Pirelli põe em xeque unanimidade e pede tempo para avaliar reversão no formato do treino classificatório da F1

Membro da Comissão da F1, a Pirelli tem direito a voto sobre qualquer mudança de regra durante a temporada, mas ainda não está certa sobre os benefícios que a reversão para o formato antigo de classificação pode acarretar para as corridas ao longo do campeonato. A Force India também questiona a mudança, definida pelas equipes, mas ainda não homologada

Embora já esteja definida pelas equipes do grid, a reversão do formato do treino classificatório para a versão adotada até 2015, depois do polêmico sábado (19) de definição do grid de largada do GP da Austrália, ainda não está oficializada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). Para que tal aprovação aconteça, é preciso alcançar unanimidade entre os membros do Grupo de Estratégia e da Comissão da F1, de modo que outras partes interessadas também vão precisar apoiar para que a mudança siga em frente. A Pirelli faz parte da Comissão da F1, mas ainda não está certa da eficácia desta reversão para o formato que vigorou até o ano passado.
 
Toto Wolff, diretor-esportivo da Mercedes, afirmou que o novo formato foi um lixo. Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull, foi além e pediu desculpas aos fãs pelo fiasco. Detalhe: foram as próprias equipes as responsáveis pela polêmica proposta, que foi colocada em prática na Austrália.
 
Mas Paul Hembery, diretor-esportivo da fornecedora de Milão, quer ouvir todos os lados, mas defende que o novo formato de treino classificatório forçou as equipes, sobretudo as grandes, a forçarem mais o ritmo. Além disso, os oito pilotos que passaram para o Q3 largaram com pneus supermacios, enquanto no formato antigo, teoricamente a maioria dos ponteiros começaria a prova com pneus macios.
Paul Hembery não está certo sobre a eficácia de uma mudança para o formato antigo de classificação (Foto: AP)
Então, esta mudança de estratégia é vista por Hembery como um ponto positivo deste novo regulamento por influenciar e abrir uma gama maior de estratégia de pneus para as corridas.
 
“Nós não ouvimos todos os argumentos. Houve uma série de pontos positivos e negativos da classificação. Acho que o Q3 precisa melhorar, já que não ter carros rodando foi visto de forma unânime pelos fãs e espectadores como algo negativo. Mas isso pode ser facilmente resolvido ao voltar ao formato do Q3 do ano passado, então sem um processo de eliminação”, comentou o engenheiro britânico em entrevista ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.
 
“Acho que a única coisa que veio desta classificação aqui foi que isso teve um impacto na corrida, que foi o motivo original, como nos explicaram os membros da Comissão da F1. Havia coisas como o fato de que as melhores equipes não tentaram classificar com os pneus macios no Q2, já que logo isso lhes permitiria largar com os macios na corrida. Se não houvesse o sistema de eliminação, provavelmente eles teriam largado com os pneus macios”, lembrou.
 
“Nós sentamos numa reunião e nos deram um argumento de que a mudança se motivou pela necessidade de acrescentar um elemento adicional à estratégia da corrida. E isso aconteceu. Se já não é mais necessário, temos de escutar todos os argumentos”, ponderou Hembery
 
A Force India, por meio do seu chefe de equipe, Bob Fernley, pediu cautela antes de realizar qualquer mudança que possa influenciar no desenrolar das corridas. “Quando se está tomando uma decisão na qual seu resultado final pode influenciar na corrida, que diabos você vai mudar sua decisão de abandonar isso antes de ter a corrida. Esse foi meu argumento no domingo e ainda penso assim agora. Ao voltar a fazer algo como isso, não se deve ter uma reação instintiva.”
 
“Nunca me colocaria como uma voz solitária se isso fosse prejudicial para a F1. Quando se trata do que é bom para os fãs e bom para a F1, nós jamais vamos nos colocar contra. Mas todos nós estávamos trabalhando sob pressão. Para mim, me parece uma pena tirar tudo isso sem jamais ter sido avaliado de uma maneira adequada”, complementou o dirigente.
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