Sprint vencida por Hamilton e pole de Piastri deixam GP da China de F1 sem favoritos

A Ferrari venceu a sprint na China, neste sábado (22), baseada na gestão de pneus primorosa de Lewis Hamilton. De fato, o comportamento dos compostos da Pirelli será uma grande questão em Xangai, porque a classificação mostrou uma realidade diferente da prova curta. Na hora das voltas únicas, Oscar Piastri foi capaz de capitalizar nas mudanças feitas pela McLaren, enquanto George Russell surgiu como um raio na primeira fila, colocando um enorme ponto de interrogação na hierarquia de forças da F1. Tudo pode acontecer nesta madrugada de domingo, portanto

Ficou difícil falar em favoritismo ou prever vencedores na China. A verdade é que a sprint vencida por Lewis Hamilton mais cedo, neste sábado (22), e a pole conquistada por Oscar Piastri horas depois revelaram um pouco do caos vivido pela Fórmula 1 logo em sua segunda etapa de 2025. Acontece que a corrida curta e a classificação mostraram realidades distintas entre os principais nomes do grid e agora é simplesmente impossível apontar para qualquer lado. O fato é que o GP chinês tende a surpreender.

Tudo começa com a sprint. Aliás, a pole de Hamilton já foi motivo bastante para esperar mais do fim de semana em Xangai, uma vez que a expectativa geral era de um domínio acachapante da McLaren. Dito isso, é importante colocar aqui: a Ferrari se preparou muito bem para a prova curta, lançando mão de um acerto que mesclou uma boa velocidade em reta com um delicado equilíbrio nos trechos mais seletivos. Mas foi o heptacampeão quem fez diferença realmente, ao administrar perfeitamente os pneus médios usados. Ao longo das 19 voltas da corrida, Lewis soube driblar a intensa granulação causada pelo singular asfalto chinês, poupou borracha e, quando se viu com o triunfo na mão, abriu vantagem.

Foi sua primeira vitória em sprint e a primeira da Ferrari também neste formato. Fica aqui um parênteses: a conquista veio em ótima hora, principalmente depois da péssima impressão da Austrália. Além disso, mostrou o enorme potencial da parceria entre o inglês e os italianos. Ao que parece, uma vez azeitada essa união, as chances de sucesso serão grandes.

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De toda a forma, é essencial dizer: o excêntrico comportamento dos pneus ligou o sinal de alerta em todos os boxes. Aconteceu também na McLaren. Oscar Piastri levou a segunda posição ao cuidar mais da borracha, embora tenha levado tempo até atacar Max Verstappen, o terceiro. O tetracampeão, sim, sofreu mais entre os ponteiros e precisou recuar em termos de ritmo para assegurar o top-3, enquanto a Mercedes de George Russell quase virou uma ameaça séria, assim como Charles Leclerc, que também cresceu nas voltas finais.

Portanto, foi dentro desse cenário que a Fórmula 1 chegou à classificação. Só que a definição do grid mostrou uma realidade diferente da sprint. Além das mudanças no acerto dos carros, que são inevitáveis diante da carga menor de combustível e níveis de downforce, também houve uma alteração significativa para o desempenho: por causa do asfalto de Xangai e para evitar um desgaste excessivo, a Pirelli decidiu também aumentar a pressão dos pneus. “De um ano para o outro, percebemos um enorme aumento no desempenho, muito maior do que aquele baseado em simulações que fizemos para essa corrida, que, também, são baseadas em dados recebidos de todas as equipes. Portanto, era absolutamente lógico aumentar as pressões mínimas”, explicou Mario Isola, o chefe da fornecedora italiana.

Então, é possível também entender que todo mundo precisou revisar a configuração geral, e isso também provocou uma mudança na ordem do grid. A McLaren, por exemplo, voltou mais forte à tarde, imprimindo um ritmo consistente e lidando bem com os pneus. E caminhava, de fato, para uma dobradinha no grid, mas Lando Norris se envolveu de novo em pequenos erros, como na sexta-feira. Perdeu uma volta decisiva e acabou em terceiro, o que não é de todo ruim. Piastri, por sua vez, foi capaz de administrar melhor a performance e garantiu a pole — a primeira da carreira e a 166ª da equipe inglesa da F1.

“Fico feliz que tenha parecido assim [seguro], porque não foi isso que senti. Encontrei o ritmo no Q3, não estava bem no Q1 e no Q2. O carro ficou vivo, eu também, e estou feliz com o que fiz no final. Não foi uma volta perfeita, mas estou muito feliz por estar na pole”, celebrou o australiano.

Lando Norris errou no hairpin durante classificação para GP da China (Vídeo: Reprodução/F1TV)

É uma posição crucial e que já o coloca em vantagem para a vitória, o que também representa uma forma de se meter na briga não só do campeonato, mas também dentro das garagens laranjas. No entanto, Oscar tem pela frente algumas preocupações importantes e uma delas vem da experiência da sprint. Na corrida curta, ficou muito nítido que o desempenho do carro papaia no tráfego é um pouco diferente do que com pista livre. Tanto Piastri quanto Norris tiveram problemas no ar sujo e demoraram para encontrar performance.

“Espero poder manter o ar limpo, mas fiquei bem feliz com a corrida sprint. Fizemos o máximo que poderíamos. Ficaria feliz com uma posição a mais, mas com a forma que a corrida se desenrolou, não poderíamos pedir mais. Aprendi bastante hoje, e estou animado para colocar isso em prática amanhã”, reconheceu.

Essa questão é ampliada pela fato de que Russell vai alinhar a Mercedes na primeira fila. A equipe alemã mostrou bela arrancada na sprint, e o inglês comandou o time ao longo da classificação, trabalhando bem os pneus, sobretudo os macios, o grande calcanhar de Aquiles das Flechas de Prata. Será uma das largadas mais interessantes deste ponto de vista. “Estávamos lutando em todas as direções para colocar os pneus na janela certa, e, finalmente, nessa última volta, ele (George) acertou em cheio”, celebrou o chefe Toto Wolff aos microfones da emissora Sky Sports.

O austríaco também não deixou de notar a confusão da ordem de forças na China. “Acho que é uma ciência para todos, e dá para notar essas flutuações, por exemplo, com o fato de as Ferrari terem sido dominantes ontem [sexta-feira] e hoje estarem em quinto e sexto, mas os tempos estão muito acirrados, então descobrir é a missão”, disse.

Verstappen precisou desviar de Hadjar para não bater nos boxes em classificação da China (Vídeo: Reprodução/F1 TV)

Mas antes dos carros vermelhos há um Verstappen em modo de sobrevivência. Embora a Red Bull também tenha tentado alterar o acerto para entregar ainda mais velocidade, o RB21 sofre com o desequilíbrio, agora acentuado pelo desgaste dos pneus. Mas Verstappen é o fiel da balança neste quesito. A quarta posição significa que ele continua controlando os danos, para aproveitar os vacilos. Daí se explica também a postura mais pé no chão do tetracampeão. “Se todos à minha frente abandonarem a corrida, posso vencer. Mas não somos rápidos o suficiente. A volta foi boa, mas foi muito difícil obter um equilíbrio consistente em cada curva.”

“Foi difícil, mas estamos trabalhando nisso e tentando melhorar. Eu me sinto confortável e confiante, mas às vezes o que recebo do carro não é o que consigo fazer, e isso torna muito difícil dominar todas as curvas”, apontou Verstappen. “Então, na corrida, quando isso não acontece, desgasta os pneus mais do que os carros ao redor, e isso não é o ideal. E quando o ritmo da corrida está ruim, não há muito o que fazer”, completou.

Ainda assim, é uma imprudência afastar o neerlandês da disputa. A largada será um ponto crucial para os taurinos, assim como a gestão da borracha. E ele já provou outras vezes que o desempenho de prova pode mudar rapidamente.

Essa também é a esperança da Ferrari, que sai em quinto com Hamilton e sexto com Leclerc. A queda de rendimento, especialmente após a apresentação na sprint, deixou muitas dúvidas sobre a capacidade da escuderia. No entanto, os engenheiros da máquina italiana também revisaram a configuração, mudaram a altura do carro e se concentraram em um melhor acerto para a corrida. E como a gestão de pneus será crucial, a dupla ferrarista também está no páreo, principalmente pelo que mostrou neste sábado.

“Nós sofremos até o Q2, mas então demos um passo à frente no Q3. Mas amanhã a corrida será longa e teremos de administrar a degradação dos pneus”, relatou Frédéric Vasseur. “Isso será chave para a corrida, pois vimos hoje que na corrida sprint o desgaste foi maior do que o esperado”, emendou.

Até por conta disso, a tendência na China é que a corrida tenha como estratégia principal duas paradas, usando os pneus médios e duros — esses últimos ainda uma incógnita neste cenário todo. Mas há uma possibilidade de um único pit-stop também, o que resultaria em uma enorme vantagem, mas depende de uma delicada gestão da borracha. Quer dizer, segue tudo em aberto.

Fórmula 1 realiza o GP da China, em Xangai, entre os dias 21 e 23 de março, a primeira etapa da temporada 2025 com a corrida sprint. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação sprint, sprint, classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. No domingo (23), os pilotos disputam o GP da China às 4h (de Brasília, GMT-3). O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.

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