Revés no GP de Sakhir deixa claro: falta cacife para Bottas ser um piloto de ponta real

No GP de Sakhir, Valtteri Bottas não se portou como um piloto de ponta. Há chance de redenção no GP de Abu Dhabi, mas o finlandês segue dando sinais de que não brilha nem quando a sombra de Lewis Hamilton deixa de existir

Valtteri Bottas começou o fim de semana do GP de Sakhir com objetivo claro: superar George Russell e deixar claro pela primeira vez que tem condições de ser um piloto do mais alto patamar. Sem Lewis Hamilton por perto, era o mínimo que poderia se esperar. Não aconteceu, com o finlandês sendo exposto ao ridículo contra o companheiro de última hora. É um sinal: por mais talentoso que seja, Valtteri simplesmente não parece capaz de um dia fazer parte da verdadeira elite da Fórmula 1.

Hamilton faz parte dessa elite, óbvio, mas mais pela postura do que necessariamente pelos recordes infindáveis. O heptacampeão sabe vencer e ter sucesso, algo que Russell também saberá um dia, ao que tudo indica. Max Verstappen também, assim como Charles Leclerc e Sebastian Vettel, citando alguns. Bottas, não: as chances desperdiçadas, principalmente na passagem pela Mercedes, indicam alguém que funciona como escudeiro, mas nunca será um verdadeiro líder.

A passagem pela Williams corrobora com essa visão. Bottas se saiu muito melhor por lá, sendo regularmente melhor que o então companheiro Felipe Massa e construindo reputação positiva na F1. Acontece que uma coisa é brigar por pontos e pódios ocasionais. Outra coisa é brigar em condições extremas, como na luta por vitórias. 

Valtteri Bottas teve fraquezas expostas no GP de Sakhir (Foto: AFP)

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Exposto a isso, Russell não foi intimidado. Mesmo perdendo a pole-position no sábado, foi com tudo para cima no domingo: largou melhor, liderou a maior parte da corrida e só não venceu por conta de circunstâncias que acontecem apenas uma vez na vida e outra vez na morte. Ainda assim, George conseguiu fazer uma ultrapassagem marcante em Valtteri.

Isso fica mais impressionante quando lembramos das inúmeras vezes em que Bottas ficou em desvantagem contra Hamilton. É raríssimo ver o finlandês largar em segundo, mas reagir na corrida e vencer. Em contrapartida, repetidas vezes Lewis vira o jogo contra Valtteri. O lado mental parece pesar: enquanto o #44 sabe manter a cabeça no lugar, o #77 trava quando se vê em vantagem.

Russell tirou proveito disso no GP de Sakhir, apesar de ainda ser cedo para afirmar que seu psicológico é tão bom quanto o de Hamilton. É um bom sinal, sem dúvidas, mas estamos falando de um piloto que não soube aproveitar oportunidades quando esteve na Williams.

George Russell se portou como estrela. Já Valtteri Bottas… (Foto: AFP)

O GP de Abu Dhabi se avizinha e ainda não se sabe ao certo quem forma dupla com Bottas na Mercedes. Lewis Hamilton ainda tenta se recuperar a tempo, mas a presença de Russell no carro campeão ainda parece mais provável. Assumindo esse cenário, temos o segundo round da disputa com Bottas, ajudando a esclarecer as diferenças entre os dois.

Por um lado, é possível que Bottas confirme o favoritismo e ganhe um GP provavelmente mais calmo que o da semana passada. Não seria o suficiente para acabar com as críticas, mas certamente ajudaria a ter férias mais calmas antes de 2021. Por outro lado, é muito possível que Russell chegue a Abu Dhabi melhor adaptado e com mais poder de ação. Se na classificação em Sakhir Bottas pôde até mesmo errar e ser pole mesmo assim, em Abu Dhabi a margem tende a ser muito menor. Isso tira George da condição de franco atirador por completo, mas o peso ainda é muito maior sobre as costas de Valtteri.

Um novo revés de Bottas, que pode vir na forma de muitos resultados diferentes, confirma a perda de uma grande chance na Fórmula 1. Valtteri, que sempre pôde se queixar de estar à sombra de Hamilton, já não tem mais essa desculpa. E, desse jeito, a chance de brilhar com luz própria se perde. Talvez no futuro, mesmo que ainda distante, o Russell possa aproveitar melhor.

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