Retrospectiva 2025: Hülkenberg lava alma com pódio que faz longa trajetória valer a pena

Nico Hülkenberg brilhou todas as vezes que a Sauber foi competitiva em 2025 e conquistou primeiro pódio na Fórmula 1 após 239 corridas

Nico Hülkenberg encerrou a temporada 2025 da Fórmula 1 com a sensação de ter, enfim, escrito um dos capítulos mais simbólicos na carreira. Aos 38 anos, disputando a 15ª temporada na categoria e após 239 largadas sem subir ao pódio, o alemão finalmente quebrou o jejum ao terminar o GP da Inglaterra em terceiro lugar, liderando a Sauber em um ano de competitividade oscilante e reafirmando o status de piloto extremamente veloz, consistente e resiliente.

O pódio em Silverstone teve peso histórico. Hülkenberg era o piloto com mais corridas sem pódio na F1, marca que carregava como um estigma desde a estreia em 2010. Ao final de 2025, o alemão chegou a 250 GPs disputados na categoria, um número que por si só traduz longevidade, mas que também escancara o quanto a trajetória sempre esteve distante dos carros capazes de lutar regularmente pelas primeiras posições.

A temporada começou dentro do esperado para a Sauber, equipe que atravessou 2025 longe do pelotão da frente e terminou o Mundial de Construtores apenas na nona colocação, com 70 pontos. Ainda assim, Hülkenberg foi responsável por boa parte do que o time conseguiu extrair do pacote técnico — cenário esperado, já que o companheiro Gabriel Bortoleto era novato. Com 51 pontos e o 11º lugar no Mundial de Pilotos, superou adversários com carros teoricamente mais competitivos e manteve regularidade em um campeonato marcado por margens apertadas no meio do grid.

O alemão pontuou em nove das 24 etapas disputadas, com destaques além do pódio. O quinto lugar na Espanha, os oitavos no Canadá e nos Estados Unidos, além de uma sequência sólida no fim do ano, com sétimo em Las Vegas e nono em Abu Dhabi, ajudaram a construir uma campanha que, embora não espetacular em números absolutos, foi muito acima do que o potencial do equipamento por vezes sugeria. Mesmo largando, em média, apenas na 14ª posição do grid, Hülkenberg frequentemente transformou corridas discretas em resultados consistentes.

Nico Hulkenberg liderou Sauber em anos de altos e baixos do time suíço (Foto: Sauber)

O feito em Silverstone, porém, funcionou como catarse de uma carreira marcada por oportunidades que nunca se concretizaram. Considerado plano B da Mercedes em 2013, caso Lewis Hamilton recusasse a proposta da equipe, Hülkenberg viu a trajetória seguir um rumo completamente diferente do que poderia ter sido.

Enquanto a marca alemã iniciava uma era de domínio absoluto na F1 híbrida, o alemão permaneceu no pelotão intermediário, acumulando boas atuações, mas sem o respaldo de um carro vencedor. Nem mesmo ao apostar no projeto ambicioso da Renault em 2017, que o fez pilotar por uma equipe de fábrica pela primeira vez, mas que teve resultados muito aquém das expectativas.

Após competir ininterruptamente entre 2010 e 2019, Hülkenberg ficou fora do grid e precisou perseverar. Disputou duas corridas como substituto em 2020 e mais duas em 2022, sempre demonstrando competitividade imediata mesmo sem ritmo de corrida acumulado — pontuou em ambas as oportunidades em 2020.

O retorno definitivo em 2023 já havia reforçado a reputação de piloto confiável, mas foi em 2025 que veio o reconhecimento tardio, ainda que simbólico, de uma carreira construída na base da constância e da velocidade pura.

Após 239 corridas na F1, Nico Hülkenberg finalmente conseguiu estourar a champanhe (Foto: Sauber)

O terceiro lugar na Inglaterra não mudou somente estatísticas, mudou narrativas. Por anos, Hülkenberg foi lembrado como o melhor piloto sem pódios na história da F1. Em 2025, finalmente, deixou de ser exceção para se tornar exemplo de perseverança. Mesmo sem títulos, vitórias ou poles, mostrou que ainda há espaço para histórias que fogem do roteiro previsível.

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