por dinheiro

Faltando pouco mais de um mês para completar 85 anos de vida, Bernie Ecclestone segue firme no comando da F1, um negócio que fez crescer nas trê últimas décadas. Sem sinais de cansaço ou desejo de aposentadoria, o chefão britânico se mostrou contente ao falar sobre o sucesso e a gestão do Mundial, que é dono de 11% das ações – o restante é dividido entre a CVC, a maior acionista, uma empresa de gestão de ativos no Kansas e a companhia que ficou com o restou do falido banco de investimentos Lehman Brothers.

"Não quero me afastar de algo em que estive envolvido em todos esses anos", afirmou Ecclestone em entrevista ao 'The New York Times'. "No momento, não temos problema algum, zero, com os nossos acionistas, e eu mais ou menos administro tudo como se fosse a minha empresa, então é muito bom", completou.

"Está tudo na cabeça, na nossa mente", acrescentou o dirigente ao ser questionado sobre a idade. "Quando você se levanta, pense que você tem 21 anos", emendou.

Bernie Ecclestone está perto de completar 85 anos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Ecclestone está envolvido com a F1 há mais de 40 anos. Iniciou como empresário de pilotos, depois montou sua própria equipe e, em seguida, virou o promotor comercial da maior das categorias do esporte a motor no mundo. Bernie transformou o campeonato em um negócio de bilhões de dólares e que é visto por milhões de pessoas ao redor do mundo.

Ao ser perguntado sobre as diferenças de gestão no início, quando dividia a administração com Max Mosley, antigo presidente da FIA, e a agora, o inglês falou a democracia que rege o esporte atualmente. "Você não pode ter competidores administrando o esporte. E não importa que esporte seja", afirmou.

"Hoje, há um monte de gente, com diferentes níveis de rendimento, orçamento ou qualquer outra coisa, todos querendo fazer a mesma coisa, que é ganhar”, falou. "Há alguns anos, se nós achássemos que algo estava errado, nós simplesmente mudávamos tudo. Hoje em dia, você precisa chegar a um acordo unânime para mudar as coisas a cada dois anos", completou.

"Leva muito tempo para explicar para as pessoas que o que eu penso é certo. Se eu estou errado, sou a primeira pessoa que volto atrás e digo que estou errado", acrescentou o inglês, emendou fazendo também uma análise sobre a forma de gestão do atual presidente da FIA, Jean Todt.

"Jean e eu poderíamos dizer: aqui estão as regras, esqueça as equipes, esqueça todo mundo. As regras são essas e, se fosse quiser fazer parte do campeonato, é assim", disse o inglês. "Mas Jean não gosta de incomodar as pessoas. Ele quer ver todos felizes e quer que todos concordem em tudo", revelou.

Ecclestone lembrou mais uma vez de Mosley. "Eu apenas lamento que tenhamos deixado Max ir", afirmou. "Não há nada de errado com Jean. Porque, justiça seja feita, ele não interfere na F1. Ele não causa problemas", completou.

Ao longo da vida à frente do Mundial, Bernie acumulou uma fortuna de cerca de US$ 4,5 bilhões (aproximadamente R$ 16 bi). Só que a vida do dirigente não foi marcada somente pelo sucesso no crescimento dos negócios da F1. Bernie esteve envolvido em um caso de suporto na Alemanha, por conta da venda de ações da categoria de forma ilegal. O processo foi arquivado em agosto do ano passado, e o chefão teve de pagar US$ 100 milhões (R$ 370) ao Tribunal de Munique no processo.

Por fim, o britânico, figura muitas vezes controversa, afirmou que não está na F1 por dinheiro. "Não faço isso por dinheiro. Não faço por isso", encerrou.

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