Por que torcedores estudam chances de processar GP de São Paulo após edição 2025
Fãs e torcedores que acompanharam o GP de São Paulo no setor R de Interlagos foram pegos de surpresa com a instalação de camarote que obstruiu a visão nos dias de competição. Grupos estudam possibilidade de processo
Beatriz Rosenburg frequenta Interlagos desde 2012, mas teve uma surpresa desagradável na edição de 2025 do GP de São Paulo. O setor R, localizado no início da reta oposta e com arquibancada coberta, apresentou um problema de visibilidade que não estava previso na venda dos ingressos: um camarote do banco espanhol Santander foi instalado no lado oposto dos assentos, bloqueando a visão da entrada do S do Senna.
O problema é que a confirmação do camarote do banco veio depois do início da venda de ingressos aberta ao público, ainda em 2024. E a foto apresentada no site oficial da tiqueteira Eventim não apresentava nenhuma possibilidade de bloqueio, e nenhum adendo posterior foi dado a quem comprou ingressos. Ao GRANDE PRÊMIO, Beatriz relatou a diferença das experiências anteriores e o choque com a visibilidade bloqueada.
“Fomos pela primeira vez em 2023 e gostamos muito da visibilidade do setor, especialmente porque ele fica no final do S do Senna. Então você vê toda aquela movimentação do S do Senna. E se você ficasse mais para o fim da arquibancada, ainda tinha a visibilidade de ver o finalzinho da reta oposta, com a área de escape. E isso a gente também não pode mais ver, porque a arquibancada aumentou, deu uma tapada na visão”, declarou Beatriz.
“Foi muita surpresa. Na sexta-feira, fomos direto para a Fanzone e não passamos pelo setor antes. Na Fanzone, minhas amigas viram os pilotos que queriam, e quando acabou o que elas queriam ver, fomos para o setor. Quando a gente chegou, teve a grande surpresa totalmente desagradável, que foi aquele camarote ali instalado. A visão ficou muito ruim. A gente começou a perceber que não estávamos conseguindo ver, e fui buscando foto antiga minha dentro do celular e vendo que ninguém ali estava maluco”, seguiu.

Como uma frequentadora de Interlagos desde os tempos dos motores V8, Beatriz reconhece os esforços da organização para colocar mais pessoas dentro do autódromo, junto das inúmeras parcerias recentes feitas para a criação de setores extras e camarotes, mas reforça que o cuidado com o consumidor precisa estar em primeiro lugar.
“Entendo o lado deles de querer expandir, acho uma coisa válida. Quando fiz meu TCC da segunda faculdade, estudei sobre a Fórmula 1 e o marketing, e encontrei que Interlagos é um dos autódromos que menos recebe público pela limitação de espaço comparado com autódromos mais novos. Entendo a vontade deles de querer expandir, não sei se é uma pressão da própria Fórmula 1 de quererem mais pessoas ali. Mas, ao mesmo tempo, eles têm de se preocupar em uma entrega de qualidade para o público, não só uma entrega de qualidade, mas também que seja coesa com o que eles colocam à venda. No caso, por exemplo, a gente tem o que a gente usa para basear a nossa experiência anterior e mais a foto que vão colocar ali no site. Então, se a foto no site está mostrando uma coisa, que é um produto que eles estão entregando para a gente, isso tem de ser entregue”, completou.
Quem passou por uma situação semelhante foi Gabriel Tartaglia, que é frequentador de Interlagos desde 2009. Ele encontrou no setor R uma possibilidade de ter mais conforto junto ao pai para curtir o fim de semana de Fórmula 1, mas rapidamente viu que nitidamente a visão não era a mesma prometida no momento da compra.
“A sensação, para mim, é de revolta. Porque, é óbvio, eu entendo a necessidade da organização do GP de tornar o evento mais lucrativo, de aumentar a rentabilidade, de agradar os patrocinadores. É um ato de equilíbrio — eu tenho total maturidade para entender essas necessidades. Agora, cara… não dá para transformar ou fazer isso por pura ganância corporativa, entendeu? Aquele setor vermelho… se ele estivesse um pouco mais para trás, 50 metros para trás — e ali tem espaço para isso, 50, 100 metros — ele desobstruiria a vista de todo o setor R e manteria a vista desse camarote que botaram lá. Esse tipo de cuidado, à medida que a organização vai entulhando mais setores dentro do circuito, precisa de um pouco mais de atenção com a visão que o público vai ter da pista”, relatou.
“Você deve ter visto qual foi a resposta oficial dos organizadores. E tem uma parte ali que me incomoda muito, cara, porque eles falam assim: ‘Ah, porque nenhum setor promete vista para o circuito inteiro.’ Isso é uma baita falácia do espantalho. Não tem absolutamente ninguém pedindo para enxergar o autódromo inteiro. A gente está pedindo o mínimo: enxergar o pedaço da pista na frente da arquibancada, cara. E ali no setor R, eles sabem que o S do Senna é a parte mais atrativa da vista do autódromo. Tanto é que a foto usada na venda do ingresso era do S do Senna — e não da saída dos boxes. Então, assim, cara… eles tamparam justamente o que venderam”, concluiu.
Pela internet, múltiplos grupos começaram a se juntar em grupos buscando e estudando ações coletivas ou individuais contra a Eventim, que ao ser contestada pelos consumidores, devolveu uma resposta padronizada “lamentando a experiência” e afirmando que “segue comprometida” em melhorar as experiências dos fãs. Ainda na fase de entender o melhor formato de garantir direitos na justiça, Gabriel quer mais visibilidade e justiça para quem acompanha a corrida em Interlagos.
“Estou conversando com os advogados. A gente teve vários advogados que entraram no grupo para oferecer orientação. Praticamente todos convergiram para a tese de que o ideal não é uma ação coletiva, mas sim entrar com ações individuais — talvez ações individuais com múltiplas pessoas, e tal. Então, estamos decidindo ainda exatamente qual vai ser o formato dessas ações, e cada um acabou escolhendo um escritório para representar. Mas eu, sinceramente, não tenho interesse nenhum em ganhar, não tenho nenhum ganho financeiro com essa história. Acho que o meu principal objetivo já estou conseguindo alcançar, que é trazer um pouco mais de visibilidade para esse negócio. Porque a organização do GP precisa pensar um pouco mais na vista do público que está lá — o público que realmente gosta de Fórmula 1, o público que realmente aprecia o espetáculo”, afirmou.
“E não dá simplesmente para ir colocando placa de publicidade, como foi o caso de outros setores. Se eu não me engano, no setor H tinha uma placa de publicidade que, para quem ficava mais acima, na arquibancada, tampava um pedaço da pista. Esse tipo de coisa eles têm de começar a olhar, porque é um amadorismo muito grande a organização não cuidar disso. Quem está lá é para ver o espetáculo — e, para ver o espetáculo, cara, a vista precisa estar desobstruída. De novo: não tem absolutamente ninguém pedindo para ver a pista inteira. É óbvio que isso não é possível; chega a ser infantil esse argumento. Mas o que está na nossa frente a gente tem de ver. Por exemplo: quem estava lá no setor da Heineken — mesmo na parte premium —, vi muita gente reclamando que o toldo da vendinha de cerveja atrapalhava a visão da pista. Então, assim, está na hora da organização do evento ter um pouco mais de maturidade e começar a olhar mais para esse tipo de ergonomia e conforto do público que está lá assistindo”, completou.
Para além dos problemas de visibilidade, o setor R também contou com outra dor de cabeça para os consumidores no domingo. Giselly Horta foi uma das fãs que acabaram barradas na porta do autódromo com o argumento de que o ingresso comprado já tinha sido utilizado minutos antes. E mesmo mostrando documentos e a comprovação da compra, a organização afirmou que nada poderia ser feito. Ela também participa de um grupo que estuda ação judicial.
“Na primeira pré-venda [para o GP de 2026], a descrição do setor estava igual a que compramos no ano passado, mas eles já tiraram a foto e mudaram as informações. Parece que não teremos nosso setor de volta. É muito triste, para além dos danos e frustração. O pior é que os valores dos ingressos só aumentam, e todo mundo que ama Fórmula 1 espera o ano todo para esse GP. E a cada ano é mais descaso. Quem faz o GP ser reconhecido da forma que é são os torcedores. Eles vendem o GP com nossas imagens, nossa energia calorosa. E em todas oportunidades de piorarem nossa experiência, eles estragam”, relatou.
A organização do GP de São Paulo foi procurada pelo GP, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.
A Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 20 a 23 de novembro, com o GP de Las Vegas, 22ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.
GP de Las Vegas de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:
| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Treino livre 1 | 21:30 | 23:30 | 01:30 | 02:30 |
| Treino livre 2 | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
| Treino livre 3 | 21:30 | 23:30 | 01:30 | 02:30 |
| Classificação | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
| Corrida | 01:00 | 03:00 | 05:00 | 06:00 |
* Horário de Brasília
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