5 coisas que aprendemos na sexta-feira do GP de Mônaco da Fórmula 1 2026

Se as principais rivais desembarcaram em Mônaco com dispositivos para lá de curiosos na asa traseira, a Ferrari não precisou inventar moda para mostrar que realmente é a grande favorita na briga pela pole-position da sexta etapa da Fórmula 1 em 2026

Se o GP de Mônaco costuma ter a fama de ser um fim de semana para lá de monótono, não foi isso que aconteceu nesta sexta-feira (5). Os treinos pelas ruas apertadas de Monte Carlo foram bastante movimentados e mostraram que as rivais estavam certas o tempo todo: a Ferrari chega, sim, como grande favorita na briga pela pole-position — e promete um duelo interessante entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc, que terminaram o dia com sensações diferentes a respeito do carro.

Porém, engana-se quem pensa que a vida do time de Maranello será realmente tão fácil assim. Logo ali atrás, Max Verstappen apareceu rápido com uma Red Bull que, até aqui, parece ter superado o problema antigo com pistas onduladas para entrar também nessa disputa da parte de cima. A Mercedes, por sua vez, ficou devendo, mas ninguém deve descartar a equipe que tem dominado a temporada 2026 da Fórmula 1 com Andrea Kimi Antonelli e George Russell.

E para não deixar passar, a McLaren voltou a ser assombrada pelo fantasma da confiabilidade — e a vítima novamente foi Lando Norris. Por fim, no pelotão intermediário, a grande surpresa ficou por conta da Audi, que finalmente tem a oportunidade de colocar Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg juntos no Q3 pela primeira vez no ano.

Diante disso, o GRANDE PRÊMIO lista cinco pontos da sexta-feira da Fórmula 1 em Mônaco.

A grande favorita à pole-position

Com os carros finalmente na pista e duas atividades completadas, agora é seguro dizer: os rivais realmente acertaram em cheio ao apontarem a Ferrari como grande favorita à pole-position do GP de Mônaco. É verdade que o bom desempenho de Charles Leclerc e Lewis Hamilton não chega a ser uma surpresa completa, visto que o déficit que a unidade de potência dos italianos possui em relação às da Mercedes e da Red Bull não interfere quase nada em Monte Carlo.

Na realidade, o motor da escuderia de Maranello pode até mesmo ter uma vantagem nesses circuitos mais travados. Isso porque, devido ao turbocompressor menor, o monoposto tende a acelerar e desacelerar mais rapidamente — o que, na prática, reduz o chamado turbo lag (atraso na entrega de potência) e permite uma resposta mais imediata quando o piloto pressiona o acelerador na saída das curvas de baixa velocidade. Em traçados como o do Principado, por exemplo, isso se traduz em melhor tração e menor tendência de patinagem das rodas traseiras.

Mas a vantagem da Ferrari não reside somente nisso. Quando se trata de eficiência aerodinâmica, a SF-26 tem, sim, um grande potencial, e isso ficou muito claro nas etapas anteriores. Assim como outras equipes, o time vermelho levou uma atualização na suspensão dianteira, focado na necessidade de atacar as zebras praticamente o tempo todo, mas foi o único do top-4 que não quebrou a cabeça criando um dispositivo diferentão para a asa traseira na tentativa de aumentar o downforce — e nem foi preciso.

De qualquer maneira, toda cautela é pouca. Embora Hamilton tenha ficado satisfeito com a maneira como a escuderia ajustou o carro, Leclerc saiu reclamando novamente da questão dos freios, que já o havia atrapalhado no GP do Canadá. Fora isso, ambos também tiveram dificuldades com o superaquecimento dos pneus, um fator que pode ser chave para a classificação.

A Ferrari realmente se colocou como a favorita na briga pela pole-position (Foto: Ferrari)

Um estranho no ninho

Se a Ferrari era apontada como grande favorita, a Red Bull estava completamente escanteada antes do início do fim de semana. Até porque o próprio Max Verstappen afirmou que o RB22 sofreria bastante com as ondulações da pista de rua em Mônaco e, por isso, brincou que teria de providenciar uma coluna nova após a corrida. Apesar do óbvio exagero, o tetracampeão tem razão neste sentido, visto que os taurinos sofrem com os quiques do carro há bastante tempo — desde o início do regulamento anterior, para ser mais exato.

“Vamos sofrer em qualquer pista com muitas ondulações. Isso tem a ver com a filosofia atual do carro e com o compromisso entre configurar o acerto para absorver as irregularidades e manter o nível de carga aerodinâmica. Ainda não encontramos o ponto ideal”, declarou o neerlandês após o Canadá. Além disso, a principal força da equipe até aqui em 2026 está na ótima unidade de potência, considerada por muitos a segunda melhor da Fórmula 1, somente atrás da Mercedes.

Por outro lado, ainda há muito trabalho a ser feito no lado aerodinâmico e do sobrepeso. Essa questão, inclusive, deixou Pierre Waché, diretor-técnico e principal responsável pelo chassi desde a saída de Adrian Newey, na corda bamba até pouco tempo atrás. Mas tudo parece estar se resolvendo aos poucos, considerando que a Red Bull não está mais perdida entre os times do pelo intermediário. Muito pelo contrário.

Embora ninguém apostasse nada na escuderia austríaca, Verstappen se infiltrou na briga entre Ferrari e Mercedes nesta sexta-feira, terminando na terceira posição tanto no TL1 quanto no TL2. Alguns ajustes precisam ser feitos, como o próprio piloto admitiu, mas existe um otimismo de que é possível incomodar os rivais na briga pela pole-position em Monte Carlo. Será?

Max Verstappen está se sentindo à vontade com a Red Bull em Mônaco (Foto: Red Bull Content Pool)

O fantasma da confiabilidade volta a assombrar

Desde as atualizações feitas no GP de Miami, a McLaren tem ensaiado se colocar como a principal rival da Mercedes na temporada 2026. Para alcançar esse objetivo, porém, os papaias precisam urgentemente se livrar dos problemas de confiabilidade, que voltaram a assombrá-los neste sexta-feira. Ainda nos primeiros minutos do TL2, Lando Norris viu o MCL40 apagar completamente devido a uma falha elétrica que pode, inclusive, gerar uma punição para o atual campeão mundial de Fórmula 1.

“Foi um dia complicado. Claramente estamos sem ritmo e precisamos encontrar tempo em toda a volta. É frustrante perder tempo de pista hoje, porque isso é sempre importante aqui em Mônaco”, lamentou o britânico. E ele tem razão: a escuderia inglesa novamente contou com apenas um carro para coletar dados importantíssimos no Principado, o que pode custar caro na classificação deste sábado.

Como apontado anteriormente, a unidade de potência não desempenha um papel crucial nas estreitas ruas de Monte Carlo, diferentemente da parte aerodinâmica. Cada volta é essencial para as equipes descobrirem em quais pontos podem extrair mais downforce. No fim, o sobrevivente Oscar Piastri terminou o dia em sétimo, ameaçado pela Audi de Nico Hülkenberg e mais de 1s atrás do líder Lewis Hamilton.

Audi se coloca como grande surpresa do dia

Sim, a Audi tem nas mãos a grande oportunidade de colocar os dois carros no Q3 pela primeira vez nesta temporada. Mas mesmo com o ótimo desempenho nos treinos, tanto Gabriel Bortoleto quanto Nico Hülkenberg preferiram manter os dois pés no chão e pediram cautela à equipe — algo que é totalmente justificável, visto que os pilotos estão meio que traumatizados com a quantidade enorme de problemas de confiabilidade que a escuderia das quatro argolas tem enfrentado em 2026.

A sexta-feira, inclusive, não passou isenta de algumas preocupações. O brasileiro, por exemplo, reclamou da dirigibilidade do R26 no TL2 e da sincronia das marchas, principalmente em curvas como a Loews, em que os carros reduzem para aproximadamente 50 km/h — algo que também foi apontado por Lance Stroll e Fernando Alonso na Aston Martin. A dificuldade de colocar os pneus na temperatura ideal é outro desafio, que não provou ser exclusivo da Audi.

Em meio aos altos e baixos, o potencial do carro ficou mais exposto em Mônaco. Na segunda sessão, Hülkenberg terminou em oitavo, somente 0s006 atrás de Oscar Piastri, o sétimo colocado, e a 0s007 de Isack Hadjar, sexto. Bortoleto, por sua vez, terminou quase 0s3 atrás do companheiro de equipe e mais ameaçado por Oliver Bearman, Pierre Gasly e Carlos Sainz.

A Audi se colocou como grande destaque do pelotão intermediário (Foto: Audi)

A novela dos motores continua…

Na longa e tortuosa novela acerca da mudança na proporção entre parte elétrica e motor a combustão, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e o Liberty Media — grupo que detém os direitos comerciais da Fórmula 1 — estão pressionando as equipes para que um acordo seja alcançado durante o fim de semana do GP de Mônaco. Embora a reunião decisiva do Comitê Consultivo da Unidade de Potência (PUAC, da sigla em inglês) só aconteça em Barcelona, na próxima semana, as partes querem ter tudo bem definido antes da data.

Vale lembrar que a proposta é sair da atual divisão de 50/50 na unidade de potência para 60/40, com o motor térmico sendo ampliado em aproximadamente 50 kW — pouco menos de 70 cv — por meio do aumento do fluxo de combustível. Uma mudança, contudo, que exigiria revisão significativa dos projetos já desenvolvidos para 2027, com possíveis impactos em confiabilidade, custos e planejamento técnico.

Por esses motivos, Ferrari e Audi se colocaram como principais opositoras. Enquanto a fabricante alemã está preocupada com o aspecto financeiro, visto que teria de desembolsar cerca de US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões, na cotação mais recente), a empresa de Maranello está pensando seriamente na questão das Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização (ADUO), que deve ter o ranking divulgado nos próximos dias. Isso porque os italianos acreditam que a permissão de desenvolver o motor a combustão seria uma vantagem unicamente para as rivais.

Se a intenção da FIA e da F1 é resolver esse impasse o mais cedo possível, a solução não se mostrou tão simples como parecia há algumas semanas. Mais novidades devem surgir ao longo do sábado e domingo…

A novela dos motores parece não ter fim na F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de Mônaco AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura completa das atividades, o GRANDE PRÊMIO também estará in loco em Mônaco com o repórter Leonid Kliuev.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horários de Brasília

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