Racing Point vê punição “desconcertante” e diz que postura da Renault “dói e surpreende”

Otmar Szafnauer, chefe de equipe da Racing Point, ainda tem dúvidas sobre uma eventual apelação à decisão da FIA, mas diz que o fato de não precisar mexer no RP20 para a sequência da temporada é uma boa notícia. No entanto, o dirigente romeno criticou a postura da rival de Enstone

Às vésperas do primeiro treino livre do GP dos 70 Anos da Fórmula 1, nesta sexta-feira (7), a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) anunciou que acatou em partes os protestos da Renault nos últimos GPs da Estíria, Hungria e Inglaterra e puniu a Racing Point por não ter sido a equipe responsável pelas bases do projeto dos dutos de freios traseiros do RP20, conhecido como ‘Mercedes rosa’. A escuderia de Silverstone foi sancionada em 15 pontos no Mundial de Construtores e multa total de € 400 mil (ou R$ 2,5 milhões, na cotação atual).

A decisão da FIA permite, no entanto, que a Racing Point siga usando as peças consideradas ilegais no carro ao longo da temporada. A entidade definiu que o que a Racing Point fez foi uma adaptação, mas não um projeto do zero, o que contraria o regulamento da Fórmula 1, entendendo que o esforço da equipe não foi o da Mercedes, de onde se origina o projeto dos dutos de freios. Assim, a entidade concluiu que a Racing Point obteve vantagem.

No entanto, a escuderia de Silverstone não vai precisar desenhar os dutos de freio porque a FIA entende que não faz sentido que a Racing Point “desaprenda” o que já se sabe, mas a organização julgou ser necessário punir de alguma forma para neutralizar a vantagem obtida.

Otmar Szafnauer entende que decisão da FIA é boa por um lado, mas ruim por outro (Foto: Racing Point)

Otmar Szafnauer, chefe da equipe britânica, entende que a decisão é boa por um lado, mas ruim por outro. Em entrevista pouco depois de tomar conhecimento do veredito por parte da FIA, o dirigente romeno falou a respeito.

“Minha opinião é que a boa notícia do julgamento é que o carro é completamente legal do ponto de vista técnico, para que possamos continuar a operar os dutos de freio. É somente uma questão de processo que está nos regulamentos desportivos”, salientou.

“Lemos os regulamentos e não há nada específico que diga que não podemos fazer o que fizemos. Outras equipes fizeram exatamente o mesmo, talvez menos do que fizemos ou até mais, de certa forma. Então, é um pouco desconcertante”, lastimou Szafnauer.

Sobre a possibilidade de entrar com recurso e contestar a decisão da FIA, a Racing Point tem como prazo até a manhã deste sábado. No momento, ainda não se sabe se a equipe vai tentar recuperar os pontos e reverter a punição.

“No entanto, agora precisamos decidir se devemos apelar da nossa punição. Mas, como disse, a boa notícia é que podemos continuar usando o carro como está. Aqui e depois, é completamente legal. Existe apenas uma parte do carro que passou de uma parte não listada para uma parte listada, que são os dutos de freio”, explicou.

Por fim, o dirigente aproveitou a oportunidade para cutucar a Renault, a responsável direta pelos protestos que resultaram nas punições impostas à Racing Point.

“Eu estava na reunião do grupo de estratégia quando votamos a favor, passando de uma parte não listada para listada [entre as peças que precisam ser originais]. Algumas equipes não queriam que isso acontecesse, e nós fomos o voto decisivo. Apoiei Cyril [Abiteboul, chefe da Renault] de todo o coração nisso. Iniciamos esse processo bem antes dos dutos de freio serem contemplados, passando de não listados para listados. Então, dói e me surpreende”, concluiu.

No entanto, a Renault parece não estar plenamente satisfeita com a decisão. Em entrevista coletiva pouco depois do TL1 do GP dos 70 Anos da F1, Abiteboul disse que a Renault considera apelar do veredito da FIA por entender que a punição imposta à Racing Point foi branda demais.

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