Sete anos após acidente, Schumacher ainda tem vida repleta de segredos e incertezas

Michael Schumacher foi lembrado repetidas vezes em 2020, tanto pelos recordes de Lewis Hamilton quanto pelo título do filho Mick na F2. A situação contrasta com um ex-piloto protegido ao extremo, completando o sétimo ano do grave acidente de esqui

Dezembro não costuma ser um mês de grandes notícias no esporte a motor. Com os campeonatos encerrados, a época é de reflexão e preparação de olho no ano seguinte. Só que um 29 de dezembro foi diferente de todos os outros: exatos sete anos atrás, em 2013, Michael Schumacher sofreu um acidente de esqui que transformou a vida em um mistério sem fim no horizonte.

O pesadelo começou em Méribel, cidade montanhosa na França. O local é conhecido pela prática de esqui, uma das modalidades favoritas de Schumacher. O momento de descontração corria bem até um acidente feio, com a cabeça do alemão acertando uma pedra. O heptacampeão entrou em coma induzido no fim de 2013, sofrendo com lesões cerebrais que nunca ficaram devidamente claras para o público.

Esclarecer ao público, aliás, nunca foi o forte da assessoria de Schumacher. Sabine Kehm, braço direito do alemão, blindou a família e limitou ao máximo as informações vazadas ao público. Informações, só quando eram positivas: em abril, sinais de consciência foram percebidos mais claramente; em junho, o fim do período de coma induzido. Esse passo permitiu que Michael deixasse o hospital de Grenoble, na França, para seguir reabilitação em Lausanne, na Suíça.

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Michael Schumacher abandonou a vida pública de outrora (Foto: Reprodução)

2015 chegou com um novo panorama: os rumores se tornaram muito mais frequentes e passaram a ser combatidos pela família. As informações de que Schumacher estava paralisado e não conseguia falar nunca foram confirmadas, com a assessora Kehm sempre destacando um progresso constante, mesmo que lento.

As informações seguiam rareando, com a proteção ao redor de Schumacher ficando ainda mais notória tão logo a transferência do hospital para a casa na Suíça foi possível. Raras pessoas tinham autorização para visitar Michael, sendo sempre pessoas de confiança que nunca vazariam informações. Jean Todt, chefe da Ferrari nos anos dourados do começo do século, é uma das raras pessoas que veem Michael. O francês nunca trouxe informações novas, apenas afirmando que os dois acompanham corridas de Fórmula 1 pela TV ocasionalmente.

“É algo muito privado. Michael está muito bem amparado, vive com sua família, na sua casa, entre Genebra e Lausanne. Continua lutando. É a única coisa que posso dizer hoje”, disse Todt em 2019.

Michael não pôde acompanhar o sucesso do filho Mick na F2 (Foto: FIA Fórmula 2)

Curiosamente, uma das raras novidades sobre Schumacher em 2020 veio de Flavio Briatore. Melhor dizendo, da ex de Briatore. Em um reality show na Itália. Questionada por outro participante sobre o estado de saúde do alemão, a modelo Elisabetta Gregoraci afirmou que a comunicação só é possível através dos olhos. Isso reafirma a informação de que Michael ainda não recuperou a fala.

Para lamento dos curiosos, é difícil acreditar em qualquer informação oficial da família Schumacher no futuro próximo. A esposa Corinna providenciou até mesmo uma mudança para a ilha espanhola de Mallorca, buscando privacidade completa. Mesmo com todo o esforço, isso ainda é difícil: em janeiro, uma pessoa afirmou ter fotos do ex-piloto deitado em sua cama, disposto a vender por valores milionários. O material nunca viu a luz do dia.

As raras notícias não significam que Michael Schumacher deixou de ser alguém relevante em 2020. Pelo contrário: foi um ano em que seria ainda mais especial tê-lo nos autódromos. Schumi teria a chance de dar os parabéns a Lewis Hamilton, que empatou o recorde de sete títulos mundiais. E mais importante ainda: teria a chance de acompanhar a jornada do filho Mick rumo ao título da F2, carimbando passaporte para a F1 em 2021 como piloto da Haas. Uma enorme pena. Que Michael, mesmo recluso em sua casa, ainda tenha alguma qualidade de vida.

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